Longe da praia, perto da penúria


Pedro Correia,

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Dois meses depois das legislativas, o Governo de coligação entre a esquerda radical e a direita xenófoba em Atenas não solucionou um só dos problemas existentes e agravou-os todos.

A corrida aos depósitos já fez desaparecer 20 mil milhões de euros da banca helénica, as reservas financeiras estão abaixo dos dramáticos níveis históricos registados em Junho de 2012 e os  gastos militares permanecem intocáveis, correspondendo a 2,5% do PIB grego, no país europeu da NATO que cativa maior percentagem do seu orçamento às despesas com a defesa.

Sem acesso a financiamento nos mercados internacionais, só mais um auxílio de emergência dos parceiros europeus – designadamente da Alemanha, alvo preferencial da retórica do primeiro-ministro Tsipras e do seu parceiro de coligação, Panos Kammenos  – poderá levar a  coligação esquerdo-direitista a satisfazer compromissos imediatos, como o pagamento de salários, pensões e restantes prestações sociais.

Numa linguagem nua e crua, o Financial Times vai direito ao assunto: “O Governo grego está a ficar rapidamente sem dinheiro.” Prevê-se um mês de Abril muito turbulento na península helénica. O tempo urge. E nenhum vestígio de praia se vislumbra sob as pedras da calçada.

0 comentários em “Longe da praia, perto da penúria”

  1. Vai tudo passar-se como previu o Marocas. Só os peixes é que vão deixar de nadar na Av. da Liberade.

    «Na crónica habitual que escreve no Diário de Notícias, o fundador do PS diz que teve uma “grande alegria” com a vitória do “amigo” Alexis Tsipras, que, considera, “não só muda a Grécia como vai ter um grande impacto na União Europeia”. Soares chegou a estar com Tsipras num comício no Norte da campanha do Bloco de Esquerda, durante a campanha das europeias, deixando mágoa no PS então liderado por Seguro.

    A mudança, para Mário Soares, já começou na quinta-feira com o anúncio da “bazuca” de Mário Draghi: A “União Europeia está a mudar” e a direita tem, consequentemente, de mudar, de forma a travar “as políticas que tem vindo a seguir e, obviamente, a austeridade, que tantos malefícios têm provocado”.

    Nesse sentido, o antigo Presidente da República deixou uma mensagem de esperança: “Tenhamos, pois, como sempre disse, esperança, porque melhores tempos virão. Inevitavelmente”, acredita Soares.»

    (Observador)

    1. Não esquecer o Inverno terrível, e a subida dos mares? Mas Obama baixou o preço
      do petróleo o que ajuda o Maduro dos passarinhos.Há esperança.

      1. Obama baixou o preço do petróleo e fez subir as marés. E aumentou a temperatura ambiental, o que lhe valeu o Nobel da Paz com a bênção do Papa Francisco. Até o passarinho do Maduro ficou verde de inveja.

    1. Essa é uma pergunta que os eleitores gregos não tardarão a fazer a Tsipras, José Manuel. Porque o elegeram para resolver o problemas, não para agravá-los.
      É demasiado fácil – e totalmente irresponsável – fazer promessas eleitorais com o dinheiro dos outros. Talvez por isso nenhuma promessa feita pelo Syriza na campanha eleitoral esteja a ser concretizada. Não me lembro de uma só.
      A Grécia tem um PIB equivalente a 2% do PIB europeu. E a democracia não acaba na Grécia: envolve toda a Europa. Incluindo os milhões de europeus que não querem continuar a contribuir para os cofres helénicos. São mais, muitos mais, do que os 11 milhões de habitantes da Grécia.

  2. O governo grego está a ficar sem dinheiro porque a solidária, UE, tudo faz, para bloquear o governo grego. Não vamos querer que um governo em dois meses faça e desfaça tudo aquilo que os outros não fizeram em anos. Ou somos solidários uns com os outros ou é melhor acabar com a hipocrisia que é está UE que de união nada tem.

      1. Não! Os gregos e os portugueses estão como estão, por culpa de quem os governou e nos governa. Eu e o Pedro, não somos nada neste imbróglio.

          1. Somos responsáveis, não somos é responsáveis, por sermos enganados por esses governos. Em campanha dizem uma coisa e eleitos fazem o oposto.

          2. Você acaba de chegar ao ponto onde eu comecei. Por isso considero inaceitável fazer promessas eleitorais com o dinheiro que não há – isto é, com o dinheiro dos outros.
            Foi o que o Syriza fez. Por isso não concretizou nenhuma promessa até agora. Nem concretizará. Porque o programa que foi sufragado nas urnas é um programa que não depende da Grécia, que tem os cofres vazios, mas da vontade dos credores. E dos restantes povos europeus que desde 2010 financiam Atenas e parecem pouco ou nada dispostos a continuar a injectar ali o dinheiro dos seus impostos.

          3. Estamos ou não numa UE? Foi o syriza que gastou, desbaratou e estafou o que não tinham? A Alemanha quando destruiu tudo e todos, também não tinha dinheiro e foi o dinheiro dos outros que lhes valeu e agora não vale a mesma regra, porquê?
            O dinheiro dos impostos em todas a democracias não é para pagar dívidas, mas para pagar reformas, educação, saúde, justiça e a nossa defesa. Quando nós que estamos numa situação, igual ou parecida e reagimos assim, não vale a pena dizermos mais nada. Temos aquilo que merecemos.

          4. O Governo de coligação esquerda radical + direita radical em Atenas precisa de dinheiro como de pão para a boca. Pode portanto começar por cortar as despesas militares. A Grécia é o país da NATO (excluindo os EUA) que reserva maior fatia orçamental para as forças armadas: cerca de 2,5% da verba pública anual.
            Se cortassem dois textos do que gastam actualmente nisto poupariam 2,9 mil milhões de euros por ano. O suficiente para acudir às 300 mil famílias gregas mais carenciadas com um programa social de emergência sem precisarem de estender a mão à caridade internacional.

          5. Claro que podem cortar, temos é de lhes dar tempo porque não podem fazer tudo em simultâneo. O tempo não estica e por muito que todos nós queiramos, ainda não houve tempo. Tal como eles, também nós precisamos de dinheiro como de pão para a boca. É tempo de deixarmos de bater nos gregos porque não somos muito diferentes deles. Também somos fracos, andamos é um pouco esquecidos dessa fraqueza.

          6. Também podem cortar deputados: com uma população em número idêntico ao de Portugal, a Grécia tem mais 70 parlamentares que nós (trezentos).
            http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=646404&page=-1

            E já agora reduzam os salários dos deputados, muito superiores aos portugueses: ganham cerca de dez mil euros mensais, parte do qual fica isenta de imposto.
            Além disso têm:
            – Direito a automóvel de função (300, um por cada deputado)
            – Viagens grátis
            – Alojamento grátis em hotéis
            – Direito a pensão aos 65 anos com apenas quatro anos de actividade parlamentar, acumulável com salário

            Há dois mil funcionários no Parlamento de Atenas, com direito a 16 salários anuais.

            Aqui estão várias coisas que o Governo pode cortar. Já.

            http://annatriandafyllidou.com/austerity-in-the-greek-parliament/

          7. Podem cortar tudo isso, assim como nós. Não somos exemplo para ninguém, mas se vamos por aí porque não seguirmos o exemplo dos países escandinavos? Afinal quem fez todas essas aberrações não foi o Syrisa, foram os outros, aqueles da mesma família dos nossos e agora, dum momento para o outro, têm de fazer tudo. Muito gostamos de apontar o dedo aos outros quando não somos exemplo para nada nem ninguém! Parece que nos esquecemos que com tantos sacrifícios apenas pagámos juros e a dívida aumentou.

          8. Você é fraco, ponto final.
            Portanto fale por si e deixe-se de generalizações abusivas e cobardes que nem eu nem os meus filhos somos do “seu clube”.

            Eu trabalhei no Japão no fim dos anos 70 e todos os meus filhos já estiveram emigrados, ainda ninguém emigrava em 1995/96 e eu já tinha dois dos meus
            filhos a fazer pela vida lá fora (hoje estão cá, sabem mais a dormir que V. parece saber acordado dado que V. só se “chora” e eu nunca os vi “chorarem-se”, é tempo perdido para a luta).

            Com esta só confirmou o que eu já pensava de quem anda nestas conversas de chacha, é malta que está em pânico que um belo dia o vencimento ou a reforma não lhes caia ali certinha no dia certo porque lhes falhou a “solidariedade”…

            Mas mexerem o cúzinho para alterarem a vidinha tá quieto…

    1. O “Anónimo” não é tão anónimo como isso porque é o nosso caro colega comentador “João”, o único que consegue pôr 3 vírgulas numa frase que não
      leva nenhuma, incluíndo um notável “tour de force” que é a UE entre 2 vírgulas!

      Mas focando-nos no tema.
      Tem V. medo de quê?
      De que a seguir a UE deixe de ser solidária connosco?
      E deixando de ser solidária connosco V. é um daqueles que ficam com uma mão atrás e a outra à frente?

      Olhe que hoje já fiz 350 kms e me confrontei com situações complicadas de quem luta pela sobrevivência de empresas e ideias sem estar à espera da “solidariedade” de ninguém.
      E muito menos da “solidariedade” destas gentes que se acham não sei o quê porque estão estão muito preocupadas com alguém algures na Grécia e se estão totalmente cagando para compatriotas que se calhar até lhes estão a “pagar” a
      reforma ou outra coisa qualquer.

        1. Pois se não é o João imita-o na perfeição ainda que esta palavra – perfeição – soe mal aqui…

          Aproveito a ocasião para dizer que, ao contrário de muitos que andam por aqui, nada tenho contra os “Anónimos” pois no fundo a maior parte de nós o são, assinar “anónimo” ou “Manuel isto”, “José aquilo” ou “rmg” pode parecer quase igual.

          E digo pode parecer por 2 razões.
          A 1ª é que eu assino sempre assim e em toda a parte, o que permite
          confirmar ou infirmar a coerência ou não coerência do que escrevo no DO ou noutros blogs para os que se interessam por essas coisas.
          A 2ª é que procurei conhecer pessoalmente desde o princípio alguns autores e outros comentadores, o que faz que haja pela blogosfera quem me tenha ouvido estas e outras opiniões cara-a-cara, estou identificado.

          Quanto às vírgulas ponha lá as que quiser.
          Mas noto que, como é habitual em quem diz coisas “bonitinhas de modo inflamado” só porque acha que lhe fica bem dizê-las (mas nem sabe bem porquê), não ligou a ponta de um corno ao essencial do meu comentário ao seu.

          No entanto é habitual que quem não mexe uma palha para ser solidário na “vida real” venha para as caixas de comentários limpar a consciência.
          E a Grécia é o caso ideal porque se puseram na posição de coitadinhos e de vítimas tanto do agrado de pessoas que acham sempre que a culpa é dos outros.

          Ora acontece que eu nunca acho que a culpa é dos outros, muitíssimo em especial quando esses “outros” são Estados, entidades abstractas constituídas por milhões de pessoas, cada uma com os seus pequenos e grandes interesses e onde A acha bem ajudar os gregos e explica porquê e B acha mal ajudar os gregos e explica porquê.
          Tendo qualquer deles argumentos respeitáveis não terá um deles necessáriamente mais razão que o outro.

          E admito que muito me irritam as pessoas que estão sempre muito preocupadas da boca para fora (ou no teclado) com a Humanidade, porque sabem que não vão ter que fazer nada, mas normalmente se estão a borrifar para mulheres e homens concretos que até conhecem, porque aí corriam o risco de terem mesmo que se mexer.

          A UE não bloqueia o governo grego, a UE bloqueia o dinheiro de uma quantidade de contribuíntes de uma série de países, dinheiro esse que eles não dizem como vão gastar (e que por acaso faz falta em alguns países que precisam mais de ajuda que eles).
          Assim que eles disserem e desde que não se proponham gastar em “putas e vinho verde” (uma imagem, claro!) recebem a massa.

          Se não disserem podem fazer o que quiserem, ninguém os bloqueia desde que seja com o dinheiro deles.
          Simples, não é?

          Eu também não o bloqueio a si no uso que faz das vírgulas, são suas.
          Até podia juntar umas no fim da frase para outros leitores as espalharem ao gosto de cada um.
          Se as vírgulas fossem minhas não as levava para aquela frase de certeza.

          Uma boa noite para si

          PS- Muito agradeço a classificação de “Genial” , foi muito simpático da sua parte mas acho que exagerou!

  3. Como os gregos jamais pagarão seja o que for, são historicamente irresponsáveis e com problemas que não têm nada a ver connosco, devemos estar sempre longe deles.
    Se lucrarmos com o “jogo” deles óptimo, mas sempre longe daqueles zorbas loucos.
    O mal está no Euro e nos Alemães.
    Nem Inglaterra, nem Rússia nem USA querem uma Alemanha a ganhar esta Grande Guerra, e a Grécia está a fazer jogo múltiplo.
    Ainda o Viriato não falava latim, já Ulisses tocava piano e falava grego.

  4. Pedro Correia, os alemães atraem inimigos, muitos inimigos.

    Inveja? Ódio? Medo? Raiva? Alergia? talvez seja isto tudo que os alemães provocam, quer aos russos, aos ingleses, a alguns franceses, aos americanos e “provavelmente” a judeus.

    Agora se a Le Pen faz o jogo do Tsypras, isso não sei.

    Pela nossa parte, deviamos ser como reagia o meu ídolo, “contas com o jorge e jorge na rua”, não nos devemos fiar em ninguém.

    Ou seja «puta só, ladrão só», como quem diz, «antes só que mal acompanhado» que se pode traduzir pelo «orgulhosamente sós»

    Hay momentos!

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