
«Ah, dizem alguns, mas a língua portuguesa é a única com duas ortografias! Sim? Pois saibam que o espanhol tem 21, o inglês tem 18, o árabe tem 16, o francês tem 15, o sami tem 9, o sérvio tem 8, o alemão e o chinês têm 5 cada e o mongol e [o] quéchua andino têm cada qual 3 variantes. Ortográficas, sim.»
Nuno Pacheco, Acordo Ortográfico – Um Beco com Saída, p. 88
Ed. Gradiva, 2019

Problema deles. O nosso problema é o AO existir e ter sido imposto pela escumalha xuxa.
O PSD também não está inocente. Santana Lopes!
Não esquecer Cavaco Silva.
O Santana Lopes?? Pensava que esse não sabia ler nem escrever.
Efectivamente, provou que não sabia.
Contudo, soube assinar.
Sou contra o AO que não uso (a não ser por “contaminação” descuidada) mas parte do que aqui se comentou denota muita, muita ignorância.
Se Santana Lopes não mentiu (nem acredito nem vejo motivos para isso) a aprovação do OA foi uma das prioridades de Cavaco Silva quando lhe entregou a secretaria de Estado da Cultura. E Santana Lopes não “assinou” apenas. De facto teve de muito labutar para conseguir fazer aprovar a ideia aos Palop e, sobretudo, ao Brasil.
Cavaco entendia que o português estava a ser esquecido e que em universidades, listas internacionais etc., a tendência era no sentido de só se ver o brasileiro. Salvo erro Cavaco disse mesmo que o português, se nada fosse feito, seria o latim do séc. XXI. Santana Lopes ou aderiu ou também assim pensava porque chegou a dizer que não lhe interessava se “facto” tinha ou não “c” – deixava isso para os académicos – tal como não se interessava que o seu apelido fosse, ainda pela Mãe, escrito Sant’Anna.
E não estavam sós. O AO era defendido por Mário Soares, Jorge Sampaio. António Guterres e até Edite Estrela. Certos ou errados – eu acho que errados – não se pode dizer que seriam todos vendidos aos brasileiros e certamente acreditavam ser o melhor para Portugal.
Agora muito mudou. Nem o Brasil liga pêva ao AO nem a maioria dos portugueses que escreve o adopta, embora a tendência talvez esteja a favor do AO devido ao peso escolar e institucional. Mas quando a Microsoft me oferece duas opções para português: “Europeu ou Brasileiro” já não vejo riscos do português se tornar no latim XXI. E Durão Barroso, Guterres mas, sobretudo, Ronaldo, contribuíram para essa sobrevivência. Pelos piores motivos, também o resgate financeiro de 2015 e, por aí, também o português está firme, pois o próximo segue-se em breve.
Sampaio nada tem a ver com isto. É assumidamente anti AO. E ainda recentemente escreveu um artigo num jornal assumindo deliberadamente a ortografia pré-“acordo”.
“‘Foi o Santana Lopes’ ou ‘foi o Cavaco Silva’. Não. Foi também Mário Soares, Jorge Sampaio, António Guterres, até Edite Estrela, que era a especialista da língua do Partido Socialista.”
Isto acima foi publicado e não me apercebi que tivesse sido desmentido pelo que o tomei por verdadeiro. Mas entendo improvável ter sido feita esta informação numa entrevista sem ser questionada pelo entrevistador nem gerado polémica subsequente (se fosse polémica com visibilidade eu ter-me-ia apercebido). Pode de facto ter passado despercebido mas pergunto-me se Sampaio não terá mudado posteriormente de opinião? Não seria o único, muito pelo contrário.
Mas anda tudo sem memória? O AO foi implementado no 2º governo de Sócrates.
Foi sempre deixado na gaveta pelos governos anteriores (até pelos principais jornais e editores, que ainda nos anos 90 se recusaram a utilizá-lo e depois traíram a sociedade portuguesa quando foi imposto pelas mãos dos socialistas, que trataram de o tornar obrigatório nas escolas antes até de ter sido ratificado)
https://sol.sapo.pt/artigo/513353/pedro-s antana-lopes-ver-o-acordo-ortografico-co mo-uma-ced-ncia-ao-brasil-e-um-disparate
Acredito que Santana Lopes se tenha esfalfado para impor o AO90, mas isso não altera a minha opinião.