1. FRANCISCO LOUÇÃ (BE)
Foi o deputado mais incómodo na hora de fazer oposição a José Sócrates. Acutilante, de verbo fácil e expressivo, com um discurso bem estruturado, Francisco Louçã fez marcação cerrada ao Governo socialista pela esquerda, confrontando-o com dados concretos sempre com a lição bem estudada. Várias vezes o primeiro-ministro se irritou com ele. Nenhum outro deputado conseguiu produzir este efeito com tanta frequência, trazendo à superfície a pior das características de Sócrates: a arrogância desmedida. Pontos a favor de Louçã, um dirigente político que nunca foge da polémica. Concorde-se ou não com o que defende, há um mérito que lhe deve ser reconhecido: nunca se refugia nas meias palavras nem nas meias-tintas. Um atributo cada vez mais raro na cena política portuguesa.
Memória: há um ano foi esta a minha escolha.


Pode ser…, mas que causa uma brotoeja danada, ai isso…

Aquele tom evangélico dá(-me) nos nervos até demais.
Irritante.
Insuportável.
Faccioso.
Ora aí está um ponto que tem em comum com José Sócrates, Margarida. É que Louçã também provoca esse efeito no primeiro-ministro.
Vou contar-lhe umsegredo…: além de mim e do senhor Sócrates, existem uma imensa multidão que não suporta o tom do senhor Louçã.
Já que ele (ou a troupe que dirige) tem a inteligência para escolher ‘piquenas’ graficamene apetecíveis para as eleições, deveria perceber que soprando as máximas ao ouvido de alguém mais ‘televisionável’ (não haverá no grupo?), talvez conseguisse mais adeptos.
Assim, conquista a juventude acneica enquanto não se lhes abrem os olhos.
Ou lêem umas coisas de História.
Ou ganham juízo.
Vou confessar algo que penso não ser um segredo: além de mim, existe uma imensa multidão que também não suporta o tom do senhor Sócrates. Os qualificativos para o tom de um servem, em igual medida, para qualificar o do outro.
Pedro:
Apesar de não gostar do estilo de F. Louçã, reconheço o valor que lhe deve ser atribuido especialmente pela sua combatividade e ao contrário do que Sócrates afirmou, tem curriculum, ao contrário dele, mas isso é outra história.
Boa escolha, tá votado e escolhido.
Carlos, como dizes o FL – além do mais – também tem currículo. Real, não forjado.
O tom algo seminarista de Francisco Louçã também me irritava.
Mas separar a forma do conteúdo é um exercício de disciplina de que, entretanto, ganhei algum domínio. Por exemplo, gostei francamente de o ver em conferência com os bloguistas.
Também eu.
Não estou de acordo Pedro e explico porquê. É claro que tudo o que diz no post é verdade. Mas a contraprova está por fazer. Está a vê-lo primeiro-ministro? Ministro? Como acha que ele se comportaria? Sem arrogância? já gostei mais dele . Em todo o caso a psicologia responde eficazmente a esse efeito que ele produzia, e produz, em Sócrates.
Não, Ariel. Não estou a vê-lo como primeiro-ministro: estou a vê-lo como deputado. É isso que ele é e é isso que está em foco nesta minha apreciação.
Gostei mais da escolha do ano passado.
As sessões legislativas são como os vinhos, meu caro: há uns anos melhores, outros nem por isso.
Ele só perde na agressividade excessiva porque acaba transmitindo a ideia de que está mal com tudo e com todos ou que todos lhe devem e ninguém lhe paga. Só tinha a ganhar se moderasse o estilo, mas compreendo que a demagogia se faça passar mais facilmente com espectáculo, com teatralidade e dramatismo. Que foi (e é) incómodo isso é verdade. Mas também é certo que só se incomoda quem se sente fraco perante as suas investidas ou se irrita facilmente.
A agressividade está-lhe no sangue, Sérgio. Faz parte da luta armada…
F. Anacleto Louçã usa e abusa da insuportável técnica discursiva que é a colocação de voz à pároco-a-fazer-um-sermão-num-funeral, o que lhe dá um tom macio, aveludado, para não perturbar o sono dos justos.
Isso e as camisas para gravata sem gravata e abertas não sei se ajudam ao efeito da sua intervenção, mas os resultados que obtém estão aí à vista. Merece que se reconheça o que dizes, compadre. Quer se goste, quer se odeie a figura, o discurso ou a pose, ele tem-se mostrado eficaz.
Boa escolha. Concorde-se ou não com o discurso, tem capacidade.
Pois. O meu ponto (também) é esse.
E a demagogia, entra a débito ou a crédito?
Louçã dva um bom publicitário? Provavelmente.
Escolhido o público-alvo, é só dizer o que esse alvo quer ouvir.
Ah e convém também escolher qual o alvo a abater/tentar enfraquecer.
Juntam-se estas duas premissas, bate-se bem, rectificam-se os temperos, e pronto, é só servir.
Bom proveito, a quem gostar.
Odete, pelos vistos há cada vez mais quem goste. O Bloco vai subindo de eleição para eleição. Considero que o Francisco Louçã tem mais importância nesse factor do que qualquer outro aspecto.
O “moralismo” costuma incomodar muito quem não tem moral. A “demagogia” incomoda muito quem não quer justiça.
Mas a demagogia sem aspas, a profissional, a que constrói máquinas de spin em substituição da política, essa parece que já não incomoda tanto.