![expresso-2016-12-17-2c6242[1].jpg expresso-2016-12-17-2c6242[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2016/20128410_bGEkA.jpeg)
A indecisão do PSD sobre uma candidatura autárquica em Lisboa ameaçava deixar o partido prisioneiro dos palpites mais inesperados. Raro foi o dia em que nos últimos dois meses não ouvimos apregoar na praça pública o nome de um putativo candidato – de Maria Luís Albuquerque a Nuno Morais Sarmento, de Jorge Moreira da Silva a José Eduardo Moniz(!), de José Eduardo Martins a Laurinda Alves(!), de Carlos Carreiras a Paulo Rangel, de Rui Rio a Marques Mendes. O ensurdecedor silêncio da direcção nacional do partido sobre esta questão autorizava a mais extraordinária torrente de especulações. Isto enquanto todos os eleitores conhecem quem será o candidato socialista e Assunção Cristas, líder do CDS, já se encontra no terreno há vários meses, em arguta manobra de antecipação.
A gota de água surgiu ontem, quando o nome do próprio Pedro Passos Coelho começou a circular rapidamente como eventual protagonista dos sociais-democratas na corrida a Lisboa, o que prometia danos reputacionais ainda mais evidentes ao líder do PSD: numa primeira fase amarrava-o a um combate que nunca pensou disputar; na fase seguinte dir-se-ia que tinha desistido por “receio” de perder contra Fernando Medina. Em qualquer dos casos António Costa – que vem progredindo de sondagem em sondagem – só teria mais motivos para sorrir.
Por uma vez Passos soube reagir a tempo e mandou comunicar aos jornais que pondera fazer aquilo que o bom-senso recomenda: admite apoiar a sua ex-ministra Assunção Cristas na batalha autárquica da capital. Como escrevi aqui há quatro dias, Lisboa justifica um acordo eleitoral entre os dois partidos que à direita do PS estão condenados a um estreito e perdurável entendimento para a formação de uma maioria política alternativa ao actual xadrez dominante no Parlamento. “Paris vale bem uma missa”, comunicou à posteridade o Rei francês Henrique IV ao reconverter-se em 1593 ao catolicismo.
Foi outra maneira de sublinhar esta regra de ouro da política: a todo o momento há que saber distinguir o essencial do acessório. Um político que seja incapaz de estabelecer esta diferença equivocou-se manifestamente na vocação.

“A indecisão do PSD sobre uma candidatura autárquica em Lisboa ameaçava deixar o partido prisioneiro dos palpites mais inesperados”
“Por uma vez Passos soube reagir a tempo e mandou comunicar aos jornais que pondera fazer aquilo que o bom-senso recomenda: admite apoiar a sua ex-ministra Assunção Cristas na batalha autárquica da capital”
As frases são contraditórias. Se esteve muito tempo indeciso, não reagiu a tempo.
Esta reação lembra-me uma anedota de português que se contava no Brasil:
O Manel da padaria cortou a mão esquerda na máquina do fiambre. Quando um amigo lhe disse:
– Do mal o menos! Tinha sido pior se fosse a mão direita.
Ele respondeu:
– Eu é que reagi a tempo! Quando vi que ia cortar a mão direita, troquei-a pela outra.
Parecem “contraditórias” a quem só sabe ler na diagonal. Como é o seu caso.
Passos reagiu a tempo à notícia de ontem de manhã que o indicava como candidato do PSD à câmara de Lisboa.
À tarde desmentiu-a pelo menos a três jornais que hoje o tiram desse filme. A notícia anterior não chegou a durar 24 horas.
Passos Coelho e o PSD fazem-me lembrar aqueles adolescentes aniversariantes que vendo que ninguém vêm à festa, começam a convidar quem não estava convidado Fica mal ao PSD, mas fica pior a Cristãs se aceitar o convite. Um perde a vergonha, convidando. A outra parte a honra, aceitando
Cristas não tem de aceitar o convite. Ela já está na pista de dança. Passos é que lhe vai pedir para bailar.
Lembrei-me agora. Assunção Cristas irá seguir o programa politico elaborado por José Eduardo Martins?
Espero que não siga o “programa político” de Medina. Seja ele qual for.