A demagogia e os seus apoiantes


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Vejo este naco de programa do “Expresso” e fico estupefacto com a desfaçatez (justifica-se ver o breve trecho que liguei). O locutor, dirigente do PS, recupera o tópico de que Passos Coelho mandou os portugueses emigrar – algo que nasceu de uma sua resposta a uma entrevista sobre professores partindo para Angola (e outros países africanos). Eu na época era professor em África, muito me interessei sobre o assunto e fui ver o que o PM havia dito. E era a óbvia a deturpação que lhe faziam (sobre isso escrevi “Passos Coelho e a emigração dos professores“, e “O novo mergulho do Tejo” – a propósito de Rebelo de Sousa ter “surfado” essa deturpação demagógica -, e um texto em que procurei analisar as razões de tamanha aldrabice generalizada, “O Emigrão“).

 

Enfim, o que este tipo, dirigente do PS, agora diz na tv é uma vergonha: há uma década os portugueses eram obrigados pelo governo a emigrar, agora a emigração portuguesa é virtuosa. Mas é tão escandaloso, no conteúdo e na forma, que tive de ir pesquisar quem é este indivíduo a que o jornal “Expresso” dá voz. E nisso concluo:

 

eu tenho familiares e amigos simpatizantes do PS. E ao longo da vida conheci muitos simpatizantes, alguns militantes e até um ou outro dirigente da “nuvem socialista”. E faz-me sempre imensa confusão como é que não têm vergonha disto, deste tipo de gente (e bem azedei nisso durante o longo socratismo). Não só por estas vergonhosas declarações. Mas também devido a quem se trata. Pois este demagogozito – que irá longe, não haja dúvidas -, chama-se João Torres, foi este ano eleito secretário-geral do PS com 93% dos votos. Ou seja, os simpatizantes, militantes e até dirigentes a que aludo são este tipo, aprovam-no efusivamente. E para além desta tralha que tem não vergonha de ir dizer ao “Expresso”, este João Torres foi aquele secretário de Estado do governo anterior que quis contratar um seu querido e mui especial amigo, um viril capitão, como motorista pessoal. Coisa que o Exército terá negado, recusando o destacamento do seu oficial para tais funções, mas não posso aventar as razões para tal decisão.

 

É este rapazinho (à falta de melhor termo) que 93% dos “simpatizantes, militantes e até dirigentes” escolhem como secretário-geral adjunto. E aplaudem-no, apoiam-no. Nele confiam. Nestas asneirolas que diz na tv. E em tudo o resto…

14 comentários em “A demagogia e os seus apoiantes”

  1. O elenco da plateia é sempre o mesmo, sempre de uma corrente única, onde não existe contraditório, e quando existe é sempre alguém que faz de “polícia bom polícia mau”
    Basta correr a maior parte nos canais de informação tanto na TV com na rádio e é sempre o mesmo.
    Ontem estive toda a tarde noite a acompanhar a emissão de um deles que veio exportado da América e foi uma coisa de outro mundo.
    A equipa de comentadores estava bem composta por apoiantes do partido lula, colocaram um apoiante do partido Bolsonaro a jeito deles ( um que fala tudo o que lhe vem a cabeça e que depois serve para passar por mentiroso e distribuidor de fale news) e Sr. Já com assento nesse canal, com apelido calafa.. que enquanto existiu incerteza no resultado dava a entender que estava moderado, mas quando se aproximava o desfecho e era quase certa a vitória de quem ganhou, acabou por tirar a capa e mostrar que era só mais um.
    Uma vergonha, reportagens feitas apenas nos locais de concentração dos apoiantes do polvo, desculpe, do lula. Etc
    A cereja no topo do bolo, foi um tal de residente desse canal que estava em São Paulo, de apelido algo parecido com “pevides”, colocado na Avenida Paulista mas num plano que dava a entender que naquele local só haviam “petistas” e que naquele local ainda conseguiu entrevistar uma cidadã portuguesa, deputada do PS, que ali se havia deslocado para segundo ela ” viver um momento único” em que a democracia (da cor vermelha estava finalmente a chegar).
    Já quase no fim da emissão um também emissário daquele canal, mas que estava no Rio de Janeiro, interpelou um grupo de cidadãos que ali se encontravam, só que os mesmos não eram “petistas” e então ouviu o que não queria, como por exemplo, de que ” o canal que representava era imparcial e que ajudou o “petista” e ainda que o PM cá do sítio, o chefe do partido da mesma cor, não tinha nada que apoiar o petista, porque quem apoia ladrão……,
    Diz-me com quem andas e dir-te-ei que m és parece-me actual
    Enfim, um degredo.

  2. Em relação a emigração. Não foi só o Passos Coelho. Alexandre Mestre, Secretário do Desporto e o Miguel Relvas tiveram também várias declarações nesse sentido.
    Informe-se melhor!!
    E por muito que se goste ou não da figura do João Torres, também não lhe fica bem a si jpt insinuar que o fulano é gay.

    1. Diante destas miseráveis declarações deste João Torres sobre a emigração portuguesa (e assim sobre a sociedade portuguesa) e do perfil de governante que o indivíduo apresentou o que lhe ocorre é convocar-me, usando o imperativo, para que me informe melhor? é isso que lhe ocorre? É uma dupla tipicidade, a da abjecção anónima na internet e da abjecção dos adeptos socialistas (PS, entenda-se). A única coisa a que você (e vocês) acorre(m) é a defender seja quem for, seja o que for, do PS. Mesmo este tipo, nestes propósitos. Então:

      1 – O meu postal é explícito (ou seja, guarde lá o seu imperativo para os da sua laia). Digo que “O locutor, dirigente do PS, recupera o tópico de que Passos Coelho mandou os portugueses emigrar – algo que nasceu de uma sua resposta a uma entrevista sobre professores partindo para Angola (e outros países africanos).”. Eu não disse que se esgotou nisso, mas que começou. _Mais, e aduzo o que apenas aflorei: por deveres profissionais acompanhei várias escolas com paralelismo pedagógico com Portugal, o funcionamento de algumas, a construção de outra, a presença e deslocação de inúmeros professores portugueses – do ensino pré-primário, básico, secundário, universitário – para Moçambique (e, por arrasto, para outros países africanos). E também fui professor nessa condição expatriada. Ou seja, quando esta polémica surgiu fui ler com atenção – sobre isso escrevi (nos postais que aqui elenquei e noutros que nestes estão elencados). E transcrevi as declarações do então PM.
      Mas mais ainda, aquilo que você, anónimo, vem agora convocar, e invectivar-me para que me informe, as declarações de Relvas e do sec. da juventude, foi assunto de um postal meu [ https://ma-schamba.blogs.sapo.pt/1324370.html ]. Onde concordei no cariz de patacoada descabida do esquecível secretario de Estado e a neguei às declarações de Relvas (que foram produzidas em Maputo), as quais não tinham o sentido que lhes foi dado. Goste-se ou não do homem. (Estava em Maputo, encontrou-se com a “comunidade” portuguesa, louvou os emigrantes, isso foi usado pela imprensa e adversários políticos para a chicana política). Escrevi-o (e liguei agora o texto) há 11 anos! Tire lá a mão da anca mais o seu imperativo.

      Já agora, e para que você se informe melhor, deixo-lhe o que António Costa disse sobre a mesma matéria [https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/antonio-costa-sugeriu-aos-professores-de-portugues-sem-colocacao-que-emigrem], grosso modo similar ao que Passos Coelho tinha dito (sem que a clique de jornalistas avençados ou militantes tivesse usado para fazer campanha política), apenas com a diferença que não estava no meio de uma enorme crise financeira (e de um verdadeiro programa de reestrurturação estrutural).

      2- quanto à segunda invectiva: eu nunca insinuei que alguém seja “gay”. Se é relevante para a questão explicito (ou insinuo) que alguém é homossexual. É algo bem diferente. E nada insinuei – na imprensa (e aqui deixei uma ligação – mas você não lê os textos, no afã de vir defender os trastes do seu partido) foi então escarrapachado que o sec. de estado quis contratar como motorista pessoal um capitão com o qual tinha uma relação pessoal e íntima. Penso ser evidente do que se trata, apesar da elisão da explicitação mediática, ainda presa a eufemismos nestas matérias. Para mim é a mesma coisa do que me disserem que um qualquer jotinha ascende a ministro e quer que o Exército lhe destaque como como motorista uma capitã com o qual tem uma “relação intíma”. É inadmissível, é ordinário. PAra falar como um ilustre socialista é de “javardo”. Seja ele dado à felação ou ao cunilingus.

      Enfim, anónimo do PS, vá bardamerda

      1. Deixe-se de merdas de psicopatias, homofobias e amores platónicos. Vá, sente-se! Hoje é dia de beber jolas como se não houvesse amanhã.

  3. Masoquismo puro “ouver” este gado…
    Tentar ( só tentar, infelizmente…) “lixá-lo” nas urnas…
    JSP

  4. “(…) asneirolas que diz na tv.” Devo discordar. “Asneirolas” diz e faz um inconsciente, um incompetente, alguém que, estando de absoluta boa-fé convencido da justeza disso que diz ou faz, labora num erro ou simplesmente não está à altura do que faz. Mas age e erra de boa-fé.
    Aqui há muito pior: há dolo. Há nepotismo, venalidade, absoluta desvergonha, ausência de escrúpulo, impune descaramento, certeza do desfecho e firme vontade de que seja esse. Já nem há cega fidelidade ideológica. Porque já nem ideologia verdadeiramente haverá. Há o que tiver que haver, em cada momento, para atingir um fim: o repetido, deliberado, impenitente e insaciável sacrifício de um país aos interesses de um partido, de uma família política, que tudo fará para se eternizar no poder e na generosa gamela que este representa.
    Que o povo – o Soberano – reiteradamente goste que assim seja, entristece, mata a esperança. Mas não os desresponsabiliza: nem a ele, Soberano, nem a essa gente.
    Nem que apenas na distância, aos olhos da História.

  5. Como se V. Exa. não tivesse já apoiado outros especimens semelhantes de outras cores, alguns dos quais em funções, com resultados que estão à vista.

    É incrível como a tralha nos parece um poço de virtudes quando pintada da nossa cor.

    Diz o roto para o nu: de que te vestes tu.

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