MACAU
“Só em Macau é possível viver a sensação indescritível que permite estar, num momento, no templo chinês de Lin Fong e, dez minutos depois, no Teatro D. Pedro V, de traça genuinamente europeia. Todos os contrastes de Macau se diluem harmoniosamente na suavidade local, num todo gerador de uma unidade cultural peculiar, que é única.” (Austin Coates)

Parece-me que conheço isto…
… vagamente, vagamente, não é, João?
Sim, sim. Muito vagamente…
Tal como a vossa, a minha memória é muito vaga e difusa.
Aqui em Lisboa também é possível estar num momento em frente a um templo hindu e, cinco minutos (a pé) depois, em frente à igreja do Paço do Lumiar. E também é possível estar num momento em frente a uma mesquita e, três minutos depois, perante a Fundação Calouste Gulbenkian, de traça genuinamente europeia.
De facto, há coisas levadas da breca. Nunca tinha pensado nisso.
Mas olhe que se for de patins é capaz de ser ainda mais rápido. Agora há uns em carbono.
Sabias que a Fundação Calouste Gulbenkian é «de traça genuinamente europeia»? Nem uma pedacinho de traça arménia? Não há qualquer respeito pelo mecenas Calouste Sarkis Gulbenkian?
Não me falem em fundações a propósito de Macau. Lembro-me logo da Fundação Jorge Álvares.
Há quantos anos já não vem a Macau, Pedro?
Vai apanhar um choque.
Com os mamarrachos cheios de luzes e com os morcões que para aqui andam aos milhões.
Sem exagero.
Estão a vender Macau aos bárbaros, Pedro.
É uma pena.