“É o mesmo matar numa trincheira ou num caminho. A única diferença está em que numa trincheira são muitos e num caminho um só.”
Ernesto Contreras, A Terra Prometida (1963)
Livros do Brasil, Lisboa. Colecção Miniatura, nº 148.
Tradução: Sousa Victorino


Boas capas. Agora está na moda fotografias pirosas e tipografia manhosa para agradar ao gosto indistinto de uma classe média analfabeta. Belo marketing… Que tal andam as vendas?
As primeiras capas, se não me engano, eram do grande aguarelista Bernardo Marques. Depois passaram a ser desenhadas, sem perda de qualidade, por Infante do Carmo. As vendas recomendam-se, certamente: não há feira do livro, institucional ou improvisada sem exemplares desta inesquecível Colecção Miniatura.
E a julgar que só eu herdara umas prateleiras destes magníficos livrinhos…
Pois já somos dois, Zé. Herdei vários e tenho vindo a adquirir outros. Gosto de todos.
Somos três. Também tenho alguns, herdados do meu pai (que tinha uma colecção enorme deles).
Vou tentar completar a minha colecção. Ando a fazer por isso. Livro a livro, euro a euro.
Subscrevo. A moda das fotografias nas capas é um autêntico flagelo. Sobretudo quando parece que foram tratadas no Instagram da moda e não se distinguem umas das outras, imitando de forma descarada o estilo das capas de livros comercialmente bem sucedidos…
Isso mesmo. O binómio grandes ilustradores/grandes capas parece estar cada vez mais em desuso. O que é lamentável.
É um gosto ver aqui citado um livro da já justamente lendária Colecção Miniatura. Ali saíram , em selecção cuidadosa, sensata e criativa, autores fundamentais. A capa era o justo prólogo a emoções que não se apagam na recordação de leitores. Quem possui muitos livros desta colecção deve decerto guardá-los como tesouro. Uma atitude inteligente, pois constitui companhia salutar a mais dum título. Daí que seja muito grato ver na net e em blogs, universo onde a razão e o coração da escrita frequentemente se encarquilham, a imagem que aqui deixaram ao leitor. Chapelada.
Sou desde sempre um grande adepto desta colecção – talvez a primeira colecção de ‘livros de bolso’ em Portugal. Tantas décadas depois, estes livrinhos continuam a vender-se aí, um pouco por todo o lado: ainda agora comprei quatro, por um euro cada. Não me esqueço de que alguns livros que me marcaram para sempre foram precisamente desta colecção. Alguns exemplos: ‘O Velho e o Mar’, de Hemingway; ‘O Exílio e o Reino’, de Camus; ‘O Terceiro Homem’, de Greene; ‘Bairro Negro’, de Simenon.
Por falar em livros, parece que os autores da ILC sobre o AO foram finalmente recebidos no parlamento. É pena que não se noticie estas coisas, especialmente os jornalistas que andam sempre com a cidadania para aqui e para ali
http://ilcao.cedilha.net/?p=9423
Seria interessante organizar uma manifestação pela abolição do AO.
Continuarei muito atento a este tema. Não gosto de deixar as coisas a meio. Esta é uma luta a travar até ao fim.