«No tempo do Dr. Pinto Monteiro, quem tinha processos mediáticos, como regra, acabava com um processo disciplinar», afirma. «Com este tipo de atitude não havia grande incentivo para investigar pessoas poderosas.»
António Ventinhas, presidente do sindicato do Ministério Público. Noutros tempos – desculpem-me o trocadilho primário -, iam-lhe às ventinhas.

Mas agora a senhora PGR é mulher para ter comandado a polícia nas investigações ao amigo do amigo, pelo menos é o que diz o dr Soares nos intervalos das sestas.
O Dr. Soares é bem capaz de, ao longo do tempo, também ter feito parte de algumas listas VIP.
No tempo do que ficou conhecido como o Grande Arquivador, um livro sobre ele relatando, com documentos, factos gravíssimos não fez a PGr mexer uma palha…
Senhor José António Abreu:
Fiquei sem perceber se considera as listas VIP são boas ou más.
A única coisa que percebi foi que tenta desculpar a presente lista com a existência da anterior.
Portanto, qualquer ladrão hoje pode roubar à vontade porque já houve muitos ladrões antes.
Percebi bem?
Então eu esclareço: considero-as más. E, no caso do fisco, acho que deviam ser desnecessárias – deviam existir mecanismos de defesa no acesso a dados de todos os contribuintes (bastaria talvez a necessidade de todos os acessos ficarem identificados e de ser necessário justificá-los com dados objectivos, sem os quais poderia haver lugar a processo disciplinar e despedimento). Ainda assim, não comparo a gravidade de tentar proteger alguns cidadãos particularmente expostos à curiosidade – e malevolência – alheias (políticos, juízes, estrelas da televisão e do futebol, etc.), mesmo que tal interesse tenha nascido de uma tentativa de proteger o primeiro-ministro, com destruir provas de crimes e perseguir procuradores que os investigavam.
Senhor JAA:
O senhor devia requisitar apoio psicológico, sei lá, talvez psicanalítico.
Nunca consegue defender as suas opiniões a partir de argumentos internos às mesmas.
É sempre por comparação com o (pior) que outros fizeram.
O Sócrates está de cana, pelos indícios da coisa irá lá estar uns bons aninhos, mesmo que tenham que o soltar, entretanto, por uns mesitos.
E se se provar as acusações, oxalá que fique a descansar, de facto, pelo tempo merecido.
Está a contas com quem deve estar.
Fale do presente, que também não é lá muito edificante.
Aliás, a lista VIP (limitada) parece que era para proteger alguém da Tecnoforma, outra forma de corrupção, ou não concorda?
A corrupção mede-se pelo padrão da gravidade (quantidade) e pelo da ética, do ponto de vista da ética, a corrupção é toda igual: a ética é muito democrática.
Não há psicanalista que me suporte.
Se não entendeu à primeira: acho mal que se tenha procurado proteger Passos Coelho, mesmo que o problema subjacente exista e deva ser atacado. Se se provar que o secretário de Estado deu indicações para a constituição da lista, deveria demitir-se.
Quanto a falar do presente. Eu sei que convinha passar um pano branco – e quiçá piedoso – sobre o passado mas, em quase todas as suas manifestações – incluindo a corrupção e a tentativa de proteger os políticos -, o presente só é o que é porque o passado foi o que foi (vergonhoso, aberrante, criminoso). De resto, certos hábitos, depois de criados, são difíceis de eliminar. Mas – sim, vou continuar a fazer comparações – esta latrina cheira actualmente, e apesar de tudo, bastante menos mal do que nos tempos do preso 44.
Recomenda algum psicanalista baratinho?
Senhor JAA:
Os psicanalistas baratinhos ainda terão menos paciência para o aturar, e o senhor é de ideias bem fixas.
Desde que se fale do passado para encobrir o presente (dos nossos amigos, que chatice falar-se destas coisas aborrecidas de listas VIP e Tecnoformas, ainda por cima sem sabermos se são verdade: se fossem com os outros, os nossos inimigos, não só eram verdade como já estavam provadas mesmo antes da Justiça o fazer), portanto, desde que se fale do passado tudo esté bem.
Enquanto não sairmos deste maniqueísmo paroquial não encontraremos um rumo decente para o nosso país.
Mudei de ideias (ainda diz que elas são fixas). Consultar um psicanalista parecer-me-ia uma traição a Nabokov.
Quatro nomes fazem uma lista vip, ou a Visão anda a enganar descaradamente quem ainda a compra, porque o PS precisa da demissão do secretário de estado para poder berrar que “o governo se está a desmoronar”?
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?c ontent_id=4476079
O problema nestas coisas é que, ainda que a verdade possa ser condenável, o ruído acaba quase sempre por se lhe sobrepor, dificultando qualquer debate sério, a definição de medidas correctivas – neste caso, destinadas a proteger todos os contribuintes da curiosidade alheia (não é inconcebível que um funcionário do fisco espreite a situação de um vizinho de quem não gosta) – e até uma punição adequada para quem a mereça.
Se calhar, mais importante do que uns continuarem a chafurdar na merda e outros taparem o nariz para poderem apregoar aos sete ventos que não cheira mal, seria discutir estes números.
Se calhar sou eu a delirar.
É destes números que nós vivemos, não das listas VIP.
Embora sejam importantes, apenas na medida em que nos mostram a fibra de que é feito quem nos anda (e tem andado desde há muitos anos) a desgovernar.
Post «Perguntas ao BdP», por Rita I. Carreira, em: http://destrezadasduvidas.blogspot.pt/
Discutir economia a sério? Está a brincar, não está? 🙂
Eu também tenho reservas em relação ao crescimento e, em particular, ao facto de parecer ir basear-se na recuperação do consumo. Ainda assim, convenhamos que existe agora alguma margem (pequena) para o suportar. Se a situação é sustentável ou não, para mais com as reformas que ainda estão por fazer, é outra história. Mas já nada de significativo – para além da privatização da TAP e da concessão do serviço de algumas empresas de transportes a privados – acontecerá antes das eleições (enfim, considerando que perder tempo não é significativo). Quanto aos números para as exportações avançados pelo BdP, veremos. Parecem optimistas mas dependerá muito da evolução da situação internacional. Há muitas empresas – e não apenas de grande dimensão – que esperam de facto aumentá-las significativamente.
Só mais uma coisa: chamar a atenção para o facto de um primeiro-ministro ter durante anos manietado o sistema judicial não me parece uma questão menor.
Há muito tempo que já foi demonstrado que o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público é politicamente motivado. Não é um verdadeiro sindicato, é uma força política.
Todos os sindicatos são forças políticas. A maioria não simpatiza propriamente com este governo.
Peço desculpa:
“Todos os sindicatos são forças politicas…”
O dos professores e dos médicos. Não!
Penitencio-me pela generalização. 🙂
Sarcasmo amendes?
Sarcasmo? jamais!
Acrescento: Sindicato dos Transportes Públicos ( Metro à cabeça) e um tal do Funcionalismo Público.
Todos os sindicatos são forças políticas.
Falso. Há muitos sindicatos (de um dos quais sou membro) que têm uma história, já com décadas, de total independência face tanto às forças políticas como às centrais sindicais.
A maioria não simpatiza propriamente com este governo.
A maioria dos sindicatos não interessa para o caso vertente. O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que é o caso específico em estudo, foi sempre especialmente agressivo contra o governo Sócrates.
Peço desculpa: qualquer sindicato de que o Luís seja membro só pode ser não-político.
“O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que é o caso específico em estudo, foi sempre especialmente agressivo contra o governo Sócrates.”
Parece que tinha razões para isso.
Não consigo perceber e espero que alguém me ajude nisto: não seria muito mais importante saber quem são os funcionários que consultaram a chamada Lista VIP e, se possível, no interesse de QUEM?
A resposta é: obviamente, não. Desde que seja para atacar Passos, todas as manobras são legítimas.
Tente ser menos ingénuo da próxima vez, OK?
😉
Essa afirmação é bastante grave, e pela moda actual, era bom haver uma comissão de inquérito da AR para esclarecer isso.
Talvez Pinto Monteiro não possa ser julgado pela sua incompetência, mas seria bom avaliar e esclarecer politicamente o que foram as manobras submarinas (muito além do aceitável), no período negro socrático.
Neste momento, as únicas afirmações passíveis de ser classificadas como graves e de dar azo à constituição de comissões de inquérito são as que põem em causa o governo e os principais elementos dos partidos que o constituem. Todas as restantes são conspirações e difamações. Antes, as conspirações e difamações eram consubstanciadas precisamente em afirmações que punham em causa o governo e/ou elementos importantes (um em especial) do partido que o constituía. Depois das eleições, logo se verá.
Belo post. parabéns.:)