
«As grandes obras literárias são heterodoxas. Em literatura as ortodoxias só criam escritores medíocres e contestadores falhados.»
João Gaspar Simões, A Geração de 70 (1971), p. 136
Ed. Inquérito, s/d (2.ª ed). Colecção Cadernos Culturais, n.º 100

«As grandes obras literárias são heterodoxas. Em literatura as ortodoxias só criam escritores medíocres e contestadores falhados.»
João Gaspar Simões, A Geração de 70 (1971), p. 136
Ed. Inquérito, s/d (2.ª ed). Colecção Cadernos Culturais, n.º 100
Eu por acaso também sou assim. Sou até bastante ortodoxo em relação à minha heterodoxia.
Dele, Gaspar Simões, termino por estes dias a leitura da Vida e Obra de Eça de Queirós (assim, infelizmente, grafado o apelido). Este que agora aqui traz será decerto oportuno complemento. Desconhecia-o, mas (verdadeiro serviço público, o de alfarrabista) já está encomendado.
Li há muito essa biografia de Eça – muito influenciada pela escola psicológica e até psicanalítica a que estava vinculado Gaspar Simões, à semelhança de quase toda a geração literária da ‘Presença’. Muito interessante, nomeadamente nas tentativas que faz de “psicanalizar” a obra do grande romancista, fornecendo elementos credíveis – a relação distante que manteve com a mãe relacionada com o perfil nada lisonjeiro das suas personagens femininas.
Muito interessante também, dentro da mesma óptica, a biografia de Fernando Pessoa também escrita por ele, cerca de década e meia após a morte do autor do ‘Menino de Sua Mãe’. Creio ser a primeira biografia de Pessoa alguma vez publicada, dando o tom a quase todas as outras.
Ao fazer essa afirmação é muito provável que João Gaspar Simões não tenha lido e conhecido a obra de Céline, em particular voyage au bout de la nuit.
Certamente conhecia. Não tenho dúvida quanto a isso.
Se conhecia, então, não se aplica essa afirmação a Céline. Ela certamente circunscrever-se-á ao movimento designado por geração de 70. Desse movimento o que sobrou na sociedade portuguesa nada mais é que uma ortodoxia bipolar que faz parecer heterodoxia.
A “geração de 70” é a de Eça, Antero e Oliveira Martins.
Sim, o movimento de Coimbra e das conferências do casino. A outra geração, a do orpheu, Amadeo, Almada, Santa Rita Pintor, Sá-Carneiro, Pessoa …, fez passagem rápida como se insecticida lhes tivesse sido lançado.
Porém referi-me à afirmação de JGS.