O CHARME DISCRETO DO NEOLIBERALISMO
Há dois anos, Miguel Vale de Almeida considerava que este PS desempenhava o papel de "feitor do neoliberalismo" e garantia que o discurso de José Sócrates era "do mais absoluto vazio". Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Agora o mesmíssimo ex-fundador do Bloco de Esquerda surge como estrela da lista de candidatos a deputados do PS pelo círculo de Lisboa – em lugar elegível, claro, para se poupar ao suspense do entra/não-entra, que pode causar danos ao sistema nervoso. Não há como o charme discreto do neoliberalismo para seduzir um bloquista arrependido.


A memória é uma coisa lixada :)))
Um pequeno passo para um homem, uma enorme perceptiva de lugar para o futuro.
E “perceptiva” é o quê?
Algo parecido com um anónimo, um lapso.
Mais vale um lugar elegível nas listas do PS, que dez lugares não-elegíveis nas listas do BE.
E a lealdade que vá para as urtigas, o que interessa é um emprego estável e bem remunerado.
É a vida!
Até parece que os blogs de direita não estão cheios de arrependidos do maoismo …
É sina deste país, Pedro. Lembro-me de algumas acções revolucionárias de Durão Barroso, dos discursos inflamados de, Pacheco Pereira, da inquebrantável Zita Seabra, (para apenas citar alguns exemplos de figuras muito gratas ao PSD) que de um momento para o outro trocaram o fervor militante por cargos de relevo. O PS, o PSD e até o CDS, imagine-se, estão cheios de arrependidos…
É sina deste país, Pedro. Lembro-me de algumas acções revolucionárias de Durão Barroso, dos discursos inflamados de, Pacheco Pereira, da inquebrantável Zita Seabra, (para apenas citar alguns exemplos de figuras muito gratas ao PSD) que de um momento para o outro trocaram o fervor militante por cargos de relevo. O PS, o PSD e até o CDS, imagine-se, estão cheios de arrependidos…- Carlos Barbosa de Oliveira
MVA arrependeu-se em tempo record, mais precisamente no espaço de dois anos e em relação ao mesmo governo que criticava por ser neoliberal, arrogante para com os cidadãos e vazio de ideias. Conversão tão rápida e tão profunda é obra, convenhamos e não tem paralelo que lhe chegue aos calcanhares nos exemplos de Durão e Pacheco Pereira. Mas percebe-se a necessidade de justificação.
«Um desafio de todo o tamanho» – diz o Miguel Vale de Almeida com graça.