Liu Xiaobo


Sérgio de Almeida Correia,

A escolha de Liu Xiaobo pela academia sueca do Nobel para Prémio Nobel da Paz é uma boa notícia. O facto de ter sido uma opção unânime só acentua a justeza da escolha.

Escritor, comentador político e activista dos direitos humanos num país onde qualquer actividade política que fuja aos cânones dos senhores do partido é vista como uma ameaça ao regime, o galardoado tem tido uma vida em que tão depressa está atrás das grades como logo a seguir é libertado sem que se compreendam as razões para um e outro acto por parte das autoridades chinesas.

A atribuição do prémio constitui um desafio ao novo império do meio, incapaz de fazer acompanhar a modernização económica de uma abertura política mínima, mas é também a garantia de que a luta daqueles que tombaram em Tiananmen defendendo o direito à opinião e à livre expressão do pensamento não será esquecida.

A repressão poder-se-á acentuar a partir deste momento, mas a alma dos povos que constituem a grande nação chinesa sairá fortalecida. 

4 comentários em “Liu Xiaobo”

  1. Excelente notícia, Sérgio. Ontem soube do Nobel da Literatura ao Vargas Llosa pelo André, agora sei esta por ti. Um Nobel da Paz muito mais merecido do que o atribuído ao Obama no ano passado.

  2. Aplaudo a coragem da Noruega, numa época em que a China parece dominar todo o mundo. Mas a verdade é que a modernização (leia-se ocidentalização, porque é do que se trata em termos económicos e sociais) tem o seu preço, e essa modernização tem de ter em conta os direitos humanos. O império do meio devia saber isso, em vez de ameaçar os países que lhe apontam o dedo com toda a razão.

  3. O recado à China é óbvio – ser uma potência económica e militar; gozar de um estatuto de grande peso no contexto das relações internacionais; implica assumir algumas responsabilidades.
    Chegou a hora de as assumir.
    E de parar com o discurso estafado da ingerência nos assuntos internos.

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