


Salazar, quando alguém do seu círculo íntimo lhe sugeria determinado académico como hipotético candidato a uma pasta ministerial, respondia à sua maneira lacónica, com manha de camponês: «Primeiro passem-mo na televisão.»
Eram outros tempos, claro. Mas o essencial mantém-se: prestar boas provas no rectângulo televisivo continua a ser o supremo teste de avaliação para quem queira desempenhar funções políticas.
O Presidente da República sabe isto melhor que ninguém: durante anos foi comentador televisivo. Usando os trunfos todos: aparecia em horário nobre, em sinal aberto, à hora do jantar. Como se fosse muito lá de casa, quase como um membro da família.
Sem partido disposto a dar-lhe projecção, sem cargo institucional que lhe concedesse notoriedade, o actual inquilino de Belém fez o tirocínio da candidatura a partir de um estúdio televisivo. Com o êxito que sabemos.
As próximas presidenciais ainda estão distantes, mas os longos percursos são feitos de pequenos passos. Esqueçam as redes sociais: as aparições televisivas continuam a ser a chave do sucesso na política. Daí a futura fornada de presumíveis candidatos à chefia do Estado ter começado já a marcar presença nos ecrãs. Alguns decalcam o modelo que Marcelo instituiu há duas décadas. Mesmo que digam o contrário, isto funciona como a prova do algodão: não engana.
Mas permanecer sentado a comentar o que outros fizeram ou disseram pode não bastar para novos patamares de exigência. Sobretudo em tempo de crescentes dificuldades, quando os portugueses esperam menos palavras e mais acção de quem se dispõe a dirigir o Estado.
É um contexto que favorece o aparecimento de novos protagonistas. E nem há que inventá-los: eles já andam aí. Aconteceu sábado passado em Alcabideche, no concelho de Cascais: o vice-almirante Gouveia e Melo recebeu vibrantes aplausos no pavilhão onde estavam a ser vacinados adolescentes. Foi um tributo público, aparentemente espontâneo, de pessoas comuns. Gratas pelo êxito no processo de vacinação. E também por verem gente competente em postos de comando.
Gouveia e Melo a quem o Expresso – jornal insuspeito de alimentar populismos – chamava em Junho “O almirante salva-vidas”, agradeceu a ovação, como se impunha. À noite, os telediários abriram com estas imagens. «Passem-mo na televisão», diria Salazar.
Marcelo, que domina os códigos televisivos como poucos, intuiu que havia ali alguém capaz de rivalizar com ele em protagonismo e apressou-se a reagir. Não por ciúme, mas pelo contrário: até lhe agradará incentivá-lo. No dia seguinte, pela manhã, acorreu ao mesmo local. Garantindo assim presença em nova ronda de telediários – desta vez à hora do almoço de domingo. A seu lado, o vice-almirante. Aliás recém-condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis. Onde? No Palácio de Belém.
Em política, nada acontece por acaso. Nada melhor do que a televisão para nos transmitir sinais. Só há que saber interpretá-los.
Texto publicado no semanário Novo

Almirante 10-0 ministério do Covid
ou uma ministra ao fundo mesmo com guarda-roupa renovado
Salazar […] respondia […] «Primeiro passem-mo na televisão.»
Não sabia que Salazar ligasse tanta importância à televisão. Que eu saiba, Salazar era um rural com algum desprezo por modernices como a televisão. Ademais, a televisão só surgiu lá muito para o fim do tempo de Salazar. Durante a maior parte do tempo de Salazar como Presidente do Conselho, não havia televisão a que ele pudesse dar importância.
Foi no tempo desse “rural” que a televisão apareceu em Portugal.
1956 experimental com Vera Lagoa
sou um rural e aconselho muito cuidado com eles
Mas quantos é que tinham televisão naquele tempo?
O Marcelo na década de 90 já fazia análise política na TSF e está no ultimo mandato presidencial .
Gouveia e Melo não parece ter qualquer interesse politico de ser Presidente da República.
Salazar já morreu.
Afinal qual é a preocupação ?
Ammazza la vecchia col flit
Tu deves ser la mosca
in oculum descansum est
Sim, talvez tenha razão. Todavia, transformar em um herói uma pessoa que na realidade revela grande capacidade de organização logística e concretização, mas ao serviço de uma teoria de vacinação que se tem revelado um fracasso em termos de saúde e de vidas não salvas, só revela que Marcelo, o Caetano, e Salazar tinham razão e sabiam que a malta gosta de paternalismo e de uns tabefes no traseiro.
Felizmente a produção de vinho não só tem aumentado como também tem melhorado. De 1/2 quartilho em 1/2 quartilho o povo alegra-se, bem como os que mamam umas bejecas.
O Vice anda por aí. Mas duvido que entre pela carreira política.
Mas o chavascal que se fez com o processo de vacinação dos jovens, por momentos pensei que tívessemos entrado em guerra e que estava a assistir a um processo de envio de jovens para a frente de combate. Só faltaram as mães chorosas, como aquando do envio forçado de jovens enfermeiros para o ultramar.
Espectáculo espectacular foi aquele congresso no fim de semana, isso sim polítika real a sério. A Marta, o Pedro Nuno, a Mariana, parecia um livro dos Cinco. Ou um daqueles filmes em que os herdeiros passam a noite na mansão assombrada mas o velho patriarca nunca mais se fina, e vai-se a ver ainda ter força suficiente para tratar da enfermeira. Ou enfermeiro.
Em nota de rodapé, o vetusto F. Ruas deu ontem um sinal do que a elite pensa disto tudo.
Tal como o vírus, já aqui temos um ensaio sobre o Vice-Almirante e tal já parecia e tal.
Estamos quase naquela: uma coisa é ele ser o coordenador, ’tá bem, tá bem, mas pôr tropas a fazer de civis não está lá muito bem. Aliás como o primeiro coordenador não deu conta do recado, só havia uma solução entregar o assunto à iniciativa privada.
Vale uma aposta, ou como diria o outro vale um carica.
Quando li o texto no NOVO, lembrei-me do Emídio Rangel que disse que com a televisão na mão, tanto pode eleger um presidente, como vender um sabonete. Nunca teve tão certo. Já lá está um entertainer, até temo o que virá a seguir.
É só para identificar o “anónimo”:
António Lamas
fiz marketing para multi gringa
«arte de vender MERDA com sabor a MERDA »
Se a ideia é meter o almirante na presidência em 2026 não será que começaram a vacinar os portugueses cedo demais?
Não, porque já é evidente que duas doses da vacina não bastam, vai ser necessário uma dose de reforço de seis em seis meses. Estimo portanto que o sr. almirante vá ter tempo de antena garantido até às próximas eleições presidenciais.
Como a atual estrutura de vacinação é capaz de injetar cem mil vacinas por dia, são necessários cerca de três meses para ela injetar uma dose de reforço em 85% dos portugueses. Como será necessária uma dose de reforço de 6 em 6 meses, temos que metade da estrutura de vacinação terá que estar em atividade permanente.
Isto vai dar emprego a muita gente durante muito tempo.
Não basta para o quê?
Já se percebeu que os contágios continuam, a diferença da vacina está no impacto para o vacinado.
Não basta para o quê?
Não basta para obter imunidade. Há estudos que mostram que, pelo menos para a vacina da Pfizer, passados seis meses a imunidade já é insuficiente, ou seja, a probabilidade de se contrair doença grave já é demasiadamente elevada para se poder considerar que o indivíduo está imunizado. Portanto, passados seis meses é preciso dar um reforço.
Para a vacina da AstraZeneca os resultados são um pouco melhores do que para a da Pfizer; embora a imunidadade inicial seja inferior, ela decai mais devagar, pelo que passados três meses a AstraZeneca já confere maior imunidade que a Pfizer. De qualquer forma, passados seis meses a imunidade conferida pela AstraZeneca também já é insuficiente.
Pode não bastar para proteger os vacinados mas é quanto basta para promover o almirante.
Não basta para o quê?
Não basta para dar suficiente dinheiro dos contribuintes às empresas farmacêuticas. Não basta para subsidiar de forma constante com dinheiro dos contribuintes o complexo farmacêutico-industrial e a investigação científica de ponta a ele associada.
Nos tempos que vão correndo temos Presidente da Republica?
Quanto ao sr. vice-almirante Gouveia e Melo, tendo já rejeitando a condição de herói, limitou-se a declarar que se sente muito honrado no cumprimento da missão que lhe foi atribuída.
“Uma Nação que precisa de heróis para se salvar não merece ser salva”
Já dizia o grande Millôr Fernandes.
Aquela do Salazar era para haver troca de piadas e quero lá saber do Vice-Almirante.
Então cá vai, ’tá bem que foi só pouco mais de uma década, anteriormente era pela Emissora Nacional.
E o Vice-Almirante ainda é o que está a dar, ainda vai levar até criar bicho.
Já estamos em Setembro e o Cabrita começa bem o mês.
Ainda não está em segredo de inquérito, mas parece não haver dúvidas que a lancha da GNR, que custou mais de oito milhões de euros aos contribuintes que se fartam de trabalhar, ficou atolada numa praia da Linha de Cascais por ter ido levar uma familiar do ministro à praia. E o pior foi ter abalroado um pequeno barco duma criança e agora não querem pagar o barquinho o miúdo.
“Gouveia e Melo a quem o Expresso – jornal insuspeito de alimentar populismos –”
Ahaha! até parece que o regime não é populista, é só olhar para o valor da dívida. Não foi feita sem a ajuda inestimável do Expresso.