«O cérebro humano é muito maior do que o de qualquer outro animal do planeta. O nosso ADN é apenas diferente em um por cento do dos chimpanzés, os nossos parentes mais próximos, mas o nosso cérebro é três vezes maior. Como é óbvio isso deu aos nossos antepassados primitivos uma enorme vantagem na escala evolutiva. (…) Desenvolvemos a linguagem. Começámos a reflectir sobre a nossa própria existência. Tomámos consciência de nós próprios como criaturas com um passado e um futuro, com histórias individuais e colectivas. Desenvolvemos a cultura: a religião, a arte, a literatura, o direito… a ciência. Mas existe a outra face da autoconsciência. Sabemos que vamos morrer. Imagine o choque que isso deve ter sido para o Homem de Neandertal ou para o Homem de Cro-Magnon ou para quem quer que tenha sido o primeiro a descobrir a terrível verdade: que um dia seria apenas carne. Os leões e os tigres não sabem disso. Os macacos não sabem disso. Mas nós sabemos.»
David Lodge, Pensamentos Secretos
ASA, 2002 (2ª edição). Tradução de Ana Maria Chaves e Rita Pires


Será que mais nenhum animal sabe? Acho que as capacidades dos animais têm sido subavaliadas. Existe evidência da consciência de si em várias espécies, consciência que era considerada exclusiva da humanidade até há relativamente pouco tempo.
De facto, sabemos muito pouco sobre isso. Sabemos muito pouco sobre nós próprios. Sabemos muito pouco sobre quase tudo. Uma vida inteira não chega para saber quase nada.
Uma coisa sabemos, a única certeza da vida de que fala este excerto.
Exactamente, Helena.