ESTAÇÃO DE SANTA APOLÓNIA
«Quando nessa noite, acompanhados pelo Vilaça, Carlos e Ega chegaram à estação de Santa Apolónia, o comboio ia partir. Carlos mal teve tempo de saltar para o seu compartimento reservado… (…) No dia seguinte, na estação de Santa Apolónia, Ega, que viera cedo com o Vilaça, acabava de despachar a bagagem para o Douro, quando avistou Maria, que entrava trazendo Rosa pela mão. Vinha toda envolta numa grande peliça escura, com um véu dobrado, espesso como uma máscara: e a mesma gaze de luto escondia o rostinho da pequena, fazendo-lhe um laço sobre a touca.»
Eça de Queiroz, Os Maias
Foto: blogue Teresa Marques 2009’s Blog


A imponência da estação de Santa Apolónia, quando ainda não havia automóveis; excelente fotografia!
O texto, nem é preciso elogiar…
De facto, Cristina, é um excelente documento fotográfico. Só não percebo – tal como diria o Luís Menezes Leitão – como é que os lisboetas dessa época aguentavam ver todos estes edifícios sem pichagens.
Reinava outra disciplina, as pessoas não se atreviam, a sociedade ainda estava muito hierarquizada, havia valores que se consideravam sagrados. O que, como vemos, tinha as suas vantagens, mas também muitas desvantagens, porque limitava (e muito) a liberdade de expressão.
O ideal seria conciliar a liberdade de expressão com a consciência cívica e a boa educação. Será possível? Ou a sociedade precisa de regras rígidas?
É a eterna questão. Eu defendo a liberdade, mesmo que ela nos traga certos dissabores…
Por acaso o País da segunda metade do século XIX – aquele que surge nos romances do Eça – foi um dos raros períodos de paz, liberdade e prosperidade da nossa História, Cristina.
Mais o último quartel do século, compadre. Mas com muita liberdade de expressão, Cristina.