Ler (21)


Pedro Correia,

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Três incursões à Feira do Livro de Lisboa. A terceira, ontem, com direito a aguaceiro: é da praxe a chuva de quase-Verão, com vento a condizer, neste certame que tanto apaixona alfacinhas e visitantes de outras paragens.

Este ano mantêm-se os 340 pavilhões, agora em representação de 981 chancelas editoriais. Ampliou-se o espaço de comes e bebes. E é visível que muita gente não se limita a deambular pelo Parque Eduardo VII: abundam os sacos de compras. 

Abraço um dos meus editores (Rui Couceiro, da Contraponto). E também o João Severino, parceiro de há longos anos, desde os tempos de Macau: está no pavilhão da Âncora com o seu recentíssimo livro de memórias, Recordador Olex – acompanhado do João Paulo Diniz, figura histórica da rádio portuguesa, que pôs no ar a senha do 25 de Abril aos microfones da Rádio Renascença. Há quase meio século.

 

Reencontro o José Manuel Barroso, velho camarada das lides jornalísticas. Deparo com a Helena Sacadura Cabral felizmente muito afadigada a dar autógrafos: interrompo-a por uns segundos para lhe dar um beijinho, satisfeito por a ver em boa forma. Sinto também orgulho ao ver as minhas amigas Filipa Martins e Maria Inês Almeida sempre com sucesso junto dos leitores.

Cruzo-me com gente conhecida. Pacheco Pereira sobe e desce a alameda, nervosamente: lembra-me a Luísa do poema “Calçada de Carriche”, de Gedeão. Tozé Brito conversa, descontraído, com quem o aborda: os anos não parecem passar por ele. Saúdo um sorridente Júlio Isidro: «Viva, Senhor Televisão!»

Cumprimento a Anabela Mota Ribeiro, com quem me cruzei há largos anos no histórico edifício do Diário de Notícias quando o jornal vivia um dos melhores períodos de sempre, em absoluto contraste com o actual.

 

E trago livros, claro. Entre outros, estes que aqui mostro (um deles foi-me oferecido): Tempestades de Aço, de Ernest Jünger; Liderança, de Henry Kissinger; O Dever de Deslumbrar (biografia de Natália Correia, escrita pela Filipa); Paralelo 42, de John dos Passos (pechincha do dia: apenas 8 euros num alfarrabista). 

Nas filas de autógrafos, ontem a maior era – de longe – a do José Milhazes. Elogiado, incentivado, acarinhado e fotografado por um vasto público. Fiquei satisfeito por o ver imerso nesta onda de popularidade, rubricando exemplares das suas obras no recinto do conglomerado Leya. Trago prova do que vi. E deixo testemunho de uma frase que ali escutei: «Slava Ukraini!»

Nada mais apropriado.

 

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24 comentários em “Ler (21)”

  1. Nas filas de autógrafos, ontem a maior era – de longe – a do José Milhazes. Elogiado, incentivado, acarinhado e fotografado por um vasto público.

    Hmmm. Será que, daqui a uns anos, se irá candidatar a Presidente da República? Eu não me admiraria…

  2. Pois. Conheço melhor do que ninguém, o Milhazes. O homem que em 1977 dizia ” Estaline acima de tudo “. Foi pena não estar à venda o livro que ele publicou sobre o ” Milagre de Fátima “, onde afirmava, que a queda da União Soviética se deveu à Nossa Senhora de Fátima. Dá-me a entender que a Senhora de Fátima esgotou os milagres e lá deixou o Putin, que nada agradecido, virou-se para a Igreja Ortodoxa.
    Mas o Zá Milhazes, o homem de Estaline, é que a sabe toda….

    1. Migang, isso de vedetas a presidentes não é para todos.
      Que pena o milhazes não saber mais nada sobre os fins/terminus dos conflitos, agora é que
      dava jeito, até se podia fazer bons orçamentos de defesa.
      E vendo bem os milagres para acabar os conflitos armados, nunca chegamos a perceber por que razão é que o milagre não é feito para não haver o conflito.

      1. Em Portugal os presidentes vão mudando.
        Ao contrário do que acontece na Rússia, onde é o mesmo desde 2000 (fez um “intervalo” como primeiro-ministro fictício durante quatro anos e regressou em 2012).
        Ao contrário do que acontece na Bielorrússia, onde é o mesmo desde 1994.

          1. Essa dos comunistas já nós conhecemos, a dos reis e emires nada sabemos.
            E a propósito do rapaz da Coreia do Norte, julgo que a raivinha do Pedro Correia é não ter sido convidado para a Conferência da “Ideia Juche”, no tempo do pai, há uns anos em Lisboa, no Hotel Ritz.

          2. O tretas das encomendas nem no dia de Portugal se fica por vender mais umas da Bielorrúsia e Coreia do Norte riscadas.

          3. Dá-me gozo ver como estes estalinistas até tremem de fúria ao verem uma imagem do Milhazes.
            Se pudessem, até lhe serviam um chazinho de polónio.

          1. ‘bora com o Milhazes a presidente, o outro também foi palhaço e agora é mais conhecido que o batatinha.

  3. Caro Pedro,
    Bons livros e de certeza que levou outros tantos bons que não mostra Aguarda-se o resumo dos mesmos daqui a uns tempos
    Este ano, como todos os anos, também cumprimos a tradição de ir em família. Livros para todos, desde infantis, juvenis, romances e biografias. Quase tudo nas promoções
    Só foi pena não poder ir à hora H

    1. Sempre gostei de ir à Feira, como leitor e também como autor. Creio ter deixado aqui relato e crónica das minhas deslocações em todos estes anos, excepto durante o pesadelo da pandemia, em que não se realizou.

  4. 1968. D.Quixote.Livros de Bolso,Poesia,O’ Neil,Carlos de Oliveira,Vinicius…
    Restos de Sartre,O Existencialismo é um Humanimo,Prefácio do não-sartriano Vergílio Ferreira.
    Restos de Estruturalismo,Antropologia Lévi Strauss,textos sobre o Estruturalismo,Prado Coelho Júnior já brilhava,O Foucault das palavras.
    Acabou.Nem gâmbias nem paciência. Alfarrábios onnet,há atentos e dedicados,alguns.

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