«Não se prova actualmente, mesmo que com atraso, que nós, que a Alemanha é que no fundo ganhou a guerra? É com inveja e admiração que o mundo assiste ao início da nossa obra de reconstrução. Após uma derrota total, fazemos crescer o vigor económico com uma energia transbordante. Voltamos a ser alguém. Não tarda que voltemos a estar no pelotão da frente. E também o Japão conseguiu...»
Günter Grass, O Meu Século (1999), p. 123
Ed. Notícias, 2001 (3ª edição). Tradução de Maria Antonieta Mendonça


Gente sensata, para quem negar valores experimentados não é por si só sinal de modernidade, antes é muito provável cretinice.
Gente séria, porque não crê ter direito a ‘almoços grátis’.
De facto, não há almoços grátis. Nem jantares. Como temos aprendido, de forma bem amarga, nestes últimos anos em que utilizámos de forma errada muito dinheiro que nos chegou da Europa, desperdiçando fundos estruturais em sectores não-competitivos da nossa economia e das nossas empresas.
A bem da verdade. Quer a capacidade de produção alemã quer a japonesa, ao contrário do que se pensa, não ficaram completamente destruídas. Boa parte das fábricas permaneceram de pé.
Após a guerra, a Alemanha e o Japão receberam enormes auxílios das potências capitalistas vitoriosas, com a intenção também de travar o avanço dos países comunistas de leste.
Entre 1949 e 1952 a Alemanha recebe dos EUA, em valores actuais, cerca de 30 bilhões de USD, boa parte deste dinheiro diz respeito ao plano Mashall. Já O Japão só recebeu 16 bilhões.
Ambos possuíam uma vantagem no seus sistema educacional que era capaz de formar técnicos e cientistas que pudessem ajudar ao crescimento da nação.
A economia alemã entre 1946 e 1950 cresce mais que a japonesa, pelo facto de receber mais auxílio que estes últimos.
Entre 1960 e 1970 os nipónicos, devido à reestruturação industrial e à aposta na inovação, começam a conquistar o mundo com produtos baratos e inovadores e superam a alemanha, atinjem crescimentos económicos na ordem de 17% ao ano.
Afinal, nesta matéria, que guerra ganharam os alemães que tivesse sido ganha por si mesmos? Pelotão da frente? Que pelotão? O que é isso de estar na frente?
Presunção e água benta cada um toma a que quer.
Os EUA aprenderam melhor do que a Europa as lições da I Guerra Mundial. Não era do interesse estratégico dos países vencedores atirar os derrotados para a miséria. Esse foi um erro histórico cometido pelas potências que se reuniram em Versalhes, em 1919, sobre os despojos da guerra, humilhando sem necessidade os povos que saíram derrotados desse sangrento conflito. Com isso conduziram o mundo a uma guerra ainda pior, escassos vinte anos mais tarde.
Há uma diferença enorme entre a geração vencedora de 1918 e os estadistas que emergem das cinzas em 1945. Os resultados ficaram bem à vista nas décadas seguintes: uma nova guerra no primeiro caso; décadas de paz e prosperidade no segundo.
Pedro,
é parcialmente correcto o que afirma. Mas eu pergunto-me se o facto da URRS de então não tivesse feito os progressos que fez expulsando os alemães, conquistando territórios que não lhes pertencia etc., se essa complacência teria existido (???). Aliás, a Alemanha não revelou nenhuma, absolutamente nenhuma, na forma como condiziu as duas guerras que provocou e até na forma como elimina toda a oposição também na área dos sudetas (Reinhard Heydrich era o cabecilha).
É sabido também que o Japão convinha como aliado dos EUA, pois tinhamos a URSS e a China à porta, Tendo a URSS tornado uma potência nuclear em 1949, para supresa de Truman (não se esqueça que a guerra da Coreia já é uma consequência disto mesmo).
Mais ainda, ainda que bem informados os serviços secretos alemães sobre as intenções da URSS, nada coibiu a alemanha de se colocar na boca do lobo. E ainda por cima, para que a ex RFA não fosse engolida pela URSS, foi sangue aliado que se derramou para evitar tal acontecimento, pois a Alemanha, em Berlim, tinha sido trucidada pela máquina de guerra soviética.
Se a Alemanha existiu como nação independente deve não à estupidez da guerra que provocou e iniciou mas à bravura daqueles que ela mesmo atacou.
O grave problema alemão está bem explícito na obra de Leon Uris (Armagedon). Eles que aprendam de si mesmos. Toda a questão geopolítica surgida no pós-guerra foi consequência da irracional acção alemã, e isto é um facto. E eles muito devem ao mundo e à Europa por se encontrarem em pé.
A URSS, que tinha sofrido graves perdas humanas contendo o avanço alemão e desmantelando a resistência alemã, não foi compensada nas diversas reuniões tidas com Roosevelt e Churchil, quando Stalin solicitava um rápido desembarque das forças aliadas na Normandia (que não ocorreu em tempo útil para a URSS). Fruto destas jogadas do ocidente, Stalin perde a confiança nos aliados e decide engolir toda a área de que teve posse até 1999 (tendo a DDR caído em 1989). E sobre este facto, saiba também que se os soviéticos quisessem, após a queda do muro, tinham colocado a Europa a ferro e fogo com a intervenção que poderiam ter levado a efeito na ex-RFA.
Bem, mas eu acredito no triunfante Imaculado Coração de Maria. E o que se passou a leste, incluindo no período de João Paulo II, não pode ter outra explicação que não a veiculada nas profecias.
Mas calma aí, o perigo não cessou, e a Alemanha, por sua soberba e vingança mesquinha, ainda não sabe por onde anda e qual é a sua casa.
“Esse foi um erro histórico cometido pelas potências que se reuniram em Versalhes, em 1919, sobre os despojos da guerra, humilhando sem necessidade os povos que saíram derrotados desse sangrento conflito. “
Como se pode escrever uma coisa destas?
Habitual em pessoas humanistas que são incapazes de enfrentar as questões da violência, destruição e pura força militar inerente à estabilidade -prequilitante- da Europa no pós Segunda Guerra.
A humilhação Alemã da Segunda Guerra foi muito maior que primeira.
E pior económicamente ficou. É preciso lembrar a fome na Europa Central de 1945 e 1946?
A Alemanha do pós Versailes não estava intimidada, nem os Russos/Soviéticos tinham conquitado Berlim violando todas as mulheres que encontraram na capital Alemã.
O básico para a não violência foi simples: Um país destruído e partido em 2 pedaços e sem liberdade própria por força das armas no meio de uma nova Guerra.
A destruição que ocorreu e ameaça de mais violência é a primeira razão para paz na Europa nada mais.
Quando muito pode-se dizer que o mundo dos negócios livres – por oposto ao mercantilismo dos anos 30 e dos impérios coloniais- contribuiu para não se recuar aos países semi-fechados de antes da guerra e para anular parcialemnte as velhas relação de troca económica/poder entre grandes e pequenas potências ao nível económico.
Devemos ter lido manuais de História muito diferentes. Naqueles que eu li, concluo que houve atitudes diametralmente opostas das potências vencedoras face à Alemanha após as duas guerras mundiais.
Na primeira, de acordo com as cláusulas fixadas no Tratado de Versalhes, a Alemanha foi forçada a pagar 269 milhões de marcos aos países vencedores mais 12% do valor total das suas exportações anuais.
Na segunda, por efeitos da Doutrina Truman, os EUA transferiram para a Alemanha 13 mil milhões de dólares em assistência técnica e financeira (cerca de 140 mil milhões de dólares aos valores actuais) naquilo que foi vulgarmente conhecido como Plano Marshall, entre 1947 e 1951.
Os resultados são conhecidos: no primeiro caso a Alemanha afundou-se, a República de Weimar entrou em colapso, a democracia sucumbiu, instalou-se um clima de pré-guerra civil e o nazismo emergiu dessas cinzas; no segundo caso, a Alemanha reergueu-se em moldes democráticos e civilizados, conhecendo o mais longo período de prosperidade da sua história – que se prolonga até hoje.
O que este texto de Grass (escritor de que me cansei logo no primeiro livro dele que li) me faz interrogar é o seguinte:
Porque os fundos comunitários não funcionaram para Portugal como o plano Marshall para a Alemanha e deixámo-nos ficar no pelotão de trás?
Com a nossa entrada para UE note-se que já existiam países industrializados, em particular: Alemanha, França, Itália, Inglaterra.
Significa isto que o interesse subjacente na entrada de outros países na União tinha como objectivo formal torná-los consumidores dos produtos fabricados por estes. É prova do que se afirma o desmantelamento de capacidade produtiva, o estabelecimento de quotas, a subsidiação à não produção, a baixa das taxas de juro assim como o acesso ao crédito que era estimulado, o incentivo ao investimento dos estados como complemento dos subsídios recebidos etc. etc. etc.
Aqui tem, Carlos Faria, uma breve compilação de factos que pretende referir que não se pode confundir os propósitos do plano Marshall com o que foi feito na UE.
Eu até concordaria com o que o vento disse se pela lusitânia não houvesse capacidade de ajuizar o impacte a longo prazo das opções das medidas tomadas com os dinheiros comunitários recebidos… o plano Marshall também não foi só por altruísmo, mas para assegurar estabilidade a oeste para enfrentar a ameaça da influência soviética, só que os alemães não se mantiveram pela via fácil e aproveitaram bem os fundos para criar uma economia forte, por cá não foi assim.
O Carlos não compreendeu que os fundos tinham um propósito específico. E a comparação que establece é desfazada do contexto de minha observação. Entretanto leia o meu diálogo com o Pedro Correia.
Cump.