
«Um dia, ao sair de um banquete, um homem, por sinal dos que haviam tentar transportar os dois defuntos prodigiosos, vacilou e caiu na rua. Julgaram-no bêbado. Não. Atacara-o a peste. E, todo ele bubões que rebentavam, morreu em poucas horas. Os casos de peste sucederam-se logo vertiginosamente. Pessoas caíam e ficavam insepultas. (…) Os pestíferos tombavam no chão, e as procissões desfaziam-se num pânico. Em carros, em cavalos, correndo como podiam, os sobreviventes abandonaram a cidade, de que os corvos, os lobos e os gatos bravos pouco a pouco se apoderaram.»
Jorge de Sena, O Físico Prodigioso (1977), p. 111
Ed. Guimarães, 2014 (2.ª ed)
