Muito, muito bom. E para relembrar que mais que o dinheiro, o importante são as pessoas.
Como escrevi à tempos aqui, a nossa sociedade evoluiu de forma quase novolinguista: deixamos de chamar empregados aos trabalhadores por conta de outrém para lhes chamar colaboradores. Por outro lado, as empresas deixaram de ver os referidos “colaboradores” como pessoas e passaram a vês-los apenas como números. Os lucros não atingiram as expectativas dos “mercados”? Despedem-se pessoas. Ganha o “capital”, mas perde a honra.
As empresas (e o Governo, para o caso) apregoa que o “capital humano” é o recurso mais importante. Tretas. O capital puro-e-duro, fungível, de notas e saldos bancários em offshores, dos 0,1% para cima ou para baixo na Bolsa é o que conta. Ninguém tenha dúvidas por um momento que seja que hoje, em termos da moral narcísica que sustenta alguns (muitos?) dos gestores encartados de MBA, que os trabalhadores são a mesma coisa que uma máquina: tem os seus custos operacionais e de manutenção. E quando não cumprirem o “target”, troca-se, substitui-se, vende-se a salvado para o sucateiro-geral em que se transformou o Estado Português.
Enquanto a Sociedade permitir que se diga à boca cheia – e com toda a razão, ao que parece – que a obrigação das empresas é tão e somente remunerar os accionistas, não temos futuro. Esquece-se por completo que a função das empresas também é remunerar o trabalho (do patrão ao mais simples indiferenciado), também é alimentar a comunidade. Que as empresas são micro (ou macro) comunidades, com laços societais e parte integrante da vida de quem lá trabalha: que os define, que lhes dá liberdade. Porque quem acha que o desempregado involuntário é livre está muito enganado – é um cidadão diminuído e manietado, impedido de se realizar civicamente. E isso é o maior pecado que um Sociedade democrática pode permitir – que as pessoas deixem, de facto, de o serem.
Estar desempregado é uma tragédia que não merece artiguinhos lamechas como o de Pedro Santos Guerreiro, que, convém não esquecer, no seu emprego de director de um jornal especializado em negócios, foi cumplice, pelo menos por omissão, das circunstâncias que provocaram a situação que vivemos. Não deixa de ser irónico que aqueles que se dizem muito preocupados com o desemprego, são os mesmos que têm defendido soluções que impedem mais investimento e maior criação de emprego, como o “filme” a que temos assistido nos últimos dias, protagonizado pelos srs juizes do Tribunal Constitucional. Os preocupados com o desemprego que acham que temos de reflectir sobre o assunto, não vale a pena maçarem-se muito; para criar emprego só há um caminho: o investimento! Mas não estou a ver quem é que quer investir num país onde o estado consome mais de 50% dos recursos disponiveis. Resta-nos portanto ir assistindo a esta manifestações de pesar que, pelo menos a mim, soam a falso.
Questões macroeconómicas à parte, caro Alexandre, este texto do PSG demonstra algo muito salutar: um jornalista especializado em economia não se interessa só por estatísticas, gráficos e números – também se preocupa com as pessoas concretas e os seus dramas do quotidiano. Algo de aplaudir. Eu, pelo menos, aplaudo.
Mais um grande artigo a favor de mais e mais desemprego.
Quem lê um artigo destes fica a pensar duas ou três vezes se deve mesmo contratar alguém ou investir numa nova área que implique algum esforço e risco.
Hoje o Delito de Opinião está a fazer um grande esforço para não existirem empregos.
Um excelente e muito oportuno texto do Pedro Santos Guerreiro. A reflectir.
Muito bom, de facto.
É apenas uma questão de (em pouco) tempo idêntica situação surgir na Rua Viriato…
Provavelmente. Aliás já sucedeu algo semelhante há um par de anos.
Muito, muito bom. E para relembrar que mais que o dinheiro, o importante são as pessoas.
Como escrevi à tempos aqui, a nossa sociedade evoluiu de forma quase novolinguista: deixamos de chamar empregados aos trabalhadores por conta de outrém para lhes chamar colaboradores. Por outro lado, as empresas deixaram de ver os referidos “colaboradores” como pessoas e passaram a vês-los apenas como números. Os lucros não atingiram as expectativas dos “mercados”? Despedem-se pessoas. Ganha o “capital”, mas perde a honra.
As empresas (e o Governo, para o caso) apregoa que o “capital humano” é o recurso mais importante. Tretas. O capital puro-e-duro, fungível, de notas e saldos bancários em offshores, dos 0,1% para cima ou para baixo na Bolsa é o que conta. Ninguém tenha dúvidas por um momento que seja que hoje, em termos da moral narcísica que sustenta alguns (muitos?) dos gestores encartados de MBA, que os trabalhadores são a mesma coisa que uma máquina: tem os seus custos operacionais e de manutenção. E quando não cumprirem o “target”, troca-se, substitui-se, vende-se a salvado para o sucateiro-geral em que se transformou o Estado Português.
Enquanto a Sociedade permitir que se diga à boca cheia – e com toda a razão, ao que parece – que a obrigação das empresas é tão e somente remunerar os accionistas, não temos futuro. Esquece-se por completo que a função das empresas também é remunerar o trabalho (do patrão ao mais simples indiferenciado), também é alimentar a comunidade. Que as empresas são micro (ou macro) comunidades, com laços societais e parte integrante da vida de quem lá trabalha: que os define, que lhes dá liberdade. Porque quem acha que o desempregado involuntário é livre está muito enganado – é um cidadão diminuído e manietado, impedido de se realizar civicamente. E isso é o maior pecado que um Sociedade democrática pode permitir – que as pessoas deixem, de facto, de o serem.
Quando as pessoas concretas começam a ser avaliadas como “capital humano” já estamos num plano descendente em termos civilizacionais, Carlos.
Estar desempregado é uma tragédia que não merece artiguinhos lamechas como o de Pedro Santos Guerreiro, que, convém não esquecer, no seu emprego de director de um jornal especializado em negócios, foi cumplice, pelo menos por omissão, das circunstâncias que provocaram a situação que vivemos.
Não deixa de ser irónico que aqueles que se dizem muito preocupados com o desemprego, são os mesmos que têm defendido soluções que impedem mais investimento e maior criação de emprego, como o “filme” a que temos assistido nos últimos dias, protagonizado pelos srs juizes do Tribunal Constitucional.
Os preocupados com o desemprego que acham que temos de reflectir sobre o assunto, não vale a pena maçarem-se muito; para criar emprego só há um caminho: o investimento!
Mas não estou a ver quem é que quer investir num país onde o estado consome mais de 50% dos recursos disponiveis. Resta-nos portanto ir assistindo a esta manifestações de pesar que, pelo menos a mim, soam a falso.
Questões macroeconómicas à parte, caro Alexandre, este texto do PSG demonstra algo muito salutar: um jornalista especializado em economia não se interessa só por estatísticas, gráficos e números – também se preocupa com as pessoas concretas e os seus dramas do quotidiano.
Algo de aplaudir. Eu, pelo menos, aplaudo.
Mais um grande artigo a favor de mais e mais desemprego.
Quem lê um artigo destes fica a pensar duas ou três vezes se deve mesmo contratar alguém ou investir numa nova área que implique algum esforço e risco.
Hoje o Delito de Opinião está a fazer um grande esforço para não existirem empregos.
Deixou-me intrigado, essa sua acusação. Não a entendo de todo.