Mais despesa, menos receita


Pedro Correia,

Oiço Jerónimo de Sousa em entrevista à TVI a propósito das negociações para o próximo Orçamento do Estado.

O que propõe o secretário-geral do PCP? A diminuição das receitas fiscais em simultâneo com o aumento da despesa pública. Sugere portanto a quadratura do círculo, bem consciente de que jamais terá condições de ser aplicada. E no entanto insiste na tese, com ar sério, composto e grave. É puro eleitoralismo. Ou, dito de outra maneira, o mais descarado populismo. Sem jamais assumirem responsabilidades governativas, os comunistas advogam sempre o melhor dos mundos para os eleitores que não se dão ao incómodo de fazer contas e reservam o pior cenário para o Estado que tanto dizem defender.

Escuto isto e questiono-me por que razão jamais alguém se atreve a chamar populista ao PCP. É uma pena, pois seria um rótulo bem adequado.

49 comentários em “Mais despesa, menos receita”

      1. Ainda não entendeu o Marxismo, os Comunistas Chineses, usam o Marxismo como legitimação de poder como uma roupagem moderna para um poder antigo, discricionário mas criaram nada. O Marxismo é uma criação do Ocidente, do “Homem Branco”.

        Uma parte do Ocidente criou o Marxismo como movimento reaccionário contra modernidade. Modernidade, esta definida pela aceitação de limites ao poder e a distribuição do poder. Essa é que é verdadeira revolução humana civilizacional, aceitar limites ao próprio poder. Como foi um processo evolutivo não regista como revolução. E limites ao poder é coisa que Marxistas e Socialistas “at large” nunca aceitaram.

        Foi sempre no Ocidente, nas suas Universidades e no Jornalismo que se justificou a URSS, foi sempre no Ocidente que se justificou Maoísmo. Pol Pot , Castro, etc… tudo regimes onde o poder é quase total de um grupo. Sistemas primitivos portanto. Apoiados pelas pessoas que gostam de dizer que são da “cultura”.

        São as Universidades e Jornalismo Ocidental que hoje constroem a evolução do Marxismo, aplicando a teoria de classes sociais de opressores e vítimas, a todo o tipo de grupos que conseguem encontrar, criar, segmentar, para serem explorados para proveito do seu poder.
        Como já não basta as classes sociais tradicionais pois a abundância do capitalismo tornou complicado a sua exploração política extrema, por isso, têm de explorar e se necessário provocar confrontos raciais mais do que aqueles que já existem, mais confrontos religiosos, mais confrontos sexuais, mais confrontos ambientais, mais confrontos até na alimentação -veja.se os ataques a quem come carne por enquanto ainda na orla do movimento marxista -, encontrando sempre opressores e vítimas entre os grupos para poderem extrair poder social desse conflito ao mostrarem a sua virtude de defenderem a vítima que muitas vezes foram os próprios que inventaram, designaram ou mesmo criaram pelo conflito que instigaram.

        Há 20 anos os Monólogos da Vagina eram uma das peças do na boca do Marxista, supostamente defendendo auto determinação da mulher. Hoje a segmentação do mercado Marxista, testemunho da hiper competitividade social dentro do movimento -. tornou-a uma peça inconveniente que discrimina os transgenders.
        Entretanto o New York Times acabou de designar mulheres brancas como traidoras de classe, pois estas não deram valor em geral à mulher que acusou o juiz Kavanaugh…
        Sim, é Jornalismo Marxista. A classe é tudo.

        1. “Essa é que é verdadeira revolução humana civilizacional, aceitar limites ao próprio poder”

          Fala portanto na invenção do Estado Moderno e não no Marxismo, presumo.

          1. Sim, quando eu digo que o Marxismo é uma reacção contra limites ao Poder.

            No entanto não usaria a expressão Estado Moderno que pode ir desde a opressão do pós Revolução Francesa a Bismarck, mas talvez Estado Limitado.

            Ainda existem limites ao poder dentro do próprio Estado. Por exemplo o facto de existir PSP e GNR em vez de uma polícia única é pelo menos no desenho um limite ao poder dentro do próprio Estado enquanto organismo. A Guarda Pretoriana “elegeu” muitos imperadores Romanos…

            Começou com as primeiras leis- leis que como sabe não são unívocas tanto podem ser para limitar poder como para aumentar poder – depois a Democracia Antiga na Grécia, à Republica Romana e as suas leis, Magna Carta, Revolução Americana.

            Infelizmente estamos no caminho para a Democracia Totalitária pela confluência de várias forças, desde o já nomeado Marxismo, ao Managerial State -como testemunham o nascimento das “Autoridades” no Estado Português nos últimos 20 anos. Importadas do Governo Federal dos EUA.

            Note como não houve protestos a essa importação dos malvados EUA…

            Adicionando ainda o excesso de leis que colocam praticamente todas as pessoas a fazer algo ilegal pelo menos uma vez ao dia, e pela impossibilidade física de serem aplicadas podem vir a ser aplicadas só a quem é incómodo.

            Mais a evolução tecnológica que facilita a informação e por isso o controlo.

        2. “Pol Pot , Castro, etc… tudo regimes onde o poder é quase total de um grupo”

          Concordo. Pelo privilégio de uns poucos e a miséria de muitos encontra o comunismo terreno fértil para se implantar e em nome dele, mas sobretudo do desespero desses muitos, uns poucos, em nome do povo, se acambarçarem com o Poder repetindo as instituições culturais anteriores

  1. Bem fez o PCP em se arredar do governo. Ao contrário do BE que pela ambição, legítima, de governar traiu parte do seu eleitorado.

    Há partidos que só são possíveis na oposição.

    A discussão do orçamento resume-se à negociação salarial dos instalados. Aliás como toda a política nacional

      1. novaa pausa (para gargalhada), que é como quem comenta:

        – e que partido político o não faz?
        (eventualmente o dos cães, ou lá como se chama, mas eu é mais gatos, e continuo a considerar que todollo mundo ainda considera os cões – isto diz-se? – “os mehores amigos do homem”: argh!).)

        1. O dos cães também faz isso, Alexandra. Levando-se aliás mais a sério do que o PCP (presto homenagem a Jerónimo de Sousa presumindo que ele não acredita nesta treta).

    1. creio que me escapou uma referência absolutamente fundamental, eu, que adoro o Leonardo de Vinci, mas mais no modo esquissos: preciso de um para compreender isto 🙂

  2. É possível na Venezuela de Maduro.
    Ainda por bónus os opositores suicidam-se nas instalações policiais.Querem melhor ?

  3. Quanto ao PCP, diria que é a História dos vencedores de 39-45 a imperar, como sempre impera a História tal como a relatam os vencedores. A mesma versão da História que interdita constitucionalmente o fascismo, dilatando aliás, muito para lá da mais elementar honestidade intelectual, a sua abrangência, mas admite e acarinha, em nome da liberdade, o comunismo, a mais totalitária e assassina das ideologias (ou, enfim, da concretização das ideologias), e os seus apóstolos incapazes, ao menos, de um acto de contrição.

    Quanto aos portugueses, poucos saberão – no seu suburbanismo orgulhosamente medíocre (na melhor hipótese) – ou quererão pensar a mais de um mês de distância. E encantam-se com os vinte ou trinta euros, se tanto, da “reposição de rendimentos”, proporcionada pelo milagreiro “virar da página da austeridade”, ainda que paguem mais cem nos impostos que sendo formalmente indirectos são realisticamente inevitáveis, e experimentem a cada dia a crescente falência despudorada dos serviços públicos. Para gáudio de quem, afinal, diga o que publicamente disser, mede o sucesso da administração pública pelo único critério que de há muito, seja qual for a cor política de turno, parece válido. O do saque: o do aumento da receita fiscal.

    Mas haja guito para a Sport TV! O resto, logo se vê…

    Costa

    1. A Segunda Guerra Mundial foi o maior engano político dos últimos 200 anos.

      Entre 1 Setembro de 1939 até 22 Junho 1941 os Comunistas denunciavam a guerra contra os Nazis como uma guerra imperialista e plutocrata para enriquecer as industrias de armamento capitalistas às custas dos trabalhadores e da morte dos jovens soldados em combate.

        1. O que é que isso tem que ver com o assunto?

          A política Comunista de apoio ao Nazismo foi definida em Moscovo, incluí desde “activismo” “pacifista”, apoio de artistas , sabotagem de fábricas de armamento Francesas pelos sindicatos afectos aos PCF em plena guerra.

          Sabe que o PCF foi proibido em França pelo seu apoio aos Nazis e ao seu apoio ao Pacto Nazi-Comunista?

      1. http://www.pnr.pt

        A questão, como a coloco, é simples e não passa por exemplos como este que nos apresenta, como você bem sabe. Esse partido para cujo “site” nos encaminha, ou outro qualquer constituído ou a constituir não pode – ainda que o quisesse (não sei se quer) – afirmar-se fascista ou explicitamente herdeiro do pensamento fascista. Por exemplo denominar-se Partido Fascista Português.

        O que faz é invocar uma memória mais ou menos expressa, refugiando-se essencialmente, diria, numa ideia de nacionalismo feliz, do que toma como as virtudes do regime do Estado Novo (que, e você bem sabe, foi um regime autoritário de direita, mas não um caso de verdadeiro fascismo) e “actualizar-se”, com alguma truculência – mais de forma que outra coisa; e talvez tão truculenta com a outra, absolutamente legal e que reduz o mundo a maltrapilhos famélicos, de um lado, e obesos de casaca, polainas, cartola e charuto, do outro – chamando a si questões presentes e ditas fracturantes e que o são no sentido oposto ao das questões presentes e ditas fracturantes em cuja defesa outros partidos se erguem. Mera questão de reciprocidade, dir-se-ia.

        Mas qualquer um de nós pode, querendo, em absoluta legalidade e reclamando para tanto toda a protecção do estado, afirmar-se comunista e integrar organizações que dele se reclamam, legalmente constituídas e financiadas mesmo pela coisa pública. Organizações que se afirmam, aliás, herdeiras das mais mortíferas traduções práticas do pensamento comunista.

        É isto apenas onde quero chegar. É isto, tudo visto, o que permite a Jerónimo de Sousa dizer e escrever o que quiser. E antecipar – mesmo exigir – uma larguíssima e respeitosa difusão na comunicação social. E é, no limite, um efeito dessa justiça de vencedores (dela e, admita-se, de acontecimentos domésticos mais recentes). Apesar do tão convenientemente esquecido pacto Ribbentrop-Molotov.

        E antes esta do que a outra que o poderia ter sido.

        Costa

        1. Tem razão…aliás nos EUA estiveram proibidos durante algum tempo…mas pensando melhor, não deveriam ser ilegalizados partidos fascistas…a melhor forma de os combater é dando-lhes voz….

  4. eu creio que eles ..pcp..sabem bem que isso é impossível…….e mais que o governo costa/Centeno não vai aceitar..
    hipocrisia ao mais alto grau

    entretanto, convencem os papalvos da C7 que o pcp luta pelos pobres………………………..!!!

  5. O PCP não é um partido da oposição, o PCP é a oposição à perda de direitos dos CCT e à alienação dos serviços públicos. Tudo o mais é de somenos. E por isso acredito que nunca quererão integrar um governo.

    Um discurso populista adequa-se à moda, modela-se pelo que querem ouvir. O PCP modela-se a ele próprio, não aos outros. E por isso o discurso sempre esteve fora-de-moda.
    A Geringonça foi um engolir em seco contra um PR e um Governo talhados na mesma cepa. Duvido que nasça outra sem maiores garantias quanto ao cerne das políticas dos comunistas – usam cassete, chamam proximidade ideológica à história e à nomenclatura, votam estuporadamente contra propostas que, noutro equlíbrio de forças, ajudariam a aprovar… mas não me parecem disponíveis para abdicar da sua espinha dorsal. Uma vez já lhes ia tornando a espinha bífida…

    1. Para picar:

      Por vezes no combate contra a perda de direitos lutam contra o trabalho . Ex:Auto-Europa

      Raras são as greves que não têm como pano de fundo aumentos salariais/carreiras. Agora contra a degradação das empresas é raro. Ex:veja-se quantas greves dos professores visaram exclusivamente a melhoria do equipamento escolar-salas um gelo no inverno, um forno no verão. ….

  6. Tem razão o Pedro Correia nesta acusação ao PCP.
    Mas o PSD e o CDS também fazem, parcialmente, o mesmo. Pedem mais despesa – na saúde e no investimento público. E pedem baixa dos impostos – pelo menos, sobre o gasóleo.

  7. Sou convictamente liberal e portanto ideologicamente o oposto de comunista, mas acho que o autor parte de um pressuposto errado. Parece-me claro que o Jerónimo acredita piamente na virtude da despesa pública e na sua multiplicação, pelo que desvaloriza o défice – porque acha que “as pessoas estão antes dos números” ou algo de semelhante. Mais, se o défice alguma vez fosse problema, a solução comunista seria evidentemente impostar as grandes empresas.

    Em resumo: a pretensão do PCP não é incoerente nem irresponsável, mas apenas flagrantemente errada.

    1. Divergimos. Quanto a mim, Jerónimo de Sousa não acredita minimamente num cenário desses. Presto-lhe essa homenagem.
      Só fala assim porque sabe que muita gente ainda acredita. Cada vez menos, é verdade. Mas o PCP fala para nichos, não fala para a população em geral. E sente que tem de alimentar estes nichos com paleio populista antes que venha a direita mais radical a desviar esses votos. Como já sucedeu em França, na Itália e noutros países.

      1. Como diria o outro, olhe que não, olhe que não ..
        Pela amostra que conheço, eles acreditam convictamente no que afirmam.
        E repare que sempre puseram em causa a “submissão às regras de Bruxelas”, a “obsessão pelo défice”, etc. A questão da dívida também é encarada como algo que se resolve não pagando, por exemplo.
        Em resumo, é toda uma visão alternativa (e, em meu entender, alucinada ..).
        Já o Bloco é outra história – tendo um fundo ideológico mais ou menos semelhante, são simultaneamente menos consistentes, mais oportunistas.

  8. Exmo Sr Jerónimo de Sousa, é com muito prazer que lhe escrevo sobre as reformas antecipadas, mas permita.me primeiro cumprimentá.lo pela sua coerência batendo.se pelo melhor daqueles que muito trabalharam.
    actualmente estou reformado com 64 anos e com uma carreira contributiva de 49 anos de descontos, leu bem 49, apesar de não ter tido penalização, mensal de 0.5 /mês tenho a penalização do factor de sustentabilidade, assim, espero que V. Exa. faça reverter a situação, já que se para o ano de 2019 vão permitir reformas antecipadas sem cortes, incluindo o factor de sustentabilidade, agradeço que tenha em consideração este assunto de modo a ficar também contemplado com o respectivo valor, pois se com 60 de idade 40 anos de descontos ou 63 de idade e 43 de descontos não terão qualquer corte na reforma, é caso para dizer e EU com 64 anos e 49 anos de descontos, comecei a trabalhar aos 11 anos. fico grato pela sua atenção, e, aguardarei com a maior expectativa a resolução a favor dos que como Eu e outros em igual situação muito contribuíram para podermos ter uma reforma condigna, receba Um Abraço António Roque Ribeiro 961066298

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