"Um homem que mandava nos bombeiros, três ou quatro políticos, uns técnicos de uma direcção qualquer do ministério que devia interessar-se pelas florestas. Todos na minha frente, com os pés bem fincados no ar, no escuro, eles igualmente escuros, e eu a perguntar-lhes por que é que deixavam o fogo assim à solta ali nos montes, perguntava-lhes se não tinham vergonha de serem tão vândalos que nem a enorme linha de fogo, vagarosa mas mesmo assim voraz, nem isso os fazia vacilar na incompreensível determinação de nada fazerem."
António Manuel Venda, Uma Noite com o Fogo (Quetzal, 2009)

