Ao fim da tarde de hoje, na Avenida da Igreja:
– Ora viva, colega. Arranja-me dois euros, pá.
– Tome quarenta cêntimos. Não tenho mais.
– Isso não quero. Guarda para ti, pá!
Dizendo estas palavras, o pedinte grisalho saiu da sua zona de conforto e foi exercer o seu peculiar empreendedorismo financeiro para o passeio oposto. Notei-lhe uma ligeira arrogância neoliberal.

Aqui na minha zona pedem 20 Euros…
Nítido fenómeno inflacionário.
Houve greve nos bordados, as bordadeiras ficaram loucas com o chumaço do Ronaldo.
Tardou mas chegou ao Delito. Lá mais para cima.
Cheguei a receber ajuda alimentar quando era pequeno, quando Guterres estava no poder e pobreza era coisa que não existia (pois…). Por isso, quando me pedem dinheiro ofereço comida. Normalmente aceitam. Lembro-me de uma situação em Campanhã. Mal lhe entreguei um pacote de bolachas… zás! Desapareceu como uma fisga. Talvez fosse vergonha. No Porto, numa noite do ano passado, foram quatro em duas ou três horas. Não posso falar pelos dois anteriores, vivia em Trás-Os-Montes e a realidade ali é outra, mas nestes últimos dois anos vi gente de mais a pedir. Pelo centro de Lisboa e zonas históricas é o que se vê, está bem representando no Púbico. O cocktail fatal: famílias difíceis, álcool e droga. Mas estes eram os que nos habituamos a ver, todos nós notamos caras com histórias diferentes. Ah também vejo muita gente dizer que isto está mal, que têm dificuldades, mas… vejo-os sempre com os últimos apetrechos tecnológicos. Provavelmente têm razão, o ponto de comparação é que é diferente. Porventura são como o seu pedinte, possuem «uma ligeira arrogância neoliberal»…
Os estereótipos mudam à nossa frente a uma velocidade vertiginosa, Miguel. Também nisto.
🙂
Meu caro,
recomendo-lhe que da próxima vez que lhe peçam neste termos diga assim: “sou das finanças. Mostra-me a declaração de rendimentos.”.
Como agora anda uma onda de pedintes por este país, incluindo os que pedem para outros, e como isto não está para cantigas, costumo dizer:
“Peço desculpa mas também ando ao mesmo. Não lhe sobra nada nos bolsos que possa partilhar comigo”.
Porra, fogem todos a sete pés. Arranjam com cada desculpa que este espaço de comentário não bastaria para relatar todas.
Um Bom Natal, Pedro. 🙂
Agradeço-lhe muito, Cristina, embora com atraso. Agora serei eu a antecipar-me, desejando-lhe um feliz ano novo.
bom, ou é do conhecimento geral ou simplesmente mito urbano, que a pedintes, arrumadores e tipos que nunca têM dinheiro que chegue para comprar um título de um qualquer transporte, não se dá menos de cinquenta cêntimos. 20% de comissão hum??
A vida está dura para todos, Dulce.