Líder da oposição


Pedro Correia,

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O Governo, denotando um autoritarismo galopante que o leva a remover personalidades incómodas, como a anterior Procuradora Geral da República e o cessante presidente do Tribunal de Contas, quer agora pôr as polícias a invadir a intimidade das nossas comunicações móveis.

Com o ar expedito que já adoptou para insultar médicos e apoiar a recandidatura do presidente do Benfica, António Costa anunciou o uso obrigatório, em contexto estudantil e laboral (começando pelos trabalhadores da administração pública), de uma aplicação com nome “amaricano” que coloca cada cidadão sob escrutínio permanente das autoridades sanitárias, fornecendo metadados aos gigantes da tecnologia digital Apple (iOS) e Google (Android). Em nome da “geolocalização de infectados” – empestados e leprosos do século XXI.

Esta medida, inexistente na União Europeia, foi instituída pela ditadura chinesa. Cenário distópico – digno das páginas do 1984, de Orwell – tornado realidade a pretexto do combate à pandemia. A mesma ditadura que impõe testes clínicos a todos os súbditos numa cidade com 9,4 milhões de habitantes em apenas cinco dias, apenas porque ali surgiram seis casos de infecção com o novo coronavírus. Quem recusar, fica sob a alçada imediata da “polícia de vigilância e defesa do Estado”.

 

Acontece que não vivemos em ditadura: a polícia portuguesa não existe para violar a privacidade de cidadãos pacíficos. Aliás o Tribunal Constitucional já chumbou a utilização dos metadados de telecomunicações pelos serviços de informações para prevenir actos de terrorismo. Nada autoriza o primeiro-ministro a assinar decretos por capricho autoritário, vulnerando direitos fundamentais: o Governo tem de submeter-se ao império da lei.

Felizmente a nossa democracia conta com uma oposição activa e enérgica. «É inconstitucional tornar obrigatória a app #StayAwayCovid: além da violação da privacidade num país em que a Comissão Nacional de Protecção de Dados não tem dentes, da ineficácia e da análise custo-benefício, equivaleria a consagrar a discriminação contra pobres e idosos mais vulneráveis. Espero que a AR chumbe o projecto-lei», apressou-se a opinar a líder da oposição.

Sem papas na língua, como sempre.

46 comentários em “Líder da oposição”

  1. Não sei se ela é líder da oposição e o Ventura é populista. O que sei é que são os dois óptimos candidatos a dar um abanão no Costa e um abanão no Marcelo.

      1. Esse é melhor ninguém o abanar.
        Cada vez que abre a boca só diz asneira, ainda me lembro da ideia peregrina de criar um imposto único. E como ele apoia esta parvoíce das máscaras e da aplicação, só espero é que ele não esteja ao pé quando o Costa levar o abanão.

          1. O “princípio de Peter ” em pleno funcionamento.
            “O curar a covid implica descurar outras doenças, mas o descurar outras doenças não significa curar a covid”.

          2. Por aquilo que o conheço, este tipo de abordagem só tem um fim. A obrigatoriedade do uso de máscaras na rua.
            Se a obrigatoriedade do uso de máscara fosse uma medida isolada o povo recusava. Mas se juntar uma medida pidesca e absurda…

  2. Ana Gomes, a personificação da verdade.
    Viola a constituição, diz e insigne senhora.
    Só a informação através da pirataria informática é que não.
    Ana Gomes; vai comer filhós, filha.

  3. Esta proposta disparatada de António Costa foi feita somente, consoante ele próprio confessou, porque é preciso “dar um abanão” à consciência das pessoas e porque “temos que fazer alguma coisa” num momento em que a epidemia se está a expandir. Como ele tinha que fazer alguma coisa, mas não sabia o que pudesse fazer, fez isto. Deu um abanão, disso não há qualquer dúvida, mas um abanão que não vai servir para nada.

    1. O Governo andou a anunciar durante meses, na imprensa estrangeira, a existência de um alegado “milagre português”.
      Costa cometeu um erro de principiante: acreditou na sua própria propaganda.

      1. O Governo andou a anunciar durante meses, na imprensa estrangeira, a existência de um alegado “milagre português”.

        O governo português andou a anunciar tal coisa na imprensa estrangeira? Como? Em anúncios pagos?

        Nunca ouvi dizer que tivesse havido na imprensa estrangeira tais anúncios, feitos pelo governo português.

        Pode dar exemplos?

  4. Portugal nunca teve uma estratégia (certa ou errada) para combater a pandemia, isto se acharmos que podemos ganhar guerras a vírus.
    O confinamento foi para ganhar tempo, depois voltou tudo a como dantes.
    O Governo e o seu sidekick Marcelo apelaram ao consumo, ao turismo, chamaram os estrangeiros, e eles próprios se passearam despreocupadamente na praia, transmitindo voluntariamente a tal sensação de segurança e relaxamento que agora criticam.
    Escolas, transportes, leis laborais, tudo o que influencia o nosso quotidiano, foi deixar andar. Agora passam os dias com tira a máscara ou põe a máscara, grupos de 5 ou de 10, uma app vigilante e a reinvenção do Natal ao sabor uma homilia diária feita por uma figura patética, que despacha bitaites em frente aos microfones, sem qualquer fundamento científico por trás.
    O país não precisam de abanoes, precisa de estabilidade.

  5. Um povo que se verga a esta bandalheira de fachada socialista tipo Costa de joelhos em terra, não se ergue para combater qualquer tipo de canalhada.
    Convém recordar que toda esta trapalhada com aparência progressista apenas serve para a sobrevivência politica de Costa por ele sempre amanhada com destreza.
    De tudo é capaz para ser figura de cartaz, por mais prejudiciais que as suas manhas prejudiquem o país e as pessoas.
    Pena que ninguém o confronte com a sua posição num evento partidário não muito antigo, em que condenava ferozmente a formação de governos por arranjinhos partidários de ocasião.
    Pergunto-lhe então se a mudança de opinião, foi e quando, comunicada ao seu partido e se foi alguma vez anunciada publicamente.
    Ou virou a casaca apenas quando percebeu que perdeu as eleições e mudou de agulha para não sair moribundo da vida politica.

      1. com os dois joelhos em terra. E amordaçado

        Só lhe falta vir por detrás o esbirro do Estado Islâmico para o decepar.

        Ou então o carrasco da China maoista para lhe dar um tiro na nuca.

      2. Esta sua referência também assenta que nem uma luva, tanto no voraz Costa como no tolhido Marcelo professor do dito.

          1. Já reparei sim senhor, mas evito cair no exagero de culpar o pajem pelas desgraças do reino.
            Rio até pode não estar a fazer tudo bem, mas a ser assim isso apenas tem resultado, que se saiba, em prejuízo próprio.
            Ao contrário, Marcelo como Costa, altos dirigentes em funções de Estado, enredados em colaboração cinzenta e inconsequente, mais não tem sido do que a trave mestra da pantomina a que se chegou.
            Quanto a Marcelo temo bem que a sua curvatura perante Costa tenha muito a ver com um continuar, desde o tempo exclusivo de comentador, a vergastar em Passos, que lhe mordeu os calcanhares no partido, continuando com ele atravessado na garganta.
            Creia que lhe agradeço o facto de me dar espaço para deixar os meus palpites.

          2. “Rio até pode não estar a fazer tudo bem.”
            Caramba, que eufemismo.

            Rio é o Dupond, Costa é o Dupont.
            Tem sido assim em tudo: das CCDR que ambos cozinharam, ao fim dos debates quinzenais no parlamento em que o presidente do PSD foi mais papista que o Papa dizendo que era preciso o parlamento “deixar o PM trabalhar”, do conúbio para a alteração das regras da contratação pública até à recentíssima remoção do presidente do Tribunal de Contas.

            O perfeito concubinato do “bloco central”. Só falta mesmo a troca de alianças.

          3. “…isso apenas tem resultado, que se saiba, em prejuízo próprio.”
            Errado. Também perde o país… muito mais que ele próprio, acredite.
            Uma oposição competente, combativa, que se aplica no escrutínio e na fiscalização, que cumpre o compromisso para com os seus votantes, é tão importante como um governo eficaz.
            Provavelmente o seu comentário vem no seguimento daquilo a que acabamos por nos habituar, a uma oposição tão miserável que nem notamos a sua existência e se notamos, nem lhe reconhecemos importância.
            Chegamos a um ponto em que para além de o governo nos defraudar, algo a que já nos habituamos, reparamos que até a oposição resolveu abandonar o barco e as suas obrigações.
            Quando a única verdadeira oposição se resume a um partido moribundo e a dois deputados isolados, acho que está tudo dito.
            Quanto ao resto, ou estão de licença sabática, ou dão um ou outro ar da sua graça, só para fazer figura de corpo presente, vêm para os telejornais tentar convencer que são inflexíveis nisto e naquilo, mas no final, lá permitem toda e mais alguma aberração governativa, a troco de uma migalha.

          4. Uma oposição mesmo moribunda não justifica nem aconselha uma governação nauseabunda, levada ao colo por um presidente plastificado.

          5. A oposição do PSD, com Rio, não está “moribunda”. Simplesmente, não existe.

            Rio já exerce, aliás, num insólito “co-governo” (cogoverno, em acordês), com Costa.
            Como o PR confirmou, quando revelou ao País que o afastamento do presidente do TdC e a nomeação do sucessor mereceram a concordância prévia de Rio, que até tomou parte activa no processo de decisão.
            https://observador.pt/2020/10/07/rui-rio-ajudou-a-escolher-sucessor-do-tribunal-de-contas/

      3. Dois joelhos em terra (e enterra), mas com metade do CCDR.
        Prioridades.
        E o desejo do Rio é que aquela coisa de limitar os debates na AR ainda (lhe) venha a dar jeito.

  6. Para todos os efeitos práticos, não é possível distinguir a ignorância pura e simples de interesses malévolos e obscuros.

    Interesses esses que, no caso desta pandemia e sem pretender ser exaustivo, se estendem desde a omissão de efeitos profilácticos e terapêuticos de substâncias baratas, de eficácia comprovada cientificamente, até à divulgação de notícias que inculcam e amplificam ideias promotoras do medo e do pânico que servem apenas os ditos interesses.

    No caso concreto da notícia sobre a realização maciça de testes numa cidade chinesa, destaco estas ideias subjacentes e quase subliminares:

    – doença muito perigosa, que leva ao teste de 9 milhões de pessoas perante número ridículo de casos;
    – necessidade imperiosa de testar todas as pessoas, com consequente quarentena das positivas;
    – eficácia indiscutível do teste RT-PCR;
    – eficiência superlativa das autoridades chinesas na protecção das suas gentes.

    Mas, interroguêmo-nos. Qual a proveniência da notícia, qual a sua fonte? A mesma fonte que não divulgou a realização de festa de Verão em Wuhan, sem máscara e sem distanciamento físico entre pessoas? Hum…

    Vamos então fazer umas contas de merceeiro. Como cada minuto tem 60 segundos e cada hora tem 60 minutos, uma hora tem 3600 segundos. Multiplique-se 3600 por 24 e em seguida por 5. Fica-se com o número de segundos existente em 5 dias. Divida-se agora 9 milhões por esse número, para se obter o número médio de pessoas testadas por segundo. O resultado diz tudo: 20,8 pessoas por segundo!

    As “fake news” existem mesmo. Ente outras coisas, até tenho conhecimento pessoal de quem mandasse escrever umas “notícias” para depois serem publicadas em jornais, a troco de pagamento. Como se de publicidade se tratasse. Neste caso será mais propaganda.

    E quanto à alegada líder da oposição, muito embora concorde com a sua posição neste e noutros casos, convém não esquecer que ela se encontra em campanha. Nada garante, por aquilo que sabemos de campanhas anteriores, que mantivesse a sua posição noutras circunstâncias.

    1. Recentemente foi noticiada a realização de um festival de música clássica em Wuhan. Nas imagens mostrava-se um grande coro de chineses, por detrás de uma grande orquestra, a cantar a plenos pulmões. Um comportamento ideal para a disseminação de qualquer vírus que habitasse a garganta de um dos cantores.

    2. Ana Gomes é, neste momento, tão imprescindível como André Ventura no combate contra a corrupção.

      O PS (e também outros partidos), assessorado pelos trabalhadores do avental, sempre conseguiu neutralizar as denúncias de corrupção utilizando métodos desde o “olvidamento” (ostracismo do visado, silêncio mediático e ausência de crítica ou controvérsia) ao afastamento do visado (enviado para cargo no estrangeiro) ou, no caso mais grave, sacrificando alguém ao sistema judicial mas assegurando que não eram investigadas muitas ligações nem prejudicados os associados e colaboradores (estou a pensar, respectivamente em Rui Mateus, João Cravinho, José Sócrates e até Ricardo Salgado).

      Por outro lado, todas as denúncias vindas da direita não parlamentar eram ignoradas ou liminarmente rotuladas de saudosismo fascista. André Ventura e mais urbanamente, Cotrim de Figueiredo trouxeram a este combate a visibilidade do Parlamento mas continuava a dominar a cultura do ignorar tudo o que vinha dos “fascistas”, cultura essa tão amplamente evidenciada nas caixas de comentários deste blogue. E foi Ana Gomes a quem não se pode acusar de “DIREITISMO” que destruíu esta última defesa da oligarquia corrupta ou, num mínimo caridoso, condescendente com a corrupção. Por isso, bem haja.

    3. Eu sou contra, logo também sou líder da oposição !

      ” E quanto à alegada líder da oposição, muito embora concorde com a sua posição neste e noutros casos, convém não esquecer que ela se encontra em campanha. Nada garante, por aquilo que sabemos de campanhas anteriores, que mantivesse a sua posição noutras circunstâncias.”

      Exactamente, depois ainda fazem um best-off com as “ideias” de génio da D. Ana Gomes quando o que ela diz sempre em tom exaltado, limita-se ao bom-senso que qualquer ser que pensa tem.

      WW

      1. Verdade? Ana Gomes é mais uma candidata a tiranete. Vá lá ler o que ela pensa da liberdade dos que não concorda.

        lucklucky

  7. E por estas e por outras que aí andam gravadas a fogo e vivinhas !, que o Rui Pinto nem sequer fez nada de tão reprovável ou grave assim …

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