Lisboa


Pedro Correia,

O debate na SIC da passada quinta-feira em Lisboa demonstrou que há três corridas na corrida à autarquia da capital. A propriamente dita, a de Fernando Medina para liderar o PS e a de Carlos Moedas para suceder a Rui Rio no PSD.

João Ferreira, no PCP, nem precisa de correr: já está ungido pelo Comité Central. Nestas coisas os comunistas têm muito sentido prático.

8 comentários em “Lisboa”

  1. A do Medina para a liderança do PS ainda não começou. Estão na fase do aquecimento. Ou para quem preferir desportos motorizados, a afinar o motor e a calibrar os pneus.

    Nestas Autárquicas:

    PS: tem de fazer um resultado local ao nível do nacional. O de Braga explica o porquê. Por todas as razões tem de reforçar Lisboa, e tomar umas “praças” tanto à Direita como aos comunas. Ganhar por poucochinho não chega

    PSD: forte tradição autárquica, é o derradeiro teste de Rio. Claro que vai chumbar forte e feio.

    PCP: não deixa de ser irónico que as mais ferozes batalhas locais vão ser contra os seus aliados nacionais. Sim, o PCP é o mais forte aliado do PS (pronto, o PSD também o é a espaços, mas involuntariamente) na governação, e o pior dos inimigos, em especial em redor de Lisboa

    Chega: primeira prova local do Dr. Ventura e seus muchachos. O Berloque de Esquerda nunca se conseguiu implantar localmente, veremos se o Chega o faz.

    1. Há quatro anos o PCP perdeu dez câmaras para o PS. Ficou só com 24.
      É o grande prejudicado da geringonça, contribuindo para engordar o PS de Costa.

      Vale a pena recordar que o PCP era até 1989 o segundo maior partido em Lisboa – e a maior força de esquerda na capital.
      Nas autárquicas de 1985 o PS só conseguiu 18%.

      A primeira geringonca ocorreu com Sampaio para a Câmara de Lisboa, em 1989. Quando o PCP, que era primeiro, aceitou ser segundo.
      Já então fez um péssimo negócio.

      Fica-lhes muito caro, celebrar acordos com os socialistas.

      1. “Fica-lhes muito caro, celebrar acordos com os socialistas.”

        A eles ou a quem quer que seja. O PS é um projecto de poder. Se faz um acordo é porque isso favorece o seu projecto e quanto mais este se realiza, menos sobra para terceiros.

        Dito de outra forma. O PS como partido hegemónico será atacado por todos os outros e todos os outros beneficiarão de alguma condescendência por serem aliados no ataque ao PS. Essa condescendência desaparece quando se faz uma aliança com o PS. Pode ser útil a curto prazo, sobretudo, proporcionar empregos a dirigentes mas a prazo será sempre negativo.
        Rui Rio conseguiu a proeza de, sem celebrar um acordo e retirar alguns benefícios(*), deixar passar a ideia de um acordo futuro e daí retirar todas os inconvenientes.
        (*) Com a possível excepção da partilha das CCR.

  2. Só há a corrida propriamente dita à autarquia da capital.
    Qualquer um dos intervenientes já atingiu o Princípio de Peter.
    Para primeiro-ministro tem de ser um que ainda não saiu do armário.

  3. Só faltou a corrida principal.
    Correr com eles todos daqui para fora.
    O País e Lisboa em particular parecem um esgoto a céu aberto por onde se pavoneiam os ratos do costume.
    Ontem fui à Feira do Livro. Toda a gente fala dela e toda a gente já lá foi.
    Nenhum dos figurões viu o estado degradante do jardim que era a referencia do Parque Eduardo VII.
    Encheram o debate (muito por culpa da apresentadora que o Marques Mendes tanto elogiou) com o “leilão” das casas, “Dás 5.000, eu dou 6.000”
    Não há pachorra para aturar esta gentinha.
    Uma boa semana para si.

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