![250x[1].jpg 250x[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21916335_ZDCeG.jpeg)
«Os ignorantes têm um grande respeito pelo abismo…»
Judith Teixeira, Satânia (1927), p. 72
Ed. E-primatur, 2019. Colecção Livro B, n.º 58
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«Os ignorantes têm um grande respeito pelo abismo…»
Judith Teixeira, Satânia (1927), p. 72
Ed. E-primatur, 2019. Colecção Livro B, n.º 58
Contemporânea e amiga de Florbela Espanca, eis uma poetisa maior ( na minha modesta opinião, melhor do que a F. Espanca ) mas condenada ao ostracismo pelos moralistas do regime. Fernando Pessoa tinha por ela e por António Botto grande consideração e apreço. Libertária, na senda de grandes vultos da poesia, como Walt Whitman, escreveu os melhores poemas de libertação e decadência ( aliás, Decadência é o título da sua primeira obra ) do séc. XX, que, seguramente, seriam apreciados e enaltecidos por Nietzsche se tivesse a oportunidade de os conhecer! A Minha Amante ( já li, algures, que se trata da viciante cocaína – sendo uma possibilidade, desconheço os fundamentos ) e toda a sua obra poética, é uma ode à luxúria e à decadência dignas de Dionísio! À beleza apolinea da poesia de Florbela Espanca contrapõe-se a beleza dionisíaca da poesia de Judith Teixeira – homoerotica e de teor androgino.
O respeito pelo abismo é simplesmente o que faz dos homens uns canalhas hipócritas – convencidos duma suposta missão e autoflagelados pela consciência da morte.
Se é a arte que imita a vida, então não lhe reconheço interesse algum. Mas se é ao contrário: a vida imita a arte – e se o artista ainda fizer questão de assim viver, então o belo aparece em todo o seu esplendor
Por desrespeito ao abismo,
Anjo Azul