
Os lugares e monumentos, testemunhas do passado e da História, moldaram o povo que somos hoje.
Falo, como já certamente repararam, daquele casarão amarelo torrado à esquerda. Ali começou Jorge Mendes a sua carreira de agente futebolístico, quando, ao explorar a discoteca Alfândega, conheceu o jovem guarda-redes Nuno Espírito Santo, que, entre investidas nos bares da Rua Direita e farto dos humores de Pimenta Machado, queria mudar de ares. Mendes tratou de tudo, levou-o num processo turbulento de Guimarães para o Deportivo da Corunha e mais tarde para o Porto, e ainda hoje Nuno, agora treinador do Wolverhampton, é representado por ele. Não fosse esse encontro e as carreiras de Cristiano Ronaldo, Mourinho, Di Maria, James Rodriguez e tantos outros seriam provavelmente diferentes.
Já agora, na casa em ruínas à esquerda, em baixo, nasceu o “Presidente-Rei” Sidónio Paes, uma das figuras mais marcantes da 1ª república. Deixou como legado à terra que o viu nascer um bolo de amêndoa e ovos que é altamente aconselhável.
Não interessa nada, mas a meio, entre a Rua Direita, a torre do relógio e a muralha em frente ao rio vemos a matriz de Caminha, do séc. XV, um dos mais belos edifícios religiosos em Portugal, com o seu exterior gótico e, dentro, um tecto de madeira em estilo mudéjar, com inúmeros motivos marinhos.

Caminha está cheia de histórias algumas das quais muito sectorizadas e que não são História.
Mas dão para boas histórias.
No google maps aquilo a que você chama igreja matriz vem marcado como sendo um albergue de peregrinos. E aquilo a que você chama Rua Direita vem designado como Avenida de Camões.
Então o google terá de rever as suas localizações. O albergue de peregrinos é numa parte mais recuada da vila, perto do jardim público. A rua Direita é ali mesmo.
A igreja matriz de Caminha está virada para o rio (que do lado oposto não tem casas nenhumas, é sapal) e de costas para a vila?! Curiosa orientação…
De costas ou de lado, consoante a posição. É quase tanto uma fortaleza como um templo.
Segundo a wikipedia, Jorge Mendes conheceu Nuno Espírito Santo num bar em Guimarães, e não em Caminha.
Parece-me peculiar que Jorge Mendes, que nasceu em Lisboa, explorasse um bar em Caminha.
Tãopeculiar seria em Guimarães como em Caminha. Só que Mendes já estava estabelecido no Alto Minho havia alguns anos. Já tinha explorado um clube de video em Viana, depois virou-se para a noite, com a concessão da Alfândega, e na altura começava a pensar em tornar-se agente desportivo. E começou com Nuno.
Sem excessiva dificuldade, o João Pedro Pimenta pode, em Leça do Balio, tirar uma fotografia que tenha o mosteiro (do século 12) em primeiro plano e a fábrica da União Cervejeira ao fundo. Pode depois discorrer sobre a importância histórica e social da Super Bock.
Faça isso o caro Balio. Fico a espera de saber se o patrocinador e bebida exclusiva do casamento de D. Fernando com Leonor Telles era a Superbock.
Parece-me mais românico que gótico.
lucklucky
Aparenta uns traços, sim, como tem de outros, mas já a constroem em pleno período gótico, e tardio (séc. XV).
Sim. Tem bastantes parecenças com a igreja do mosteiro de Leça do Balio, que é do século 14 e mais claramente românica. E muito maior que a igreja de Caminha, claro.
Parafraseando, ” Da Ironia como uma das Belas-Artes”…
JSP
Podiam até considerá-la a décima arte, se esse lugar não estiver ocupado, ou então como sub-gênero da literatura.
Belíssima, a Matriz de Caminha. Recordo o tecto mudéjar, a Capela dos Mareantes e uma árvore de Jessé (apenas conheço outra em Estremoz).
Já contei aqui que uma velhinha simpática abriu a igreja para eu a poder visitar, e isso era raro acontecer: tive sorte 🙂
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Maria
Está-me a dar uma novidade quanto à árvore de Jessé, Maria. Ainda bem que a pôde conhecer por dentro. Vale realmente a visita, além de ser um templo enorme (talvez maior que a sé de Viana, de que é contemporânea).