«Os charutos que a Cuba comunista produz são um dos símbolos do capitalismo desenfreado, e há quem pague cem dólares ou mais por um charuto de Havana enrolado à mão, o que corresponde a cerca de dois meses e meio de salário da mão que o enrolou. Ou a cinco meses de salário do professor que lhe ensina os filhos.»
Michael Palin, À Aventura com Hemingway
Bizâncio, 2013. Tradução: Francisco Agarez


Os charutos que a Cuba comunista produz são um dos símbolos do capitalismo desenfreado
Não vejo como.
Eles podem ser consumidos por qualquer um, inclusivé por um comunista. O Che fumava charutos.
Os charutos não são um símbolo do capitalismo, são sim um símbolo do consumo ostentatório.
Sem dúvida que o charuto, no mundo capitalista, é bem o símbolo do “estar bem na vida”. É como que a cereja no topo do bolo, depois de todas as “satisfações”, a que só os endinheirados tem esse direito… Mas é um contrassenso ser um país comunista a fabricar tal produto, ou então deveria fabrica-lo a preços acessíveis!
Para a elite cubana os preços são acessíveis. Mas só mesmo para ela.
Sem querer desvalorizar o grande John Cleese, Palin sempre foi o meu “Monty Python” preferido. Vi uma vez um filme realizado e protagonizado por ele, que não tinha nada a ver com humor, mas com a vida de um professor universitário de Oxford, em tempos passados, ao qual se exigia um celibato parecido ao dos padres católicos. Já gostava de Michael Palin, mas, aí, ele conquistou-me de vez.
Também sou há muito tempo fã do Michael Palin, Cristina. Desde os Monty Phyton, claro. Mas também pelos seus desempenhos em filmes como ‘Um Peixe Chamado Wanda’.
Sem dúvida, uma das melhores comédias jamais rodadas, genial!
Fui pesquisar. Afinal, ele não realizou o filme, mas escreveu parte do guião (baseado no caso real de um seu antepassado) e protagonizou-o. Já o vi há muito tempo, mas penso ser este:
http://en.wikipedia.org/wiki/American_Fr iends
Este livro decorreu de um documentário da BBC, rodado durante dez meses, em 1999, para assinalar o centenário de Hemingway. MP e a sua equipa percorreram todos os caminhos principais da vida e obra do Nobel de 1954: Illinois, Paris, Itália, Espanha, Key West, África, Cuba, Idaho…
Recomendável a todos os apreciadores do autor de ‘Adeus às Armas’.
É que eu mais gosto nele, esses escritos e filmes das viagens. Os da Nova Europa são fabulosos. De quando em quando ainda me recordo duma cena num comboio da Roménia. Encontra-se ele com um estudante de Filosofia a ler Cioran. E comenta: “Cioran, um filósofo romeno que defendeu que o único acto livre do homem era o suicídio. E defendeu-a até aos 84 anos”.
Sem dúvida. Lembro-me da Volta ao Mundo em 80 Dias. Muito recomendável.
Os documentários de viagem do Michael Palin são imperdíveis. Lembro-me de uma fabulosa entrevista dele ao Dalai Lama, com humor e solenidade em doses equilibradas. Fiquei a saber nessa entrevista, por exemplo, que o líder religioso de uma parte considerável do mundo faz colecção de relógios de pulso e adora os shows da Daniela Carra. 🙂
Eheh. Essa ainda não sabia, Ana. Eu achei este livrinho delicioso precisamente por ser fã do Hemingway e há muito sonhar em fazer o circuito que o Palin fez. Gosto muito de revisitar as casas onde viveram grandes artistas e escritores, incluindo portugueses. Deu-me imenso prazer visitar demoradamente a quinta do Hemingway em Cuba. Também gostei de conhecer a casa onde viveu o Kafka em Praga e a casa onde nasceu o Picasso em Málaga. Adorei conhecer a casa da Amália na Rua de São Bento, em Lisboa, e já visitei mais de uma vez a casa onde o Fernando Pessoa passou os últimos 15 anos de vida, na Rua Coelho da Rocha.
As casas ajudam-nos sempre a ser quem somos. E explicam às vezes muito do que as palavras deixam por explicar.