The Ballad of John and Yoko (uma edição da Apple de 1969) acaba por ser uma ironia, quando se observa o destino que estava reservado aos ‘Fab Four’: há 40 anos, a nova relação de John Lennon com Yoko Ono (de que resultara a ruptura entre John e Cynthia Lennon) começou a minar o relacionamento entre os quatro.
A omnipresença dela constrastava com a regra que eles tinham imposto: manter espaços totalmente reservados em torno das suas criações e respectivo trabalho. Nem as pessoas que lhes eram mais próximas, nem o próprio manager, por exemplo, invadiam os estúdios em que eles estivessem a ensaiar e a gravar. Quando Yoko passou a acompanhar John a todos os lugares, o que incluiu ensaios e gravações dos Beatles – ocasiões em que até se sentia autorizada a dar "palpites" – o incómodo tornou-se óbvio e depressa deu origem a discussões cada vez mais agudas.
Activista da paz e dos direitos humanos, Yoko Ono foi um desacato e marcou irremediavelmente o que até então ainda mantinha o quarteto. Porém, antes disso, o grupo editou a Ballad of John and Yoko – um tema que se transformou realmente numa ironia.



Yoko foi o detonador imediato, mas o desgaste nos Beatles era evidente já muito de trás, compadre. Salvo erro desde o momento em que deram o último concerto ao vivo, em São Francisco (1966). Ou talvez ainda antes, na trumática digressão às Filipinas. Viviam enclausurados em quartos de hotel, sem o mínimo de privacidade. Até o George Harrison, que sempre cultivou a privacidade, já tinha ameaçado sair, farto da histeria colectiva que o fenómeno Beatles gerava. Como dizia o George Martin, o espantoso não foi eles terem-se separado em 1970. O espantoso foi terem aguentado passar dez anos juntos.
É verdade, compadre. Em 1969, Yoko serviu para chamar a atenção ao público menos atento e menos a par do desgaste entre eles. Mas o curioso é que se submeteram à vontade do John e gravaram este tema. Uma decisão que deve ter custado os olhos da cara aos outros três.
João também quero dar a minha contribuição para esta série que é par mim muito estimada, penso que, na resenha da história sobre a gravação, também se pode encontrar alguma ironia…
À volta desse “tema”, o lado A do “single”, há uma história interessante. John e Yoko tinham decidido casar e o desejo dos dois é que tivesse sido no mar a bordo de um navio, saindo de Southampton, Inglaterra, que cruzaria o Atlântico , mas devido a vários contratempos acabou por ser em Gilbraltar no dia 20 de março de 1969. De seguida a da lua-de-mel que acabou por ser o que ficou conhecido por – “Bed-in”- uma semana de protestos protagonizada pelo casal no hotel Amsterdam Hilton, na Holanda . Durante esses sete dias na cama, o casal convidou várias figuras de conhecimento público para visitá-los, entretanto a imprensa já tinha sido convocada para anunciar o “evento” e, pelo que se conta, produziu efeito… UL1055934-7085,00-HOTEL+DE+AMSTERDA+CELE BRA+OS+ANOS+DO+BEDIN+FOR+PEACE+DE+LENNON+E+Y OKO+ONO.html
De regresso John trás o tema da canção já praticamente pronto, havia só que completar a letra que relata de certa maneira essa experiência, pede ajuda a Paul e convence-o a gravar sozinho com ele em estúdio, os outros dois Beatles estavam ausentes, indisponíveis. A Canção é gravada em tempo recorde, única sessão de 8 horas de trabalho, com os dois a tocarem todos os instrumentos, John Lennon: voz, violão, guitarra, pandeiro, Paul MacCartney: voz, baixo, piano, bateria e maracas.
John, vá lá saber-se porquê, estava com muita pressa;))
O lado B do Single: “Old Brown Shoe” de George Harrison
Uma nota curiosa: “Hotel de Amsterdã celebra os 40 anos do ‘Bed-in for peace’ de Lennon e Yoko Ono -O inusitado e polêmico protesto de John Lennon e Yoko Ono “Bed-in for Peace” (“Na cama pela paz”) voltou, 40 anos depois, a Amsterdã. O quarto do hotel onde o ato ocorreu foi aberto para exposição, e várias mostras recria seu espírito pacifista.”
Aqui: http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,M
Boa pesquisa e desenvolvido complemento, Maria. Como sempre.