RIO CAIA
Nascente: Serra de São Mamede, concelho de Portalegre
Foz: Rio Guadiana, em Santo Ildefonso, no concelho de Elvas
Afluentes: Ribeiras de Arronches e de Algalé
Extensão: cerca de 67km
"Concebi o livro, uma tarde, em casa de uma senhora, estando só com ela; ela tocava ao piano a gavotte favorita de Marie Antoinette – e eu, ao pé do lume acariciava um cão. De repente, sem motivo, sem provocação – lembrou-me, ou antes flamejou-me, através da ideia todo esse livro tal qual o descrevo: singular, não? Fiquei aterrado: supus ser um bom pressentimento, ou uma visão. Depois a minha segunda exclamação mental foi esta: – Que escândalo no País! Você conhece-me e está daí a ver que me despedi da senhora, e vim para casa lançar o esboço do escândalo para o País . E simplesmente o que eu quero fazer é dar um grande choque eléctrico ao enorme porco adormecido (refiro-me à Pátria)."
Eça de Queiroz, carta a Ramalho Ortigão de 10 de Novembro de 1878, referindo-se à génese da sua projectada obra A Batalha do Caia.
(Em Dicionário de Eça Queiroz, verbete ‘A Batalha do Caia’)


Portalegre, o Eça, São Mamede, o Caia. Há lá conciliábulo mais adequado.
Também gostei de trazer aqui este postal de Arronches. O Caia em Arronches.
Gostei do conciliábulo…
:)))
Pedro, não há muito tempo, li o pequeno conto do Eça,
“A Catástrofe” (incluido no livro “O Conde de Abranhos”) se bem me lembro é “esboço” da “projectada obra” que não se cumpriu, não chegou a ser romance. A partir daí fiquei curiosa por conhecer o rio Caia – hoje vejo a foto e leio a carta que não conhecia e, juntando carta e conto, fica ainda mais claro, para mim, o sentimento de Eça em relação ao Portugal da época à “Pátria” que ele escreveu, também, assim:
«É justo que pensemos um pouco na Pátria. Porque enfim, temos uma pátria. Temos Pelo menos – um sítio. Um sítio verdadeiramente é que temos: isto é – uma língua de terra onde construímos as nossas casas e plantamos os nossos trigos. O nosso sítio é Portugal»
( Grande Eça, tanta ironia, bem sei que os tempos são outros mas …)
É verdade, Maria. ‘A Catástrofe’ é uma espécie de esboço desse grande romance que Eça sonhou fazer até ao fim da vida – um projecto de mais de 20 anos sobre o qual pairaram as maiores dúvidas nas décadas seguintes, especulando-se se não estaria na célebre arca de onde saíram A Capital, O Conde de Abranhos, Alves & Cia e várias outras obras póstumas, algumas das quais ‘interpretadas’ com excessiva liberdade pelo filho a partir da difícil caligrafia do pai.
Hoje sabe-se que ‘A Batalha do Caia’ é um dos mais célebres romances portugueses que nunca existiram.