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Sérgio de Almeida Correia,

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“(…) Depois de mais de setenta anos no exercício do poder, o PCC logrou constituir-se como uma dinastia orgânica – a primeira dinastia orgânica da história da China. Essa osmose com a cultura política tradicional viu-se fortalecida com a adopção de uma institucionalidade própria que assegura uma série de regras para evitar que os processos de sucessão, tão delicados nestes sistemas, gerem lutas fratricidas.” (p.373) 

O que ali se escreveu já perdeu, entretanto, actualidade com a revogação da regra da limitação de mandatos ou a incerteza da idade de aposentação em relação a alguns dirigentes, mas o nome de Xulio Ríos é suficientemente importante entre os estudiosos e analistas do fenómeno chinês actual para não poder passar despercebido.

Natural seria, por isso mesmo, que o seu último trabalho merecesse a devida atenção, tanto mais que foi traduzido e publicado em português. Não havia desculpa para não estar incluído na minha lista de prioridades.

Tivesse aguardado mais uns meses e o autor poderia ter alargado a sua análise ao XX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC). Seria interessante conhecer a sua interpretação do episódio Hu Jintao.

Não obstante, e pese embora uma incorrecção e uma ligeireza na parte que diz respeito à geografia de Macau e a Luís de Camões (vd. p. 149), trata-se de um trabalho de fôlego, produzido com isenção e independência, embora nem sempre possa estar de acordo com o autor.

Xulio Ríos passa em revista toda a história do PCC, nos seus momentos mais marcantes, desde a sua fundação, congresso a congresso; sem esquecer as influências externas, o conflito com o KMT, a fundação da RPC, até chegar à situação de Hong Kong, aos problemas do Tibete, de Xinjiang e Taiwan, a reaproximação ao confucionismo e ao legismo, e o processo de sinização do marxismo até ao neo-mandarinato actual e ao xiismo.

Irrepreensível divisão histórica, capítulos bem alinhados, conclusões pertinentes e a merecerem discussão. No final, possui uma interessante bibliografia, alguns números relativos aos congressos e um índice onomástico para ajudar os leitores menos comprometidos com a realidade chinesa e as dinâmicas do PCC a compreenderem os papéis de alguns dos protagonistas.

Valeu a leitura, recomendo-a, e agradeço à minha amiga F. a generosa oferta que me fez.

7 comentários em “Ler”

  1. Antes de mais, para informar que a ligação que indica para o episódio Hu Jintao, que assisti ao vivo, não está activa.

    Desconhecia o autor e o trabalho que propõe. Porém, tendo em conta as características sócio-culturais chinesas, atribuir um estatuto dinástico ao PCC seria esquecer que ao longo de sua história a China sempre foi governada por dinastias. A dinastia Zhou governou por cerca de 790 anos. E poder-se-á ainda abordar outas mais tendo em conta a existência do território e da cultura desde 2070 a. C.

    Taiwan, Hong Kong e Macau não podem ser abordadas sob a mesma perspectiva que o Tibete, que também tem sob o ponto de vista sócio-cultural princípios dinásticos, ainda que estas dinastias tivessem no seu início uma conotação militar.

    O ocidente vive actualmente uma vertigem e/ou alucinação sobre o que é democracia. E talvez por isto não se conforme com uma nova ordem multipolar que já se desenha.

  2. xiismo?
    RELIGIÃO ramo do Islão que considera Ali (genro de Maomé) e os seus descendentes como os únicos legítimos sucessores de Maomé, e está muito difundido no Irão e no Iraque.

    ou, antes, xijinpinguismo o que advém de Xi Jinping ?

    1. O termo foi cunhado por Xulio Rios, surge em diversos textos dele, e no livro foi traduzido para portugês como “xíismo”, por isso o utilizei.
      Mas pode ser fonte de confusão. Concordo consigo.

      [ https://politica-china.org/secciones/es-el-xiismo-una-fase-superior-del-reformismo-chino
      https://elpais.com/autor/xulio-rios-paredes/
      https://ctxt.es/es/20220501/Firmas/39593/xulio-rios-Xi-Jinping-china-democracia-partido-comunista.htm]

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