Leituras


Pedro Correia,

 

«Os charutos que a Cuba comunista produz são um dos símbolos do capitalismo desenfreado, e há quem pague cem dólares ou mais por um charuto de Havana enrolado à mão, o que corresponde a cerca de dois meses e meio de salário da mão que o enrolou. Ou a cinco meses de salário do professor que lhe ensina os filhos.»

Michael Palin, À Aventura com Hemingway

Bizâncio, 2013. Tradução: Francisco Agarez

12 comentários em “Leituras”

  1. Os charutos que a Cuba comunista produz são um dos símbolos do capitalismo desenfreado

    Não vejo como.

    Eles podem ser consumidos por qualquer um, inclusivé por um comunista. O Che fumava charutos.

    Os charutos não são um símbolo do capitalismo, são sim um símbolo do consumo ostentatório.

  2. Sem dúvida que o charuto, no mundo capitalista, é bem o símbolo do “estar bem na vida”. É como que a cereja no topo do bolo, depois de todas as “satisfações”, a que só os endinheirados tem esse direito… Mas é um contrassenso ser um país comunista a fabricar tal produto, ou então deveria fabrica-lo a preços acessíveis!

  3. Sem querer desvalorizar o grande John Cleese, Palin sempre foi o meu “Monty Python” preferido. Vi uma vez um filme realizado e protagonizado por ele, que não tinha nada a ver com humor, mas com a vida de um professor universitário de Oxford, em tempos passados, ao qual se exigia um celibato parecido ao dos padres católicos. Já gostava de Michael Palin, mas, aí, ele conquistou-me de vez.

    1. Este livro decorreu de um documentário da BBC, rodado durante dez meses, em 1999, para assinalar o centenário de Hemingway. MP e a sua equipa percorreram todos os caminhos principais da vida e obra do Nobel de 1954: Illinois, Paris, Itália, Espanha, Key West, África, Cuba, Idaho…
      Recomendável a todos os apreciadores do autor de ‘Adeus às Armas’.

  4. É que eu mais gosto nele, esses escritos e filmes das viagens. Os da Nova Europa são fabulosos. De quando em quando ainda me recordo duma cena num comboio da Roménia. Encontra-se ele com um estudante de Filosofia a ler Cioran. E comenta: “Cioran, um filósofo romeno que defendeu que o único acto livre do homem era o suicídio. E defendeu-a até aos 84 anos”.

  5. Os documentários de viagem do Michael Palin são imperdíveis. Lembro-me de uma fabulosa entrevista dele ao Dalai Lama, com humor e solenidade em doses equilibradas. Fiquei a saber nessa entrevista, por exemplo, que o líder religioso de uma parte considerável do mundo faz colecção de relógios de pulso e adora os shows da Daniela Carra. 🙂

    1. Eheh. Essa ainda não sabia, Ana. Eu achei este livrinho delicioso precisamente por ser fã do Hemingway e há muito sonhar em fazer o circuito que o Palin fez. Gosto muito de revisitar as casas onde viveram grandes artistas e escritores, incluindo portugueses. Deu-me imenso prazer visitar demoradamente a quinta do Hemingway em Cuba. Também gostei de conhecer a casa onde viveu o Kafka em Praga e a casa onde nasceu o Picasso em Málaga. Adorei conhecer a casa da Amália na Rua de São Bento, em Lisboa, e já visitei mais de uma vez a casa onde o Fernando Pessoa passou os últimos 15 anos de vida, na Rua Coelho da Rocha.
      As casas ajudam-nos sempre a ser quem somos. E explicam às vezes muito do que as palavras deixam por explicar.

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