Leituras


Pedro Correia,

Africa-Minha.jpg

 

«A verdadeira glória dos sonhos reside na sua atmosfera de liberdade ilimitada. Não é a liberdade do ditador, que impõe a sua vontade ao mundo, mas a liberdade do artista, que não tem poder, que é virgem de poder.»

Karen Blixen, África Minha (1937), p. 78

Ed. Relógio d’ Água, Lisboa, 1994. Colecção Ficções. Tradução de Ana Falcão Bastos

0 comentários em “Leituras”

  1. Um dos livros / filmes da minha vida.
    África. Um lugar mágico, onde o conceito de liberdade nunca foi tão controverso.

    1. Belíssimo livro, sobre um tempo irrepetível. Aliás todo o livro decorre com essa noção clara da parte da autora: a do confronto com o espaço, que parece ilimitado, com o tempo cada vez mais exíguo.
      E, no entanto, a casa dela ainda lá está, ao fim destas décadas. Bem preservada, ao que se diz. Tornou-se até atracção turística, desde o sucesso mundial do filme.

  2. e não é artista quem quer. Um filme admirável com desempenhos notáveis e paisagens tão belas,sóo pode ter sido inspirado num livro a condizer.

  3. África, minha terra.
    Onde o bicho corre
    Vive e cria
    Luta e morre.

    África, terra Mãe
    Oh ironia
    Da nossa Era
    Que da mesma Eva
    nos corra o sangue
    Na nossa Veia.

  4. “I had a farm in Africa at the foot of the Ngong Hills. The Equator runs across these highlands, a hundred miles to the north, and the farm lay at an altitude of over six thousand feet. In the day-time you felt that you had got high up; near to the sun, but the early mornings and evenings were limpid and restful, and the nights were cold”

    E assim começa uma viagem inesquecível por África, pelas mãos da baronesa Blixen. Um livro e um filme absolutamente imprescindíveis.
    Belíssima escolha, a de hoje.

    1. Um dos mais belos livros que li nos últimos anos. E sem dúvida um dos melhores parágrafos de abertura que tenho lido desde sempre.
      «Tive uma fazenda em África, no sopé das montanhas Ngongo.» Esta tornou-se uma das mais célebres frases iniciais da literatura do século XX.

      Aproveito para trazer aqui outra citação desta deslumbrante obra de Karen Blixen:
      «A arte de escutar uma narração perdeu-se na Europa. Os nativos de África, que não sabem ler, ainda praticam essa arte. Se lhes começar a contar “Uma vez um homem caminhava por uma planície e encontrou outro homem”, eles começam a escutar atentamente, com os espíritos a seguir o trilho desconhecido seguido pelo homem na planície.»

      1. Não propriamente o livro. O tema.
        A minha terra. A terra do meu despontar.
        Quente, ensanguentada, mártir, meu eterno amor.

        Ouço o teu canto.
        O mesmo manto,
        cobre-te o pranto
        duma criança,
        que não alcança.

        África, terra amada.
        Eu sou teu,
        sou o teu povo.
        Sou a senzala,
        a negritude,
        o pirão e funge.

        Sou os tam tans
        do teu batuque
        quebrando a noite.
        Sou a impenetrabilidade,
        do fatalismo
        da tua gente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *