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«O Andes transpunha a barra com o seu carregamento de carne humana, exausta, quase morta, que a América devolvia à Europa – homens que dir-se-ia estarem a mais no Mundo e se arrastavam pelos dois hemisférios como se fossem o refugo de outros homens.»
Ferreira de Castro, Emigrantes (1928), p. 221
Ed. Cavalo de Ferro, 2.ª ed, 2018

Um livro extraordinário, que me marcou imenso e que, de certa maneira, continua actual: a exploração do homem pelo homem.
Jamais esquecerei aquele final.
🌻
Maria
Excelente romance de um autor que tem andado injustamente esquecido. Recomendo a leitura, com urgência. Porque este mundo de pobreza e exploração que Ferreira de Castro aqui retrata continua, infelizmente, a fazer parte da paisagem humana dos nossos dias.
De Ferreira de Castro ficaram-me na memória “A lã e neve” e, sobretudo, “A selva”. Este último é magistral e continua a figurar na minha estante privativa.
O “Emigrantes” nem sei mesmo se o cheguei a ler, apesar do título não me ser estranho e de, quase de certeza, o ter para aí encaixotado.
Reli há pouco ‘A Selva’ e confirmo: é um dos raros romances portugueses do século XX com projecção universal.
Quem leia o tríptico ‘Emigrantes-A Selva-A Lã e a Neve’ não descobre só boa literatura: também toma conhecimento de ambientes e situações dignos do melhor e do pior da odisseia humana de qualquer época.