A temporada 2013/14 ainda não chegou ao fim mas há um balanço que já pode começar a ser feito: o das pérolas de Joaquim Rita, verdadeiramente inconfundíveis.
Só ele poderia ter dito coisas como estas (e disse-as mesmo):
27 de Julho de 2013:
«É inevitável a saída de Rui Patrício.»
«Jefferson não é um lateral de grande qualidade defensiva.»
«Não me parece que Maurício esteja condenado a ser titular nesta equipa do Sporting.»
17 de Agosto de 2013:
«No meu entender, o Sporting não será capaz de se intrometer na discussão com o Benfica e o FC Porto mas poderá esbracejar com o Braga na luta pelo terceiro lugar.»
14 de Dezembro de 2013:
«Há uma realidade com a qual o Sporting ainda não conviveu: este ano praticamente ainda não choveu, os campos ainda não estão pesados. Falta ver qual a forma como o Sporting vai reagir em terrenos diferentes, em terrenos ensopados.»
Enfim, um verdadeiro poço de argúcia. Mas ainda muito longe, valha a verdade, de atingir o estatuto dessa figura quase mítica do comentário ludopédico nacional que se chama Gabriel Alves. Que ficou célebre, entre inúmeras outras frases, por dizer algo como isto: “Um passe para a zona de ninguém… onde realmente não estava ninguém.” Ou como isto, aludindo a Jean-Pierre Papin: “Um jogador extremamente rápido, veloz, lesto, nada lento, antes pelo contrário.” Ou ainda esta: “O Benfica está a praticar um jogo de passe curto… e longo, consoante as ocasiões.”
O que diria GA de JR? Que é lento, nada lesto. Diria mesmo que é longuicurto. Esbraceja como pode, consoante as ocasiões, mesmo em terrenos ensopados. Intromete-se em qualquer discussão com a mão que tem mais ao pé ou vice-versa. Está condenado a ser titular na pantalha mesmo sem grande qualidade ofensiva ou defensiva, antes pelo contrário.
E passa o verbo para a zona de ninguém como nenhum outro.
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