Madeira independente?


josegomesandre,

Bem sei que nem sequer devíamos levar isto a sério, mas aqui fica a minha opinião: não convém confundir as circunstâncias com a essência dos problemas. Estamos fartos de Jardim? Possivelmente. Mas aceitar a independência da Madeira seria um erro estratégico inaceitável.
Para a Madeira, significaria o adensar do isolamento geográfico, um inevitável retrocesso económico e a provável condenação a se transformar num paraíso fiscal, atarefado com promoções turísticas no Carnaval e na passagem de ano. 

Para Portugal, representaria a perda de um entreposto comercial relevante e de uma posição geográfica que o liga aos interesses estratégicos (militares, económicos e políticos) de matriz atlântica (refiro-me aos EUA, ao Brasil e à América Latina em particular). Por outro lado, a independência da Madeira constituiria um golpe histórico na unidade nacional, que, para o bem e para o mal, conheceu justamente com a descoberta das Ilhas um momento capital para a sua existência e definição.
O governo da República não deve ceder perante as chantagens (actuais ou eventuais) dos políticos madeirenses, mas adoptar uma atitude precipitada prejudicaria gravemente os interesses do país. Por agora, conservemos a nossa compostura e recorramos a uma paciência medieval. Mesmo que nos apeteça pregar uma partida ao Alberto João.

10 comentários em “Madeira independente?”

  1. A Madeira nunca, na longa história portuguesa, teve qualquer relevância para Portugal, nem como entreposto comercial, que nunca foi, nem como valor estratégico.

    Os Açores, sim, tiveram (e mantêm) muita dessa importância.

    A Madeira nunca foi mais do que uma colónia de Portugal, ainda por cima uma colónia sem valor especial, ao contrário de Cabo Verde ou Angola, que tinham valor estratégico e comercial.

    Portugal não perderia absolutamente nada com a independência da Madeira. Só ganharia.

  2. É minha opinião que a independência da Madeira teria maiores consequências para ilha do que para o continente. 1º porque o $ continua a ir de cá para lá, 2º existem muitos funcionários pagos pelo $ do governo central, 3º pelo “princípio dos vimes”, juntos temos mais hipóteses do que separados, 4º Porque mesmo os paraísos fiscais, apresentam grandes clivagens na sociedade, existem os bancos e os hotéis dos ricos, e existem as barracas da população, 5º porque geograficamente a Madeira está longe, nunca será um pequeno luxemburgo ou suiça, até porque a história se encarregou de dar a estes o estatuto de País-Banco-Sagrado em tempos de guerra.
    Quanto ao Continente, vejamos o lado positivo, livrávamo-nos de dívidas, de despesa e podíamos vender um dos submarinos.
    Não é que não seja patriota, infelizmente sou. Tenho orgulho nos descobrimentos, tenho pena de como abandonamos muitas colónias, mas as “coisas” são como são e actualmente as “coisas” não estão bem.
    As “coisas” são as leis e a autonomia. Tem que ser revista com urgência sob pena de tudo isto acabar em tragédia.
    Vamos que o continente assume as dívidas e daqui a uns anos um díscipulo de Jardim lembra-se da independência? Como vai reagir a população do continente, sabendo do esforço que fez?
    É preciso ter cuidado com o regionalismo, levá-lo a sério e tê-lo sempre controlado. Quem o subestimar poderá arrepender-se.

  3. Independências…

    Arqipelago da Madeira: descoberta em 1419 – Desabitado.
    Arquipelago de Cabo Verde : descoberto em 1469
    desabitado.
    Ambos colonizados por Portugal.

    Historicamente qual a diferença?

  4. Se os Madeirenses quiserem ser independentes têm todo o direito.
    E numa Europa Ocidental a fugir de responsabilidades que até inventa uma união para não enfrentar a realidade até seria de aplaudir.

    Sou favorável à independência de quem o quiser ser.

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