Leituras


Pedro Correia,

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«Chega-se a um momento da vida em que da gente que se conheceu são mais os mortos do que os vivos. E a mente recusa-se a aceitar outras fisionomias, outras expressões: em todos os rostos novos que encontra, grava as velhas feições, para cada um arranja a máscara que melhor se lhe adapta.»

Italo Calvino, As Cidades Invisíveis (1972), p. 106

Ed. D. Quixote, 2016 (5.ª ed). Tradução de José Colaço Barreiros

4 comentários em “Leituras”

  1. Para quem nasce os musicos já são mais os mortos que os vivos, o mesmo para os actores de cinema , a televisão a 1 década ou 2 décadas de fazer 100 anos só lá não estamos pelo enorme aumento de produção nas ultimas 2 décadas .
    Com o passado cada vez mais documentado em visual e sonoro para a perenidade quem nasce contactará mais com os mortos que com os vivos também nesses sentidos em vez de ser só pelas letras como no passado.

    Paris 1920
    https://www.youtube.com/watch?v=mgVl6Yk4itw

  2. Italo Calvino em LE CITTA’ INVISIBILI
    All’uomo che cavalca lungamente per terreni selvatici viene desiderio d’una città. Finalmente giunge a Isidora, città dove i palazzi hanno scale a chiocciola incrostate di chiocciole marine, dove si fabbricano a regola d’arte cannocchiali e violini, dove quando il forestiero è incerto tra due donne ne incontra sempre una terza, dove le lotte dei galli degenerano in risse sanguinose tra gli scommettitori.

  3. Curiosamente, ainda há dias me assolou este pensamento de que tenho mais mortos do que vivos, neste momento, com quem possa contar. Pais, tios e até a melhor amiga, precocemente roubada à vida….É verdade que a vida traz novos rostos, novos olhares e sorrisos, mas que falta me fazem os “meus”, parentes, amigos com quem cresci, vivi, ri, chorei, discuti, sonhei…Não há como encher este vazio.

  4. um dos meus livros mais mimados , até festinhas lhe faço

    “O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui […] Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.” O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui […] Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.
    escolhi a segunda via

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