
Marcelo Rebelo de Sousa anda há muito tempo nas suas homilias dominicais a preparar pacientemente a sua candidatura a Belém. Por esse motivo, nessas homilias costuma reservar algum tempo para condicionar as candidaturas adversárias. No seu campo político, é habitual mandar farpas a potenciais adversários, como Durão Barroso. No campo da esquerda, procura sempre favorecer o candidato que mais facilmente possa derrotar e impedir o surgimento de candidaturas fortes. Foi assim que há dias apareceu a lançar Carvalho da Silva como candidato e é por isso que no domingo passado resolveu lançar António Costa a líder do PS, precisamente para o afastar de uma candidatura a Belém.
Na verdade, conforme aqui tinha escrito, o livro Caminho Aberto de António Costa é claramente uma declaração de candidatura a Belém, sendo esse o destino natural do caminho por ele aberto. António Costa, desde que saiu do Governo para a Câmara de Lisboa, que ambiciona repetir o percurso de Jorge Sampaio. É por esse motivo que a gestão mais corrente da Câmara é habitualmente exercida por Manuel Salgado, enquanto que António Costa se reserva para as aparições mais importantes, também possuindo um espaço televisivo semanal. Aliás, nos seus comentários televisivos, é raríssimo ouvi-lo falar da Câmara, apenas se pronunciando sobre a política nacional. Naturalmente por isso que Marcelo preferia ver Costa substituir Seguro a confrontar-se com ele nas presidenciais.

Seguro percebeu claramente a “golpaça” de Marcelo, mas reagiu a quente e de forma disparatada. Talvez contaminado pelo ambiente pascal, Seguro acusou Marcelo de faltar à verdade três vezes (só três?), comparando-se assim a Jesus Cristo, a quem Pedro negou três vezes. Logo a seguir, acusou Marcelo de “ataque vil e miserável” a si próprio, parecendo assim ter entrado na caminhada para o calvário. A continuarmos nesta senda, iremos assistir à crucificação de Seguro como líder partidário, sendo certo que na política as ressurreições são raras.
Assistindo a tudo isto, António Costa lava as mãos do assunto, pedindo concentração nos problemas do país. Já Marcelo convoca todos para o próximo episódio da novela, a sua homilia no Domingo de Páscoa. Parece-me que vamos ter uma Páscoa muito pouco serena lá para os lados do Largo do Rato.

Concordo com a análise que o Luís Menezes apresenta, excepto quando refere: «Naturalmente por isso que Marcelo preferia ver Costa substituir Seguro a confrontar-se com ele nas presidenciais.»
Acha mesmo?
Olhe que de um ao outro… (na minha opinião, é claro.)
Uma comédia bufa convencida que é uma paixão pascal, poratnto. A ressurreição é a pedra de toque. Mas como eles se arrastam moribundos sem que morram, ficarão para sempre amarrados à mortaldiade da carne. Triste sina a destes santos adiados.
Não gostamos muito do que o Marcelo diz mas não conseguimos deixar de lhe dar razão. Podendo até ter alguma ideia subjacente, não deixa de ser verdade o que referiu.
http://www.largodascalhandrices.com/2012/0 4/revolta-no-ps.html
Já não se aguentam estas diatribes de Marcelo que, com 64 anos, tem idade para ter juízo mas não tem o bom senso que o mesmo recomenda.
Depois dos mergulhos no Tejo, das vichysoises e quejandos, é triste ver um homem da sua craveira intelectual envolvido em rodriguinhos deste jaez, para tentar ser Presidente de um país que, muito possivelmente, não o quer!