Memória curta


Sérgio de Almeida Correia,

Ele sofre do mesmo mal que sofre o País.

Ainda não foi eleito líder do partido e aos poucos vão-se sabendo as verdades que queria esconder. Porquê? Será que sente vergonha do facto de ter sido militante do CDS/PP durante cerca de 3 anos? Que diabo, não foi propriamente uma inscrição feita na adolescência, quando a barba começava a despontar, mas uma opção numa idade em que já era presumível alguma maturidade. A não ser que Rangel considere que aos 28 anos ainda não tinha acordado para a política.

Depois de ter enganado os eleitores e ter criticado outros candidatos, dizendo que estaria de pedra e cal em Bruxelas; depois de há 3 meses ter reafirmado que queria ficar em Bruxelas e de assegurar a todos que estava empenhado nesse projecto; depois de muito ter criticado o primeiro-ministro e de lhe ter apontado falhas de carácter; depois de ter dito que não se recordava se tinha chegado a estar inscrito no CDS, eis mais dois factos que abonam muito pouco o carácter (já que é este um dos pontos essenciais em que ele quer fazer assentar as diferenças em relação a José Sócrates) do candidato a líder do PSD.

Paulo Rangel não só esteve inscrito no CDS/PP como depois formalizou a sua renúncia e reafirmou essa decisão em 2002. Como é possível que se tenha esquecido disto?

Eu já tinha percebido que o estilo cantinfleiro por ele cultivado não augurava nada de bom.  Quem ainda não tinha certezas pode começar a tê-las. Rangel é apenas mais um disposto a tudo para chegar onde sonha, nem que para isso tenha que mentir e enganar os portugueses. 

Quem mente por tão pouco, que por tão pouco procura esconder a verdade dos factos, até onde poderá chegar?  

Pacheco Pereira, que tanto tem atacado o carácter de José Sócrates, poderá sair a terreiro para justificar estas "falhas de carácter" de Paulo Rangel, poderá vir desvalorizá-las. Mas os militantes do PSD que dentro de dias escolherão um novo líder não poderão depois vir dizer que não foram avisados. Pela boca morre o peixe. 

4 comentários em “Memória curta”

  1. Tens toda a razão, Sérgio. Quem faz campanhas centradas no carácter dos adversários políticos deve ter uma conduta irrepreensível. Caso contrário, o tiro faz ricochete. Foi o que sucedeu nas críticas feitas a Elisa Ferreira e Ana Gomes.
    Paulo Rangel anda a falar de mais, como se viu na sua infeliz intervenção em Estrasburgo. Curiosamente, fala de menos no que se refere ao seu passado no CDS. Envergonhar-se-á desse passado que o faz ter estes inesperados lapsos de memória?

  2. Nos meus tempos de faculdade, em que Paulo Rangel era uma espécie de estrela do corpo docente, embora fosse dos mais novos (as suas aulas enchiam anfiteatros), já se comentava que ele era membro do CDS. No entanto, numa publicação estudantil, ele afirmava que tinha saído por desacordos com a visão eurocéptica de Manuel Monteiro. Isto entre 1996 e 1997. Francamente não percebo porque é que quis entrar no partido num altura em que as ideias de Monteiro eram perfeitamente claras, e porque é que se desligou em tão pouco tempo, mesmo que não se tenha desfiliado logo.

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