RIO ALMONDA
Nascente: Serra de Aire, 5km a noroeste de Torres Novas
Foz: Rio Tejo, no síto da Igreja Grande, concelho da Golegã
Extensão: cerca de 30km
"Dizem que o rio chora toda a noite / Nas lágrimas tombadas dos salgueiros. / (…) E as pedras nuas da distância? / Almonda! Almonda! Almonda! / Um eco… // São as rãs da memória que chamam as cigarras / Quando o Verão se chega mais à terra / E a cidade amanhece ao som do rio que canta. // Dizem que o rio canta / Nos olhos molhados dos salgueiros!"
Maria Sarmento, Almondinas
(o meu agradecimento ao leitor José Catarino, que aqui trouxe estes versos)


Devia ter posto uma fotografia da nascente, que é uma cascata que nasce diretamente, com enorme caudal, de dentro das rochas.
Valeria a pena referir que essa nascente é diretamente aproveitada para uma fábrica de papel, a Renova – Fábrica de Papel do Almonda.
Podia ter feito essa opção, Luís. Mas esta (sub)série vai ser mais ‘minimal’ que a anterior, só com uma foto e sem citação de autor. Optei por Torres Novas por ser a cidade emblemática do Almonda. É uma cidade de que gosto muito. Infelizmente muitos portugueses não a conhecem – nem à região envolvente.
Pedro, o rio Almonda (aos anos que não ouvia esse nome) segue tão bem por essas belas margens em tons de Outono e, já agora, a míni série…
“Dizem que o rio chora toda a noite
Nas lágrimas tombadas dos salgueiros.
(…)
E as pedras nuas da distância?
Almonda! Almonda! Almonda!
Um eco…
São as rãs da memória que chamam as cigarras
Quando o Verão se chega mais à terra
E a cidade amanhece ao som do rio que canta.
Dizem que o rio canta
Nos olhos molhados dos salgueiros!”
(Maria Sarmento), “Almondinas”, in 3 Poetas, 30 Poemas)
A apresentação está feita. Em querendo, cada um bisbilhota ou esmiuça conforme lhe aprouver. Que o Pedro Correia não recebe por estas horas extraordinárias, a bem dizer… Não é? Pois, pela minha parte só posso parabenizá-lo e agradecer-lhe a continuação… da série.
:))))
[Não vale o João Carvalho vir a correr corrigir a prosa, nem o Pedro Correia referir as palavras e expressões que detesta…]
É pena é estar quase “morto” pelas indústrias de curtumes da região. Também como o Alviela, onde o meu Pai em rapaz novo, a caçar patos, bebia da água tirada directamente do rio…
É o rio da minha terra, e a minha terra, Torres Novas.
Não está morto, já esteve. Creio que chegou a ser considerado o rio mais poluído da Europa, 20 anos depois de ser palco de concursos de pesca, de que a minha mãe se lembra.
Na parte do rio que passa pela cidade, teve a câmara municipal a infeliz ideia de colocar umas populações de patos e gansos. Desapareceram as rãs ibéricas, que resistiram à poluição, e agora há mais melgas e moscas. Peixes, só se vêem as omnipresentes carpas.
Dentro da cidade, perto do Açude, ainda é possivel sermos surpreendidos por uma garça ou outra, perdida ou vinda rio acima, do Paul de Boquilobo, reserva natural alimentada pelo Almonda.
Ainda bem que o Almonda foi recuperado. O rio merecia. E Torres Novas também.