
Hoje lemos: Abū al-Qāsim Muḥammad ibn ʿAbd Allāh ibn ʿAbd al-Muṭṭalib ibn Hāshim ou apenas Muhammad, “Al Qur’an”.
Passagem a L-Azular: “É melhor sentar-se sozinho do que em companhia com o mau; e é melhor ainda sentar-se com o bom do que sozinho. É melhor falar com aquele que busca conhecimento do que permanecer em silêncio; mas o silêncio é melhor do que palavras vãs.”
Nos dia que correm o bom, o mau e o sábio confundem-se nos seus pensamentos e acções, podendo um ser todos e todos serem um. Permanecer em silêncio e reflectir é fundamental. E é um truísmo evidente e comprovado que, sendo o silêncio de ouro, não se deve desperdiçar em banalidades. Pensar no que se diz antes de traduzir o pensamento em palavras é um dom que, apesar de estar fora de moda, não abduz de modo algum o mérito da prática.
(Imagem Google)

do Granadino Abū al-Qāsim
El nombre completo árabe de este autor es el de Abu-l-Abbás Ahmad IbnCásim Ibn-Ahmad Ibn-Cásim Ibn-Ax-Xaij Al-Háyari Al-Andálusi Afucái,
titulado Xihab-ad-Din («Estrella Fulgurante de la Religión»). Por sus textos en castellano sabemos su apellido español pero no su nombre cristiano: se llamaba Bejarano o natural de Béjar (actual provincia de Salamanca), de donde quizás provendría su familia, aunque es más probable que adoptaran este apellido castellano para disimular su origen «cristiano nuevo», en Granada, o tras la dispersión de los granadinos en 1570
Ok. Interessante.
Lá isso é verdade, é preferível ficar calado e passar por estúpido do que abrir a boca e tirar todas as dúvidas.
Aí é que está o busílis. Nunca se pode ter a certeza se falamos para “tirar todas as dúvidas” ou se para adquirir muitas mais do que as que anteriormente tínhamos.
Pode duvidar-se da existência de outras mentes, dos corpos dos seres humanos, até da inteligência dos filósofos – mas nunca da existência de um “Eu” que duvida.
De um “Eu”? Então e dos outros todos que são os seus próprios ” Eus”?
Prontos tinha de ligar o complicómetro.
Não sei se sabe, mas as mulheres não são complicadas, apenas estão sempre 1km à frente.
Duvido, não acredito que haja trelas com esse tamanho.
A sua provecta idade não o deve impedir de recordar o comercial de um campanha de sensibilização para as crianças viajarem sempre nos bancos traseiros dos automóveis. Um garoto num carrinho de esferas, com um ” pendura” mais novinho agarrado à cintura dizia com cara risonha : “Comigo a criança vai sempre atrás!”
No meu caso é o cão, independentemente do tamanho da trela. Isto de dar trela aos bichos tem muito que se lhe diga.
Seu cartesiano solipsista.
É a sua opinião sobre a minha weltanschauung. Aceito, mas não se esqueça que a verdadeira luz só se encontra nas trevas mais profundas.
Aconselho o ELT. Deve estar quase ( o que são 5/6 anos) pronto para lhe mostrar a incandescência das mais extremas e profundas obscuridades.
Não confunda a luz que brilha com a luz que ilumina. É que a via para a iluminação, apesar de Longa e Árdua, só no fim será cumprida.
Open your eyes, Grasshopper.🦗
Faltou o link, que os olhos em bico já têm. 01r6_zurp
https://youtu.be/Rvu5YcmYhSQ?si=86d_HbH
Então uma senhora (a qual ainda para mais tem todo o ar de ser inteligente o suficiente) a fazer a apologia do maometismo? Ou estou a ver mal?
Apologia do maometismo? Onde?
Só porque não se concorda com muitas coisas, não quer dizer que seja tudo mau e que não se procure o cerne da questão, numa leitura de referência . Também li o Capital, o Mein Kampf, o Livro Vermelho, etc,.
Por vezes fica-se com a sensação de que há pessoas em estado de suspensão, paradas no tempo…
“Por vezes fica-se com a sensação de que há pessoas em estado de suspensão, paradas no tempo…” — Exactamente.
Fico feliz em rever-se na minha resposta. Normalmente os teóricos das conspirações têm explicações mirabolantes para tudo.
Por falar nisso (maus e més e etc) a-a-bola-na-arabia-24634
https://sigaabola.blogs.sapo.pt/sig
Por falar nisso onde? Onde é que eu confundi futebol com filosofia?
Tem razão sim senhora(peço desculpa pelo equivoco), vou alterar o nome do blog para Siga o Corte de Cabeças na Terra do Profeta.
Do seu blogue ?
Seguramente que não tem espelhos em casa. Faz bem.
Tenho pois e muitos. Felizmente refletem apenas o que há para ver. Algo simples e descompassado. Já os seus, se lhes puser um caniche à frente, são capazes de reflectir um Grand Danois com 3 cabeças.
Onde se lê descompassado, leia-se descomplicado. &%€’z corrector
Com antecipadas desculpas a Maria Dulce, hoje deu-me para o nacionalismo.
“Hoje lemos Maomé, pai de Quasim, filho de Abdalá, neto de Abd “o Muttalib”, bisneto de Hashim ou apenas, Maomé “O Corão”.
Começo por anotar que a interrupção da série no bisavô, é apenas para marcar a origem da principal linha dos Kuraisch, uma alta, muito alta linhagem árabe. Mas podiam-se juntar mais 11 gerações, até à 14ª com segurança, e ainda mais duas com elevada probabilidade.
Maomé nasce num clã ilustre de uma tribo dominante mas numa linha empobrecida. Seu pai Abdallah, comerciante caravanista, morrera novo sem ter tempo de fazer fortuna. E seu tio Abu Talib ibn Abd al-Muttalib tinha um cargo prestigiante, era o guardião da Pedra Negra, mas não tinha fortuna. Um parêntesis para explicitar que Abu, significava pai de, como no caso de Muhammad abu Qasim, mas também era um tratamento reverencial muito semelhante ao “tio” de Cascais. Mesmo assim, quando Muhammad, chamado pelo anjo Gabriel, começou a pregação, foram Abu-Talib e Khadjira que o protegeram da ira generalizada dos Kuraish. Khadjira era uma viúva rica da elite Kuraish que deu emprego a Muhammada e acabou por com ele casar apesar de muito mais velha. Novo parêntesis para referir que se atribuem a Maomé de 6 a 12 mulheres e de 4/6 a 15 filhos (a indeterminação deve-se à impossibilidade de destrinçar esposas e filhos de viúvas e órfãos de seguidores que ele protegeu e acolheu em sua casa) mas nenhum filho nem relatos de infidelidade se conhecem durante o seu casamento com Khadjira. Certo é que, mortos Abu-Talib e Khadjira, muitas dificuldades se deparam a Muhammad e, se não tem fugido a tempo para Medina (a Hegira que marca o início do calendário islâmico) certamente teria sido morto.
Acredite ou não, podia continuar por aí fora. Maomé e o início da expansão islâmica são apaixonantes e, opinião pessoal, muito mais tolerantes e menos violentos do que os inícios do império Carolíngio, mais de um século depois.
Uma pessoa civilizada e culta é coisa rara nos dias que correm. Obrigada Francisco. Por este pedaço fascinante de história.
A expansão islâmica apaixonante ?…..não nos faças rir mais. Estuda que ainda vais a tempo.
Pois Maria Dulce, não sei exactamente o que significa esse “emoji” mas, respondo a si para me furtar a agradecer a quem me fez relembrar um momento alto do meu passado de passageiro ferroviário. De muito novo até à meia idade, fui utente habitual da linha do Estoril mas este incidente ocorreu na minha pré-adolescência.
Numa carruagem razoavelmente cheia mas sem passageiros de pé – admirável mundo antigo – uma criança de uns 5/6 anos percorria a coxia, trotando para a frente e para trás, enquanto soltava berros agudos e, não raro, embatia em passageiros que tivessem a desdita de ter o braço sainte do respectivo apoio. Muitos se não quase todos os passageiros, exibiam expressões de desaprovação e já se ouviam comentários em surdina, enquanto os putativos pais, sentados à minha frente, mantinham uma passividade embevecida.
A dada altura, um passageiro não se conteve, agarrou a criança por uma braço e gritou-lhe qualquer coisa como “cale-se já, vá se sentar e pare de chatear”. Eu, que estava em ponto de ebulição, não me contive e disse alto bom som:
– Não seja tão duro com a criança. Não vê que é órfã e não tem quem lhe dê educação.
Pois, veja lá, foi do que me havia de lembrar hoje, vá lá saber-se porquê.
O Emoji significa DUH, um revirar de olhos; eu normalmente uso-o quando a estupidez travestida de grande conhecimento é tanta que transborda. Não usei como resposta ao seu comentário.
Eu tenho 2 netos pequenos. Adoro passear com eles. Evito restaurantes, por exemplo. As crianças não são mal educadas ou barulhentas, mas são crianças pequenas e mantê-las sentadas durante uma refeição é obra. Não é bom para ninguém. Para a família, que engole o repasto sem o prazer de o saborear, para os outros comensais que têm todo o direito às suas degustações favoritas na paz do Senhor, para os funcionários , que andam continuamente a tropeçar nos miúdos e finalmente para as crianças, que andam num virote, num arrasto constante para a mesa. Acabo por preferir ficar com eles em casa…
Infelizmente a maior parte dos pais não entende que educação, chá, ou o que lhe queiram chamar, ministra-se em casa. A escola apenas serva para desenvolver nos petizes o interesse pelo conhecimento. E agora nem isso, mas enfim.
Muito obrigado pela explicação. Eu sabia que o “emogi” não era para mim mas ignorava o significado. E desculpe mais uma vez. Prometo que é a última.
Antes de Maomé, os árabes dividiam-se em tribos que se guerreavam ininterruptamente há cerca de dois séculos. Ocupavam zonas, algumas conflituantes, pertencentes a três impérios, todos em declínio, o Romano o Sassânida (Persa) e o Bizantino. Porque guerra era negócio de homens, existia já uma proporção de 4 mulheres para cada homem. Assim, a regra das quatro mulheres para cada homem, além da restrição moral aos haréns – com relativamente pouco êxito, diga-se – era uma medida de higiene social. De facto, num mundo em que as mulheres não tinham direitos, sem a protecção de um homem, a vida era miserável. Uma medida de higiene social, tal como a obrigação de lavar mãos e pés antes da oração, eram medidas de higiene pessoal, a proibição de carne de porco, uma medida de higiene profiláctica (sem sentido extra-religioso, depois de inventados os frigoríficos), a obrigação de descalçar os sapatos, uma medida de higiene habitacional (obrigava à limpeza do chão o que eu constatei pessoalmente na Guiné, onde uma palhota de um fula islâmico estava sempre impecavelmente varrida, contrastando com habitações de papéis cristianizados ou de balantas animistas). É impossível não admirar o senso comum e a maneira como Maomé transformou a sociedade. Critica-se Maomé por, na “sharia” a mulher valer metade de um homem (o seu quinhão é metade do dos irmãos e são necessárias duas mulheres para anular o depoimento de um homem em tribunal) mas esquece-se que, antes dele, as mulheres nem herdavam nem entravam num tribunal. Até os filhos, muito cedo saíam da sua autoridade para a do instrutor religioso e depois do instrutor militar. Não posso deixar de achar apaixonante como, em pouquíssimos anos, Maomé transformou uma sociedade idólatra – só em Meca existiam mais de 200 ídolos – e conseguiu a conversão de uma elite quraish que dominava Meca e vivia em importante parte do turismo religioso.
Adoraria explicar o “Abū al-Qāsim Muḥammad” quem foi Quasim e a sua circunstância, tanto mais que o conhecimento vulgar é que Maomé só teve filhas.
“Disclaimer”:
Sou católico praticante e também reconheço que muito do que acho apaixonante em Maomé e no Islamismo, foi também determinante para que o Islão esteja tendencialmente aberto a teocracias e, sobretudo, à influência de dirigentes extremistas que subvertem a doutrina e levaram às aberrações do Estado Islâmico e do actual Irão.
Mais uma vez obrigada por mais este pedaço de história. Partilho este seu fascínio. A história das religiões é emocionante, mas infelizmente há muito quem confunda o fundamentalismo e fanatismo “religiosos”, com a religião e com os textos sagrados de cada uma delas. Nós temos uma data de costelas islâmicas ( entre outras) e tentar conhecê-las deveria ser obrigatório, numa altura em que tudo é esponjado em nome de um hodierno e bacoco fundamentalismo que todos parecem aceitar implicitamente em todos os aspectos da vida, como se o passado tivesse começado há menos de 10 anos.
Presentemente tenho dedicado algum tempo à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, devido ao impactante crescendo que vem adquirindo. Até ao momento, a consulta de livros e documentários ainda não me conseguiu desbotar a ideia de “culto”…
Bom Domingo, Francisco.