As pessoas deixam rasto. Os animais sabem-no bem. Os animais e as mães. As boxers que ficaram esquecidas na roupa suja, a caneca ainda com um resto de leite, a cama desfeita, o rasto morno da ausência sente-se no ar.
O som dos passos e da voz, que é a brisa do corpo, o doce marulhar que assinala a presença de gente que se ama, quando desaparecem alteram o sentido das coisas. O quarto desarrumado, antes cheio e vibrante passa a ter apenas destroços, farrapos de objectos sem utilidade, ao passo que as não-coisas ganham importância: o lugar onde esteve a mala, o lugar onde se sentou, o sítio que…
As memórias, essas horrorosas que servem para tapar os buracos da existência, vão saindo do armário ordenadas, à medida que o tempo avança depois de uma despedida. Aos poucos ocupam os seus lugares, substituindo o real pelo imaginário e um filho passa a ser o que é durante quase todos os dias do ano: o retrato de um filho, ou a imagem via skype de um filho. Algo assim. Inodoro, intangível, pixelizado. De palpável fica aquela dor enquistada e a inveja das famílias que crescem juntas, que podem dar-se ao luxo de crescerem juntas.

![emigrar-660x330[1].jpg emigrar-660x330[1].jpg](http://7.fotos.web.sapo.io/i/P7b11c4d3/18607766_IWvYM.jpeg)
” Os boxeurs que ficaram esquecidos na roupa suja”
Perdão ?
Já emendei. Que distracção mais parva! Obrigada.
O importante dos erros é corrigi-los. Errar todos erramos…
Só algo mais: Eu escreveria “As Boxers” de “As (cuecas) Boxers”.
Obrigado por soltar a Edite Estrela que há em mim…
😛
Tem toda a razão, Edite. Perdão, Desconhecido 🙂
Isto é um post de uma mãe que está longe do seu filho e que, por mais que se habitue à sua ausência e assuma a sua presença de outra forma, não consegue não sofrer. Para aqueles que têm os seus filhos sempre em casa, um alerta: dêem valor a isso.
E é sobre isto, apenas. que raio de interesse têm os boxers do filho mal escritos?????
“Para aqueles que têm os seus filhos sempre em casa, um alerta: dêem valor a isso.”: Resolva isso, que é o realmente importante. Do resto está a perder o seu tempo, é apenas uma correcção de Português a um Post num Blog…
Sim, eu percebi. Mas disparatada do meu ponto de vista, atento o tema.
E não, o meu filho não está fora de casa Graças a Deus.
Não foi por isso que escrevi o que escrevi.
Tiro ao lado.
O que eu quis dizer foi que se alguém escreve sobre uma coisa dolorosa para ela não se deve comentar a substância chamando a atenção para lapsos/erros de forma. Não tem mal, mas é deselegante.
As simple as that.
Obrigada, Anónimo, pelo carinho. Mas o Desconhecido Alfacinha fez bem em chamar-me a atenção. Permitiu-me emendar logo um dos erros, por sinal bem ridículo.
É mesmo um luxo, Teresa.
Pois, sei isso bem demais 🙁
Beijo, Teresa. É por estas e por outras que nunca poderei perdoar aos ‘coisos’ que nos (des)governam.