Legislativas (20)


Pedro Correia,

  

DA ÉTICA NA POLÍTICA

 

Enfim, uma voz sensata e clarividente no PSD. Pertence à oposição interna, que acaba de ser silenciada pela ‘asfixia democrática’ posta em prática pela direcção de Manuela Ferreira Leite, que varreu das listas eleitorais do partido quase todos quantos ousaram contestá-la. Talvez até por isso, Luís Marques Mendes falou esta noite, na Universidade de Verão do partido, com uma distância crítica que nenhum dos apoiantes da actual líder é hoje capaz de ter. Para dizer coisas essenciais, que parecem andar esquecidas. Como estas que anotei:

 

"Quando um deputado ou um autarca estão pronunciados por um juiz por um crime particularmente grave, a bem dele, a bem da instituição e a bem da política não deve candidatar-se a esse cargo." 

"Um responsável político tem que ser um exemplo e uma referência. Um exemplo de seriedade, honestidade, credibilidade. E uma referência de serviço público."

"Quando temos na vida política alguém que não tem este estatuto de seriedade, honestidade e credibilidade, só há um caminho: é cortar a direito, custe o que custar e doa a quem doer."

"Na esmagadora maioria dos casos, não é precisa lei nenhuma para aplicar a ética na política. Em 2005 afastei alguns candidatos autárquicos em nome da aplicação da ética política e não precisei de lei nenhuma."

"O poder é muito importante. Mas o poder pelo poder não serve para nada. Às vezes é preferível saber que se vai perder uma eleição mas afirmar uma linha política de credibilidade."

"Cada vez mais o distanciamento entre as pessoas e os políticos tem a ver com esta falta de exigência ética."

"Recomendaria ao PSD que reforçasse cada vez mais as suas preocupações com a ética e a credibilidade da vida política."

 

Palavras que mereceriam aplauso em qualquer altura – e, por maioria de razão, merecem no momento concreto em que foram proferidas. Custe a quem custar, doa a quem doer.

10 comentários em “Legislativas (20)”

  1. Por aquilo a que pude assistir (e pelo que aqui reproduzes), são atitudes destas que o País precisa, ao invés dos espectáculos que as duas campanhas que temos aí já desenharam e que tão caras saem ao erário público.
    Se ainda houver um resto de vergonha na classe política de topo, Marques Mendes fez seguramente corar alguns rostos. A começar pelos da actual liderança do partido a que já presidiu.

  2. “Como estas que anotei:”

    ja reparei que você anota tudo o que seja contra o PSD, mas julgo que deve ser defeito prrofissional de trabalhar no DN, deve ter apanhado o vicio…

    “Pertence à oposição interna, que acaba de ser silenciada pela ‘asfixia democrática’ posta em prática pela direcção de Manuela Ferreira Leite, que varreu das listas eleitorais do partido quase todos quantos ousaram contestá-la. “

    pertence à oposição interna que acaba de ser silenciada!?? nota-se, as afirmações que você cita foram produzidas no Diario de Noticias…

    eu admiro os neutros…

    PS- Pedro Correia, qual das afirmações da uma imagem mais real de realidade

    B-varreu das listas quase todos que ousaram contesta-la

    A- varreu das listas(…) duas pessoas que ousaram contesta-la(=derruba-la)

    1. Ó Tric, eu já andava admirado por não precisar de lhe pôr travão. Faço-o agora em nome da verdade. Conheço o Pedro Correia há muitos anos e confirmo que ele anota tudo. Repito: tudo. Não deste ou daquele. Tudo.
      Não se abespinhe e deixe de ler este blogue só com um olho, porque sei muito bem que hoje já é uma evidência o pluralismo que aqui reina. E ao qual acresce a independência ou equidistância de alguns dos nossos autores (os outros não precisam, porque expõem com toda a clareza as suas legítimas tendências).
      Sugiro-lhe um exercício muito simples: clique apenas no ‘tag’ «legislativas» (que está neste mesmo ‘post’), leia com atenção tudo (repito: tudo) o que vir assinado pelo mesmo autor e veja se consegue tirar conclusões mais ajustadas. Verá então que lhe sobra todo o espaço que quiser para contrapor o que lhe apetecer, sem necessidade de partir de um pressuposto disparatado que não prestigia os seus comentários.

    2. Ó Tric, eu avisei-o a tempo para não transferir a sua morada como eleitor para Santarém. Não quis votar Santana Lopes, agora vai ter de votar Moita Flores. Quem avisa amigo é…

  3. Caro Pedro,
    Li o livro de Marques Mendes e revi muito do que me fez ser social democrata há mais de 20 anos e porque é que há mais de 10 deixei de ser militante activo.Mas continuo a lutar pelo meu PSD, o dos principios e respeito pelas pessoas.
    Acho que está tudo dito.

    1. Mendes tem toda a razão quando diz que o PSD, até para fazer jus ao seu nome, não deve confundir-se com um partido conservador. Uma óbvia referência à lista eleitoral por Lisboa, em que MJNP – ex-líder parlamentar do CDS e ex-concorrente à presidência do CDS – surge numa posição de destaque por opção de MFL, apesar de nada ter de social-democrata. Conclusão: com a actual líder, o partido virou à direita em vez de procurar captar votos ao centro e mesmo ao centro-esquerda, como Sá Carneiro conseguiu em 1979 e 1980, e Cavaco Silva também conseguiu em 1987 e 1991.

  4. Sim, esse mesmo. Tenho muito pouco que ver com um partido conservador. E o PPD/PSD também não tinha.Como costumo perguntar aos meus amigos: Será possivel ter o meu PSD de volta?

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