«Logo que rebenta a guerra [I Guerra Mundial], os políticos portugueses aproveitam imediatamente a situação para ensaiarem uma aproximação à Inglaterra, entrando no conflito. A ideia dos republicanos é desviar as atenções das suas falhas de governação, garantindo a sua permanência no poder. Mas os britânicos, monárquicos convictos, olham com desconfiança para a jovem república, imposta por meio de um regicídio, e ignoram as iniciativas diplomáticas lusitanas para a entrada na guerra. (…) O Governo de Bernardino Machado decreta, a 18 de Agosto de 1914, o envio de dois destacamentos para as grandes colónias africanas de modo a garantir a sua segurança. (…) Assim, a 11 de Setembro, saem de Portugal as duas forças expedicionárias, uma para Moçambique e outra para Angola, esta última comandada por um veterano da guerra colonial de Angola, o tenente-coronel Alves Roçadas.»
Rui Natário, As Grandes Batalhas da História de Portugal (1914), pp. 370-71
Ed. Marcador, 2013


Parece uma boa leitura para assinalar os 100 anos da guerra.
Sem dúvida, embora esse seja apenas o capítulo final de um livro que acompanha quase 800 anos de batalhas.
Muito esquecidos os combates da Primeira Guerra em Àfrica contra as forças de Lettow-Vorbeck. Que fizeram gato sapato dos Aliados.
Angola 01_Exercito.htm
http://www.momentosdehistoria.com/MH_05_
Moçambique 02_Exercito.htm
http://www.momentosdehistoria.com/MH_05_
Não estão completamente esquecidos. Ricardo Marques escreveu um livro de história sobre essa campanha em 2012: Os Fantasmas do Rovuma.
Não conhecia esse livro. Obrigado.
Caro Pedro Correia
Nas expedições africanas ( ler ” Os fantasmas do Rovuma” ) , que quase não são referidas quando se fala da Grande Guerra, morreram aí tantos ou mais Portugueses do que na frente ocidental. E Von Letow Voerbek (?), nas suas memórias, referia que nunca se tinha preocupado demasiado com a pressão do inimigo, pois se necessário poderia sempre refigiar-se em território Portugês ( Angola e Moçambique ).
Mas o governo de então impôs esse crime aos portugueses porque “queria participar nos despojos do após guerra” .
Cumprimentos
Vasco Silveira
Sim, essa é uma “guerra colonial” de que ninguém fala. Como se nunca tivesse existido.
Julgo que há duas razões principais.
A protecção que nos media se faz à 1º Republica, muito derivado de um sector do PS a ela muito ligado e com peso nos media. E o facto de militarmente ter sido um desastre. Não há uma vitória para contar.
os britânicos, monárquicos convictos, olham com desconfiança para a jovem república, imposta por meio de um regicídio
Parece-me má História. Tenho as maiores dúvidas que a posição da Inglaterra quanto à entrada de Portugal na guerra tenha sido ditada por considerações sobre a natureza do regime português ou sobre o regicídio que o antecedeu (mas que não o determinou, pois foi dois anos anterior à queda da monarquia). Os ingleses são tipos práticos e a monarquia em Inglaterra há muitos séculos que não é absoluta. Esta frase parece-me mais o resultado de preferências políticas do autor do que de um estudo aprofundado da História.