


A leitura faz-se muito de improviso. Mas também se faz de bom planeamento. Sem ele, as melhores intenções volatilizam-se com rapidez.
Gosto de planear o que vou lendo.
O prazer da leitura, para mim, começa nisto.
Este ano, por motivos que só me dizem respeito, usufruo daquilo a que dantes se chamava “férias grandes” – não trabalho em Julho e Agosto. Pude assim planear leituras para dois meses. Não desperdiçando este período com coisas ligeiras ou “levezinhas”, que alguns consideram adequadas ao Verão, como se lessem algo mais complicado – ou o que quer que seja – nos meses mais frios.
Da lista que elaborei, constam obras que fui adiando porque outras se intrometeram entretanto ou que comecei a ler noutros tempos e por algum motivo interrompi. É a altura propícia para visitar umas e retomar outras.
Aqui fica a lista:
A Leste do Paraíso, John Steinbeck
A Piada Infinita, David Foster Wallace
A República dos Sonhos, Nélida Piñon
Absalão, Absalão!, William Faulkner
American Psycho, Bret Easton Ellis
Auto-de-Fé, Elias Canetti
Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust (1.º vol.)
Império, Gore Vidal
Nostromo, Joseph Conrad
O Homem Sem Qualidades, Robert Musil
O Nome da Rosa, Umberto Eco
O Tambor de Lata, Günter Grass
O Templo da Aurora, Yukio Mishima
Os Buddenbrook, Thomas Mann
Os Filhos da Meia-Noite, Salman Rushdie
Depois do Verão farei o balanço aqui. A ver quantos destes 15 consegui ler (o de Canetti e o de Eco são novas tentativas após ter encalhado por volta da página 100, em qualquer dos casos; o de Conrad arrancou a custo há três ou quatro meses e foi ultrapassado por outros). Dois deles, o de Mishima e o de Musil, não tenho sequer: hei-de ver se consigo encontrá-los por aí. Talvez na Feira do Livro que se aproxima.

American Psycho é uma aberração, um horror absoluto.
Por curiosidade comecei a ler mas desisti. Não tenho tempo
nem aguento tanta barbaridade.
Gostei imenso de African Psycho de Alain Mabankou
Se não gostar, fecho e passo adiante.
Entretanto já quase acabei um destes.
Depois conto.
eu gostei , bastante até
.do mesmo género do Brett , tem o Irvine Welsh , li quase tudo . o “Lixo” ( “Filth ” ) é bestial mas tem de ter estômago , tal e qual como para o psico. muita droga…mas é o que há hoje em dia. é a realidade que é feia , não os romances.
cresci com John Steinbeck , comecei a lê-lo praí com 15 anos , diria que foi quem me moldou o carácter. o meu conto favorito é “ratos e homens”.
.
A droga foi o que menos me incomodou.
A tortura , violações,o “ requinte “ de selvajaria e etc
é que me são insuportáveis.
Cada pessoa tem o seu próprio nível de sensibilidade
a essa barbaridade.
Hum. Vou deixar isso para o fim.
Estou a acabar precisamente ‘A Leste do Paraíso”, calhamaço com 740 pp. Digo “acabar” apesar de ainda me faltarem cerca de 130. Mas é quase como se tivesse terminado.
American Psycho é uma aberração, um horror absoluto.
Por curiosidade comecei a ler mas desisti. Não tenho tempo
nem aguento tanta barbaridade.
Gostei imenso de African Psycho de Alain Mabankou
Ah, era você, Kika.
Só agora reparei.
Acabei de responder-lhe ali em cima.
Desculpe, não sei o que se passou.
Bfs e boas leituras.
Antes a mais do que a menos, Kika. Obrigado, bom fim de semana para si também.
Mabanckou 😊
(À primeira “li” Mamadou… vá-se lá saber porquê.
)
Credo !

Pois. Mas não custa tentar.
Isto é um programa muito, mesmo muito, ambicioso
Muito mesmo. Tens razão. Sobretudo porque quase todos estes livros têm várias centenas de páginas.
O primeiro destes que comecei a ler tem 740.
É como no futebol.
Na pré-época os treinos são muito puxados, muito esforço, muito suor.
Quando passaram estes dois meses de treinos intensos, a ler mais de 50 páginas por dia, as palavras vão fluir melhor, tudo estará mais oleado e em Setembro vai ver um vê se te avias, bola no chão ou melhor livro na mão e um ritmo de leitura superior ao do Sr. De Sousa (nos tempos em que os comentários televisivos já tinham sido inventados mas as selfies ainda se chamavam auto-retratos).
Boas leituras, Pedro, um abraço para ambos.
Obrigado, Pedro. É um pouco como dizes.
O treino facilita muito.
São livros enormes. Os Buddenbrook têm 539 pp. Auto-de-Fé, 525. O Nome da Rosa, 493. O Proust, 382 – só este volume inicial.
E ainda há o Kaputt, do Curzio Malaparte, com 495 pp. E O Crime e Castigo, 2 vols com 502. Não tinha mencionado estes, igualmente em lista de espera.
E já nem falo dos 3 vols. d’ A Guerra e Paz, que totalizam 1363 pp…
Abraço.
Dessa lista, os que se deixam ler melhor são o Vidal e o Eco. Os romances históricos do Gore Vidal são fenomenais, esse é o quarto dos sete em que ele fez os anais da República.
Se preferir Vidal em época mais longínqua, pode trocar esse pelo Criação, narrado pelo embaixador persa em Atenas em 500 a.C., quando o Buda estava no activo. Deve ser o meu Vidal favorito, e li quase tudo dele, quase sempre com muito prazer – Vidal nunca aborrece.
Robert Musil, li uma tradução inglesa (primeiro volume, há mais), e não me recordo de nada. Era sobre um vienense, como diria o Woody Allen. Tal como Proust e Mann, de há cem anos, e sem muita hipótese de sair de lá, na minha modesta opinião.
Sim, a seguir ao Steinbeck (que leio agora) talvez ataque o Império, de Vidal – livro com 607 pp.
De Musil li O Jovem Torless, passado num internato militar. Gostei bastante.
Já viram estas capas?? Como é que é possível tamanho horror? Dêem-me emprego que eu faço umas coisinhas mais decentes. Há um equívoco enorme nas artes gráficas: o pessoal que sabe mexer em photoshop e no illustrator não tem cultura nenhuma. Outro equívoco é os directores e as criaturas do marketing mandarem palpites, como se eles percebessem alguma coisa do assunto.
Já que fala do assunto, aliás recorrente e a que sou sensível, destas só aprovo a do Conrad. As restantes são corta-e-cola como vêm lá de fora ou recorrem aqui ao primeiro boneco que lhes aparece via banco de imagens.
Isto quando não se limitam a espetar uma foto XL da fotografia do escritor já velho na capa, como agora fizeram com um livro do Steinbeck, dando cabo daquilo.
Sem sentido estético algum nem sequer noção mínima de como uma boa capa pode ajudar a promover e a dignificar um livro.
Sei por que motivo isto acontece. Porque não querem pagar a quem sabe, portanto recorrem ao primeiro meco que está à mão.
Às vezes é a prima da vizinha do genro do cunhado.
Ora nem mais. Mas também é culpa (ou, pior, uma escokha deliberada) dos editores, que não cultivam a ideia do livro, da colecção e, no limite, da própria editora como um objecto para-artístico. Preferem a noção de produto para as prateleiras dos hipermercados. Não sei se vendem mais assim.
Promoção da breguice e do mau gosto. Tem a ver com o espirito dominante. Se é assim em todas as áreas (até na gastronomia, quando se promove a pizza industrial ou a “picanha” em toda a parte, como se não tivéssemos excelentes tradições gastronômicas sem necessidade desta fancaria de importação).
Farinha do mesmo saco.
* Errata: “gastronómicas”.
(Este equivalente à picanha brasuca na ortografia intromete-se em toda a parte nos dispositivos electrónicos, num desmentido vivo e permanente à “unificação” apregoada no catecismo acordístico dos lavouras & quejandos.)
Eu talvez consiga ler 4 livros este verão. Os três volumes do Conde de Monte Cristo. E um outro que ainda está por escolher. Ou seja, talvez consiga ler dois romances.
PS- Na sua lista estão dois dos meus livros preferidos: O Nome da Rosa e Os Filhos da Meia-noite. 😍
Boa empreitada! 😉
É uma empreitada também, Susana. Eu tenho O Conde de Monte Cristo há anos na minha lista de espera (como Os Miseráveis e Crime e Castigo).
Mas ainda não será desta.
Tomo em boa nota o que diz sobre O Nome da Rosa.
Entretanto já li A Leste do Paraíso e vou agora a meio de Nostromo.