Leituras


Pedro Correia,

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«Cuba é o “objecto” de Fidel. É ele o seu dono, à maneira de um proprietário de terras do século XIX. Dir-se-ia que transformou e aumentou a fazenda do seu pai para fazer de Cuba uma só fazenda de onze milhões de pessoas. Dispõe da mão-de-obra nacional como bem entende. Quando, por exemplo, a Universidade de Medicina forma médicos, o objectivo não é que eles exerçam livremente a sua profissão, mas que se tornem “missionários”, enviados para bairros-de-lata de África, da Venezuela ou do Brasil, de acordo com a política internacionalista imaginada, decidida e imposta pelo chefe de Estado. Ora, em missão no estrangeiro, estes bons samaritanos tocam apenas numa pequena fracção do salário que lhes pagaria, em circunstâncias normais, o país de acolhimento, ficando a parte mais significativa à disposição do governo cubano, que assume um papel de um prestador de serviços. Do mesmo modo, os hoteleiros estrangeiros, franceses, espanhóis ou italianos, que contratam pessoal cubano na ilha não pagam eles próprios aos seus funcionários, como acontece em qualquer sociedade livre: pagam salários ao Estado cubano, que factura esta mão-de-obra a bom preço (e em divisas), antes de atribuir uma parte ínfima aos trabalhadores (em pesos cubanos, que pouco valem). Esta variante moderna de escravatura não pode deixar de lembrar a relação de dependência que existia nas plantações do século XIX em relação ao dono todo-poderoso.»

Juan Reinaldo Sánchez, A Face Oculta de Fidel Castro, pp. 180-181

Ed. Planeta, 2014. Tradução de Patrícia Xavier

0 comentários em “Leituras”

  1. Nada que não tenha sido noticiado nos media aqui do burgo, quanto ao que se passa com os médicos cubanos que por cá trabalham.

  2. Par não falar dos hábitos, deveras proletários, de só beber Chiva Regal 12 anos…..e fiquemos por aqui.

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