Leituras


Pedro Correia,

 

«As três grandes querelas que desencadearam a guerra tinham-se consumido a si próprias transformando-se no decorrer da luta de apaixonados conflitos entre extremismos irreconciliáveis numa série de batalhas oportunistas pela vitória, ou pela sobrevivência, a todo o preço. Se por um lado a Maçonaria e o liberalismo haviam sido exorcizados, por outro a Igreja aparecia quase prostrada perante a Falange. Mas as aspirações sociais da Falange tinham desaparecido quase tão completamente como o comunismo, o anarquismo e o socialismo. A derrota dos separatistas bascos e catalães não significava que os monárquicos ou os carlistas se encontrassem em condições de impor os seus pontos de vista. Sobre os crânios amontoados desses ideais, um homem frio, sombrio, indefinido, sobrevivia triunfante, como Octávio sobreviveu às guerras civis de Roma. César e Pompeu, Bruto e António, Catão e Cícero – todos eles, a despeito de todo o seu génio, careciam do talento menor de saber sobreviver. Francisco Franco foi o Octávio de Espanha.»

Hugh Thomas, A Guerra Civil de Espanha (1961), p. 494

Ed. Ulisseia. Tradução de Daniel Gonçalves

4 comentários em “Leituras”

  1. Sem qualquer intereesse “clubístico”, e mantendo a devida e composta distância temporal e histórica, o que teria escrito o nosso Thomas sobre D.João II ( aceitando , com estouvado e provinciano optimismo , que o homem tinha ouvido falar em “El Hombre” …) ?

  2. Salvo se vir a provar que Francisco Franco tinha um part-time como mecânico de aviões, parece-me que a comparação com os triunviratos romanos algo excessiva…

    Quanto ao resto, basicamente de acordo com excepção da submissão da Igreja à Falange. No fim da Guerra Civil, a Falange (de Primo da Rivera, com cariz nacional-sindicalista) tinha para efeitos práticos desaparecido.

    1. Foi feita em farinha. Com o mesmo processo de trituração expedita que já fora utilizado em 1935 por Salazar para se livrar da incómoda rapaziada nacional-sindicalista liderada por Rolão Preto.

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