Leituras num palheiro: Em Istambul aprendi que os sabores têm asas


claudiakover,

Os paladares esmurram-nos o estômago como se quisessem ir para além das suas paredes e escorregar pelas nossas veias até tornarem faladores os nossos poros mudos – de quem não está habituado a sentir a comida, mas apenas a comê-la.

 

Vemos o coração pulsar no nosso rosto à medida que as dezenas de corpos, que serpenteiam em diferentes direcções, deixam em nós ecoar os seus odores: perfumes, comida, sujidade ou apenas o suor de quem apalpa um caminho curvo no qual embate noutros corpos, com outros odores, que agora também traz consigo.

 

Olhamos o horizonte que se move de forma inquietante e inspiramos os sons, como se assim conseguíssemos melhor reproduzir as palavras. Aqui temos a certeza de que os sabores têm pernas e asas, os sons podem ser devorados e os cheiros fazem brotar auras de cor.

9 comentários em “Leituras num palheiro: Em Istambul aprendi que os sabores têm asas”

    1. Tem um pequeno “senão”: à excepção dois jovens (e ainda assim refiro-me apenas a uma pequena parcela), ninguém fala inglês. De resto acho que os próximos 4 meses serão fantásticos…até porque vou ter umas aulas de turco 😉 Beijinhos

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