
Adolfo Mesquita Nunes: «Não sei se acontece convosco mas eu tenho aí umas quatro ou cinco profissões que gostaria de experimentar apenas por um mês ou, vá lá, um ano. Guia turístico é uma dessas profissões. Bastava-me um mês, se tivesse de passar todos os dias pelos mesmos lugares, ou talvez me deixasse ficar mais uns meses se pudesse perder-me, eu próprio, em roteiros ao acaso.»
Ana Lima: «Eu sei que o tempo, este que é o nosso, nos puxa para aquilo que é mais terreno e que a realidade que nos cerca nos limita os pensamentos, que parecem concentrados em temas mais prosaicos. Mas é exactamente nestas alturas que não nos devemos esquecer da poesia e do facto de serem os poetas a dizerem as coisas mais importantes, aquelas que permanecem.»
Ana Margarida Craveiro: «Neste país, praticamente tudo se encontra regulado, através de regimentos, decretos-leis e sei lá mais o quê. Mas a ninguém ocorre responsabilizar os criadores dessa mesma legislação pelas suas desastrosas consequências financeiras. A ninguém ocorre alterar essas mesmas leis e regulamentos, antes de crucificar na praça pública o trabalho feito.»
Ana Vidal: «Para além dos “monstros sagrados” da geração de ouro da MPB, entre criadores e intérpretes – Jobim, Vinicius, Caetano, Buarque, Bethânia, Gal, Simone, Gil (para citar apenas alguns) – e dos actuais e estrondosos sucessos de vendas e de bilheteiras, sobejamente conhecidos e aclamados por todo o lado, existe uma outra música no Brasil que Portugal conhece ainda muito pouco. É uma linha urbana, culta e sofisticada, que absorveu o que de melhor fizeram os seus antecessores e inovou com mestria e bom gosto em composições que honram, sem uma beliscadura, a brilhante tradição musical a que o Brasil sempre nos habituou. Casando novas tecnologias e tendências melódicas com os mais profundos e sólidos alicerces da chamada “tropicália”, continua a provar que o código genético do povo brasileiro se escreve em pautas de música.»
João Carvalho: «Pode utilizar-se a expressão entrevista, desenvolver a ideia de que a maioria dos contribuintes não dispõe de informação bastante e menos ainda de conhecimentos técnicos suficientes e, por fim, concluir que se faz e se diz que faz aquilo que é possível. Eliminando o conteúdo entre os dois termos, fica entrevista possível. A interpretação é da minha inteira responsabilidade, mas devo dizer que me agrada especialmente. E ainda me agrada mais depois de suprimido o desenvolvimento da ideia. Entrevista possível, sim. Afinal, esperavam o quê?»
José António Abreu: «Incoerência é… criticar a “inflexibilidade” alemã e simultaneamente defender inflexibilidade para com a Madeira.»
Laura Ramos: «Andamos tão ocupados com as últimas da Primavera árabe e as tristes figuras de Kadhafi e Bashar Assad, que quase nos esquecemos das tensões noutros lugares massacrados e, aliás, bem próximos.»
Rui Rocha: «Neste dia em que comemora 54 primaveras, igual número de verões e, pelo menos, uma bancarrota, o Delito de Opinião apresenta sinceros parabéns a José Sócrates e deseja-lhe muitas propriedades.»
