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«Se não se tem religião na Palestina, duvido que se tenha em qualquer outro lugar. Já não me lembro dos tempos em que vivêssemos sem fé. Na verdade, pouco mais temos para nos amparar.»
Leon Uris, Exodus (1958), p. 670
Ed. Publicações Europa-América, 1960. Tradução de Maria Leonor Correia de Matos. Colecção Século XX, n.º 35

Há muiiitos anos atrás li esse livro entre uma tarde e a alvorada seguinte.
Resultado, todo um dia sem poder suportar qualquer luz.
Faço ideia. Seria caso para isso.
Adão e Eva provaram o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas não o da árvore da vida. Talvez por aqui se compreenda a ansiedade da (im)mortalidade. As únicas verdades eternas, permanentes, surgem apenas nas religiões. Nas religiões a eternidade nasce da aceitação da coisa em si e não da sua utilidade ou justificação. Ao invés da verdade da ciência que surge da dúvida da realidade ( por detrás da coisa vista estará a verdade; a natureza é mal intencionada, conspirativa, que nos esconde a verdade sob o manto diáfano da mentira. E pela ciência surge uma luta entre nós e o mundo na procura do seu Segredo). Assim pela ciência nada mais podemos esperar que a ansiedade que acompanha todo o combate. Com a religião é diferente. O princípio da religião, pelo menos como entendo a judaico cristã, é a aceitação e não a justificação, a compreensão. A religião tem por âmago a procura da resposta, ao contrário da ciência que o tem na pergunta. A religião responde pela resposta. A ciência fá-lo na pergunta. Sabendo – se, descansa-se. Duvidando, vagueia -se.
Isso é verdade.
“Na verdade, pouco mais temos para nos amparar.”
Que o digam os sportinguistas que, felizmente, o caro Pedro não deve ser e desse mal se livrou.
Já li esse livro há bastante tempo, por sinal chatinho para caramba.
Votos de umas Boas Festas.
Bom livro.
A história do nascimento do Estado de Israel e de como interesses políticos e económicos distorceram e minaram a simbiótica amizade de dois povos que de tão diferentes , se entendiam e complementavam tão bem…
Gosto de ler Leon Uris. Gostei particularmente d’O Haj.
É um livro que nos ensina muito, Dulce. Sobre a história milenar da Palestina e os dramas dos povos que a foram povoando ao longo destes séculos.
Ganharia em ter menos 200 páginas do que tem.
Deu um filme, protagonizado pelo Paul Newman. Falarei em breve também dele aqui.
Quase todos os livros dele (Uris) são calhamaços enormes, mas nunca me entediaram. Alguns li até mais do que uma vez, por exemplo o “Grito de Batalha” que reli por altura de “The Pacific” na TV.
GosteI muito do filme do Preminger. Paul Newman encarnou, no que me concerne, magnificamente o Ari que eu imaginara.
Sim, este livro pelo menos lê-se muito bem. Insere-se naquilo a que aqui há uns tempos se chamava depreciativamente “literatura de aeroporto” – mas é um livro que nos explica, de um ponto de vista assumido, todo o nó górdio daquilo que se tornou conhecido como perpétua “crise do Médio Oriente”.
Este exemplar comprei-o a um preço irrisório numa banca de livros em segunda (ou terceira) mão, agora tão em voga. Mas merecia uma edição actualizada. Talvez quando se estrear uma nova versão hollyoodesca do romance. Não por acaso, esta edição original coincidiu com a estreia da longa-metragem de Otto Preminger.