Leituras


Pedro Correia,

 

«Logo que rebenta a guerra [I Guerra Mundial], os políticos portugueses aproveitam imediatamente a situação para ensaiarem uma aproximação à Inglaterra, entrando no conflito. A ideia dos republicanos é desviar as atenções das suas falhas de governação, garantindo a sua permanência no poder. Mas os britânicos, monárquicos convictos, olham com desconfiança para a jovem república, imposta por meio de um regicídio, e ignoram as iniciativas diplomáticas lusitanas para a entrada na guerra. (…) O Governo de Bernardino Machado decreta, a 18 de Agosto de 1914, o envio de dois destacamentos para as grandes colónias africanas de modo a garantir a sua segurança. (…) Assim, a 11 de Setembro, saem de Portugal as duas forças expedicionárias, uma para Moçambique e outra para Angola, esta última comandada por um veterano da guerra colonial de Angola, o tenente-coronel Alves Roçadas.»

Rui Natário, As Grandes Batalhas da História de Portugal (1914), pp. 370-71

Ed. Marcador, 2013

9 comentários em “Leituras”

  1. Caro Pedro Correia

    Nas expedições africanas ( ler ” Os fantasmas do Rovuma” ) , que quase não são referidas quando se fala da Grande Guerra, morreram aí tantos ou mais Portugueses do que na frente ocidental. E Von Letow Voerbek (?), nas suas memórias, referia que nunca se tinha preocupado demasiado com a pressão do inimigo, pois se necessário poderia sempre refigiar-se em território Portugês ( Angola e Moçambique ).
    Mas o governo de então impôs esse crime aos portugueses porque “queria participar nos despojos do após guerra” .

    Cumprimentos

    Vasco Silveira

      1. Julgo que há duas razões principais.
        A protecção que nos media se faz à 1º Republica, muito derivado de um sector do PS a ela muito ligado e com peso nos media. E o facto de militarmente ter sido um desastre. Não há uma vitória para contar.

  2. os britânicos, monárquicos convictos, olham com desconfiança para a jovem república, imposta por meio de um regicídio

    Parece-me má História. Tenho as maiores dúvidas que a posição da Inglaterra quanto à entrada de Portugal na guerra tenha sido ditada por considerações sobre a natureza do regime português ou sobre o regicídio que o antecedeu (mas que não o determinou, pois foi dois anos anterior à queda da monarquia). Os ingleses são tipos práticos e a monarquia em Inglaterra há muitos séculos que não é absoluta. Esta frase parece-me mais o resultado de preferências políticas do autor do que de um estudo aprofundado da História.

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