DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José António Abreu: «Duas menos pouco da tarde. Caminho pela rua Júlio Dinis e não resisto ao aspecto da montra da Petúlia. Dizendo a mim mesmo que afinal não comi sobremesa ao almoço, entro e peço uma nata. Vou pelo passeio a comê-la quando me cruzo com uma rapariga preenchendo um vestido curto e decotado da forma mais adequada que é possível imaginar. Tem pernas longas, cabelo escuro e não parece possuir um grama de gordura fora daqueles dois locais onde ela, simetricamente distribuída, até fica bem. Como eu, vem a comer. Mas não uma nata; uma maçã. De repente, sinto-me tão consciente das minhas falhas….»

 

Rui Rocha: «Vitor Gaspar começa a fazer-me lembrar o saudoso (livra) Hélder Postiga. Preparado tecnicamente, trabalhador, esforçado. O problema é a relação com a baliza. Que, nas contas do Estado, terá o seu equivalente no corte da despesa e nas reformas estruturais. Postiga precisava de não sei quantas oportunidades para marcar um golo quando o Jardel fazia anos. Gaspar já vai em três conferências de imprensa sem cortar nada que se veja. No futebol, driblar, passar, pressionar e desmarcar-se são sempre muito importantes. Mas, aquilo de que o povo gosta mesmo é de golos na baliza do adversário. No que diz respeito às contas do Estado é também assim.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «António José Seguro perguntou quem vai pagar o buraco orçamental da Madeira. Então o líder do PS não sabe? O senhor primeiro-ministro, que se prepara para ir a Funchal apelar ao voto, deveria desde já anunciar que essa dívida será paga por todos os residentes na Região Autónoma. Se houvesse justiça isso é que seria equilibrado, já que foram eles, os eleitores locais, quem ao longo de mais de três décadas andou a mamar da poncha.»

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