Sobre as afirmações sem nexo proferidas diariamente pelo chefe do executivo madeirense, umas comicieiras outras nem isso, está tudo mais do que dito. Nesta fase, parece-me bem mais interessante o que ainda está por dizer e que todos, genérica e aparentemente, andam a evitar. Refiro-me à iniciativa do procurador-geral da República, centrada (tanto quanto deu para entender) no apuramento de uma possível omissão de dados sobre a política orçamental e o endividamento da Madeira. Vejamos.
Desde logo, é indispensável que os grupos parlamentares da Assembleia Legislativa da Madeira tomem posição sobre esses temas, não sendo razoável sequer supor que isso possa ter-lhes sido ocultado. Alguém admite assim do pé para a mão que lhes tenha passado tudo ao lado ano após ano?
Depois, a Madeira possui serviços da República que não têm apenas a competência — mas a obrigação — de velar pelo cumprimento das políticas adoptadas pela administração pública e de zelar pelos interesses do país e da região no que respeita à condução dessas mesmas políticas regionais. Portanto, faz sentido perguntar pelos pareceres e cabimentação orçamental das despesas que o Ministério Público na Madeira necessariamente visou, tal como faz sentido perguntar pelos relatórios anuais elaborados pelo Tribunal de Contas na Madeira sobre a justeza das mesmíssimas despesas.
É da maior relevância, pois, que as delegações regionais do Ministério Público e do Tribunal de Contas (ambas serviços da República) não fiquem à margem da iniciativa do procurador-geral da República. Se este quisesse investigar o que anunciou sem ouvir as (eventuais) intervenções dos deputados madeirenses sobre orçamento e endividamento e, ainda por cima, desperdiçasse a recolha de dados da delegação do seu Ministério Público e da delegação do Tribunal de Contas na Madeira, então é que a fotografia ia ficar mal de escura.
Para já, a história está apenas à espera de ser bem contada. Aguardemos, porque tudo isto tresanda a facilitismo. Ou incompetência. Ou qualquer coisa assim parecida. E se fosse? Já imaginaram?

Pior se passa no continente. Desde violações sucessivas da Constituição até esconder divida.
Pois, pois. Por que é que o meu carro está multado se há tantos em redor mal estacionados?…
Responsabilidades partilhadas, como dizes, compadre. Com tanta personalidade e tanta entidade a fazer vista grossa, só podia ter dado no que deu.
Por uma vez, pode ser que a conclusão sobre essa partilha de responsabilidades possa compensar-nos um bocado por vergonha viscosa que teima em cobrir-nos.
Pois é… nem tenho palavras para todo este caso. É o normal do Português: assobiar para o lado e dizer: “não tenho nada com isso”. Tipo quando vamos às finanças e depois de 2h na fila, quando somos finalmente atendidos: “falta-lhe o impresso x tem de pedir no balcão do meu colega” ou ainda ” Isso foi tratado com o meu colega, ele agora está de férias, volte para a semana que ele termina isso”…
País de treta…
Tal e qual.