O ESPÍRITO DA PEQUENA E MÉDIA ‘VENDETTA’
O mínimo que se pode dizer é que as listas eleitorais do PSD às legislativas são decepcionantes. A tal ponto que até Nuno Morais Sarmento, presidente do Conselho de Jurisdição Nacional laranja, recusou integrá-las. A maior ponte com a sociedade civil, segundo já li em blogues escritos por incondicionais do partido, é a inclusão de Maria José Nogueira Pinto por Lisboa – algo incompreensível porque a ex-candidata à presidência do CDS apoia em simultâneo a candidatura rival do PSD pela capital, com eleições marcadas para 15 dias depois. Além do mais, e sabendo-se a péssima relação que MJNP tem com Paulo Portas, isto só dificulta um eventual acordo pós-eleitoral com o CDS do qual o PSD poderá vir a precisar como de pão para a boca.
De resto, o que há?
"Renovação" com Costa Neves, Couto dos Santos, Deus Pinheiro, Montalvão Machado, Aguiar Branco, Miguel Almeida?
Falsos candidatos como Alberto João Jardim?
Candidatos acusados de fraude e falsificação e já com julgamento marcado, como António Preto?
Reforço da matriz social-democrata do partido, vital para o PSD conquistar o centro? Nem o mais leve indício.
Abertura ao centro-esquerda, equivalente à que Francisco Sá Carneiro operou com êxito em 1979 ao integrar nas listas sociais-democratas os Renovadores (movimento de António Barreto, José Medeiros Ferreira e Francisco Sousa Tavares)? Não há qualquer vestígio de algo semelhante.
Assiste-se, pelo contário, à reedição do espírito de combate ao ‘inimigo interno’ – considerado como condição sine qua non para a consolidação de uma liderança frágil. Esse ‘inimigo’ é hoje Pedro Passos Coelho, como ontem foi Pedro Santana Lopes.
Manuela Ferreira Leite cedeu à tentação dos ajustes de contas numa altura em que o partido necessitava, mais que nunca, de cerrar fileiras numas eleições que serão disputadas palmo a palmo, voto a voto. Como se os verdadeiros adversários dela estivessem dentro e não fora do PSD. Que diferença em relação ao exemplo de Barack Obama nos Estados Unidos: mal chegou à presidência, o novo inquilino da Casa Branca convidou a sua ex-rival interna, Hillary Clinton, para um lugar de responsabilidade máxima. Mas isso faz parte da cultura política dos Estados Unidos. Em Portugal, onde impera o espírito da pequena e média vendetta, ainda temos de caminhar muito até atingirmos esse patamar.
ADENDA: Faltam 38 dias para as legislativas. O PSD, que está há quatro anos e meio na oposição, ainda não considerou oportuno apresentar o seu programa eleitoral aos portugueses.


Como sabes, sempre apreciei a tua contenção, compadre. Chamas «pequena e média ‘vendetta’» à baixa ‘vendetta’. Ainda bem que manténs a elegância, enquanto o País resvala inexoravelmente para uma baixeza política que já se torna inqualificável até em instituições de topo do regime.
Tens razão, compadre. Essa última polémica de Polichinelo que aí anda ameaça puxar as ‘instituições’ ainda um pouco mais para baixo.
Só um apontamento mais: a foto parece feita por medida para o tema.
Agora que falas do assunto… acho que sim.
O grande problema é que esta forma de estar está a fazer escola no partido também a nível local, como é infelizmente o caso aqui em Porto de Mós.Quero o meu PSD de volta, será ainda possivel?
Sinceramente, Pedro, parece-me cada vez mais difícil. O PSD está a copiar algumas das piores características do PCP.
Pedro:
Respeitando a tua opinião como é obvio, não posso concordar com o que afirmas especialmente no que diz respeito ao assunto PPC. Durante os meses que mediaram as directas até à apresentação das listas PPC fez nitidamente um percurso paralelo à liderança do PSD, para mim que não sou politico profissional e penso pela minha cabeça, foi normal que não fizesse parte das listas a deputados.
Quanto ao programa eleitoral sei que tem apresentação marcada para de hoje a uma semana, e nesse aspecto , não a ti, mas aos socráticos que andam tão nervosos pela falta dele relembro que em 2005, o PS apresentou o programa a 21 de Janeiro, com eleições marcadas para 20 de Fevereiro.
Há no entanto um ponto em que estamos de acordo a renovação não é um facto consumado e eu estava à espera de mais.
Carlos,
Essa comparação com as anteriores legislativas faz pouco sentido: foram eleições convocadas a meio de uma legislatura, inesperadamente. Ninguém se admirou então que os programas eleitorais tivessem sido divulgados a poucas semanas da eleição. Neste caso é diferente: há quatro anos e meio que todos sabiam que haveria eleições agora.
Quanto ao resto, estamos igualmente em desacordo. Mas neste blogue as divergências são bem-vindas. Direi mesmo que são naturais.
Abraço
No dia 27 de Setembro, espero estar sentadinho no meu sofá a ver a parente da família Adams a apresentar a demissão pela sua derrota nas Legislativas.
O grave é que a escumalha toda que ela pôs nas listas, lá irá para deputedos, perdão, deputados!
Sou militante do PSD, mas não voto em corruptos, ou seja, em Antónios Pretos ou Helenas Lopes da Costa!
Se a “líder” fez o que fez nas hostes laranjas, o que fará no país???
Por muito que se entenda a sua indignação, só lhe ficará bem que se mostre mais comedido, o que dará redobrada dignidade à defesa das suas causas. Nesta casa, corruptos são aqueles que a Justiça assim apontar e não aqueles que nos apetece insultar.
Hummmm, também me cheira a papel rasgado…
:)))
Acresce que a sua opinião perde força pelo anonimato. Que apenas o insulto gratuito justifica. E não é disso que gastamos por aqui.
Pois não. E reforço a ideia da presunção de inocência, que é garantia constitucional de qualquer cidadão português. Outra coisa, bem diferente, é o mérito político das pessoas em causa e de quem as escolheu – e quanto a isso já estamos conversados.
o psd ainda não apresentou programa de governo…
programa para quê? é pagamentos por conta e outras alarvidades do mesmo genero para continuarem a suportar os custos da quinta da marinha,da quinta do lago e outras quintas que, nós povo, não sabemos e tá a andar.
desde o d. afonso henriques que é assim, para quê mudar agora?
Boa análise!
Uma dúvida: o que é que ‘vendetta’ acrescenta (ou retira) em relação a ‘vingança’? É para introduzir uma conotação ‘mafiosa’?
Si non è vero…